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Aversão a risco externa atinge Bolsa em meio à continuidade de crise na Petrobras

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Agência Brasil

A aversão a risco no mercado internacional por temores recessivos mundiais contamina nesta quarta-feira, 22, o Ibovespa, que segue sem forças para recuperar a importante marca psicológica dos 100 mil pontos. Na véspera, a Bolsa cedeu 0,17%, para 99.684,50 pontos, reagindo ao noticiário sobre a crise na Petrobras, apesar da valorização em Nova York.

Às 10h57, o Ibovespa caía 0,82%, aos 98.865,63 pontos. O índice quase perdeu há pouco a marca dos 98 mil pontos, após começar o pregão em queda de 0,01%, aos 99.678 pontos. Na mínima diária marcou 98.050,02 pontos (-1,64%).

Renovadas preocupações com a desaceleração da economia mundial traduzem-se em perdas em torno de 1% das bolsas americanas e de até 2% nas europeias, que ainda encaram o avanço inflacionário no Reino Unido em maio. O temor no mercado é que as autoridades monetárias mundiais tenham de ser mais austeras na condução de suas políticas monetárias a fim de conter a inflação. Ao mesmo tempo, teme-se que isso eleve ainda mais o risco de uma recessão especialmente nos Estados Unidos.

“O mercado todo é está em ‘risk-off’ por conta de sinais de recessão econômica na maior parte do mundo, principalmente nos Estados Unidos”, diz Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management.

O petróleo cai em torno de 6% no exterior e o minério de ferro no mercado futuro chinês caiu na faixa de 6%, o que pesa principalmente nas ações ligadas aos respectivos segmentos. Já o dólar se favorece deste cenário, o que alivia alguns papéis de empresas exportadoras na B3.

“Após um respiro em meio a toda essa tempestade, depois de um mini rali em Nova York ontem, a indicação é de perdas, com aversão ao risco penetrando em todos os mercados”, avalia Rafael Germano, especialista em renda variável da Blue3.

“Autoridades monetárias indicam que serão mais austeras em suas politicas. A inflação está cada dia mais permanentemente elevada. A questão é quando os Estados Unidos entrarão em recessão, e não se entrarão”, diz Germano.

Ainda sem uma agenda forte, o investidor se concentra nas palavras do presidente do Fed, Jerome Powell, que testemunha perante Comitê Bancário do Senado norte-americano, a fim de buscar pistas sobre a política monetária dos EUA. Por ora, dentre as palavras, Powell disse que o Fed está fortemente comprometido a reduzir a inflação e que atuará rápido para isso.

“A grande questão é quanto ao que vai indicar Powell. Dependendo do tom, vai ditar o rumo dos mercados”, afirma Gonçalvez, CEO da Box Asset, acrescentando que, por ora, a sinalização do comprometimento de Powell em conter a inflação, de certa forma, ajuda a reduzir as perdas das bolsas. Depois de sua fala, haverá a parte de perguntas e respostas para Powell no Senado dos EUA.

Além do mau humor externo, as preocupações em relação à Petrobras continuam, à medida que o governo segue avante com propostas que, em seu entendimento, podem aliviar os preços dos combustíveis.

A tentativa de mudar a Lei das Estatais segue de pé pelo menos por parte do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de aliados ao presidente Jair Bolsonaro, embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tente travar as mudanças.

Para isso, Guedes ofereceu a criação de voucher a caminhoneiros e o aumento do vale-gás à população de baixa renda. O auxílio ao setor de transporte seria de R$ 400 e o valor para os gastos estaria limitado, definido em uma PEC e fora do teto de gastos, apurou o Estadão/Broadcast. O custo dessas medidas em estudo seria de R$ 6 bilhões. Vale ponderar que são ações que, em tese, são vedadas em ano eleitoral.

Hoje dois textos devem chegar à Camara sobre a Lei das Estatais, enquanto o governo segue empenhado na instalação da CPI para averiguar a Petrobras. Ao mesmo tempo, a estatal confirmou que o Comitê de Elegibilidade recebeu os relatórios necessários para analisar a indicação de Caio Mário Paes de Andrade à presidência da estatal. A reunião do grupo para discutir o tema está prevista para sexta-feira.