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Cautela externa com desaceleração econômica mundial e balanços pesam no Ibovespa

Por
Agência Brasil

Temores em relação a possibilidades de arrefecimento da economia global geram cautela externa nos mercados, o que também contamina nesta terça-feira o Ibovespa, que ontem fechou em queda pela sexta sessão seguida (-0,35%, a 110.684,95 pontos). O índice já cai para a faixa dos 109 mil pontos, marca vista pela última vez em 24 de fevereiro (mínima diária a 109.125,24 pontos). O indicador segue renovando mínimas, acompanhando o recuo em Nova York. O declínio é puxado principalmente por bancos, após o desconforto de investidores com o balanço do Santander Brasil. Fica ainda no radar o debate sobre aumento da CSLL do segmento e a alta do dólar ante o real (1,76% às 11h08), a R$ 4,9597.

“Apesar de hoje não ter um grande motivo para essa alta, a indicação é de investidor sendo obrigados a se desfazer de posição por medo”, avalia Rodrigo Natali, diretor de Estratégia da Inversa.

Ao mesmo tempo, preocupações com a escalada inflacionária, especialmente no Brasil, pressionam algumas ações do setor de consumo, após a retomada da divulgação da pesquisa Focus. O boletim mostrou aumento nas expectativas para o IPCA. Já a mediana das estimativas aponta para fim do ciclo de alta da Selic em junho, em 13,25%.

“O mercado está um pouco mais agressivo nessa parte de alta de juros. Já precificou alta de um ponto porcentual em maio de 11,75% para 12,75% ao ano, e pode ser que só tenha mais um aumento de meio ponto no encontro seguinte, em meio a perspectiva de alívio inflacionário no segundo semestre”, diz Bruno Takeo, da Ouro Preto Investimentos.

Enquanto o petróleo sobe lá fora, em recuperação, o minério de ferro caiu 2,95% no porto de Qingdao, na China, estendendo as perdas. Investidores seguem atentos ao avanço de casos de covid no país, o que eleva preocupações com o ritmo de crescimento chinês.

Se por um lado a valorização do petróleo permite leve alta das ações da Petrobras, o recuo do minério, pesar sobre as relacionadas ao segmento metálico. Vale ON perdia 0,72%, enquanto CSN ON perdia 3,08%, também de olho em incêndio da empresa em um galpão de embalagens e componentes no final da noite de ontem (25), na Usina Presidente Vargas em Volta Redonda. Em Nova York, as bolsas caem e, na Europa sobem, na esteira de balanços.

De acordo com o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, a falta de um comportamento único nos mercados reflete cautela, com o pano de fundo dos temores sendo o mesmo. Ele cita, em comentário matinal as preocupações com a velocidade do crescimento global, tendo em vista a nova onda de covid na China, a guerra na Ucrânia e a retirada de estímulos nos EUA.

No Brasil, além de o mercado avaliar o Focus, também fica de olho no fiscal, após o governo lançar um pacote de medidas para renovar em R$ 87 bilhões as linhas de empréstimos para Microempreendedores Individuais (MEIs), micro, pequenas e médias empresas, além de habitação popular.

No âmbito corporativo, destaque para a informação de que o Tribunal de Contas da União (TCU) marcou para 18 de maio a retomada do julgamento da privatização da Eletrobras, interrompido no último dia 20 após pedido de vista do ministro Vital do Rêgo. A expectativa do governo era de que a matéria seria novamente avaliada no dia 11. Em relação à Vale, a empresa fechou parceria com a Nippon Steel.

Às 11h12, o Ibovespa cedia 1,06%, aos 109.531,74 pontos, ante mínima diária a 109.232,16 pontos (-1,375).

Unit de Santander puxa a fila das baixas, ao ceder 4,22%, após o balanço. Ao comentar os dados, o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, disse que o banco seguirá expandindo sua presença física. O Santander Brasil fechou o primeiro trimestre de 2022 com lucro líquido gerencial (que desconsidera o ágio de aquisições) de R$ 4,005 bilhões, alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2021. Ante o quarto trimestre de 2021, o crescimento foi de 3,2%. Porém, teve o maior custo de crédito e maiores provisões do grupo no primeiro trimestre.

Ainda no segmento financeiro, Bradesco PN perdia 2,77%; Itaú Unibanco caía 1,37%; Banco do Brasil recuava 1,73% e Bradesco ON, -2,47%. O dólar à vista subia 1,66%, a R$ 4,9542.

Entre as ações ligadas ao setor metálico, CSN ON caía 1,82%. A empresa informa que ocorreu um incêndio em um galpão de embalagens e componentes no final da noite de ontem, na Usina Presidente Vargas em Volta Redonda.