Vai de Opinião

Circuit Breaker: um dia para entrar na história!

2 Minutos de leitura

Por Pedro Lang – Economista

 

Que semana! Hoje, momento em que escrevo esta coluna, ainda é segunda.

As bolsas mundiais ontem (09/03) amanheceram em um movimento generalizado de sell-off e, na esteira desse movimento, o Ibovespa caiu mais de 12%. Tivemos inclusive o acionamento do mecanismo de proteção dos investidores chamado Circuit Breaker que, há muito, não víamos.

Não foi um dia agradável particularmente, apesar de ter entrado para história. Não víamos uma queda como essa há mais de 20 anos.

Entre mortos e feridos, o dia de ontem foi responsável por transformar internamente todos os investidores que estavam acostumados com a bolsa pouco volátil e um mercado, no mínimo, amoroso.

A receita do fracasso como sempre foi a alavancagem mal utilizada, ou seja, quem abusou dela pagou o preço (caro).

Causas da queda: Covid-19 e OPEP

O principal motivo ainda são as preocupações com o Covid-19 e, principalmente, com o fim do acordo na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O preço do petróleo caiu cerca de 30% na madrugada de hoje (09/03) e ninguém está realmente preocupado com o custo do combustível. Eu, por exemplo, estaria adorando pagar mais barato na gasolina.

A preocupação, na verdade, é com os países que dependem de um petróleo mais alto para fechar as contas públicas e as empresas que só são viáveis a um determinado preço da commodity.

Essa imagem assustadora, cuja fonte está no blog parceiro Bugg  mostra o preço de petróleo que torna a balança fiscal – contas do governo – zero, ou seja, receita = despesas.

Bolsa brasileira

Importante que saibamos que, a despeito desse problema todo, ainda não há destruição de valor na maioria das empresas da bolsa brasileira.

Grande parte do movimento que estamos vendo hoje é técnico e, portanto, é importante que tenhamos calma. Tenho uma regra particular de que não faço nada em dias como esse, ou melhor, fico em observação atenta para os movimentos ocorridos.

Outro ponto relevante é que antes de cada ação seja feita uma avaliação completa da situação.

O mercado de renda variável é assim mesmo, mas com horizonte de longo prazo e seleção de boas empresas, os riscos são bem menores. Seja prudente e não tome riscos desnecessários!

Ibovespa

Abaixo, deixo um exemplo que pode trazer esperança. Esse foi o comportamento do Índice Bovespa em alguns dos principais “flash crashes” que tivemos:

  1. Ataque às Torres Gêmeas – Setembro de 2001

– Queda de -27,9% em 11 dias

– Recuperação de 52% em 82 dias

– Saldo final: +9,6%

  1. Crise de 2008

– Queda de -45,12% em 31 dias

– Recuperação de 76% em 150 dias

– Saldo final: -3,4%

  1. Delação de Joesley Batista – Maio de 2017

– Queda de -12,17% em 2 dias

– Recuperação de 26% em 86 dias

– Saldo final: +10,6%

  1. Greve do Caminhoneiros – Maio de 2018

– Queda de -20,24% em 25 dias

– Recuperação de 40% em 165 dias

– Saldo final: +11,6%

Conclusão

Encerro com uma frase do grande professor Joel Greenblatt do livro “The Little Book that beat the Market” o qual fortemente recomendo a leitura:

“Choosing individual stocks without any idea of what you’re looking for is like running through a dynamite factory with a burning match. You may live, but you’re still an idiot.

Pedro Lang

Economista

>> Chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos e especialista em Valuation pela Saint Paul Escola de Negócios.

e-mail: [email protected]

 

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