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Conta de luz cara? Veja os impactos nas ações de empresas de energia!

7 Minutos de leitura
Conta de luz cara Veja os impactos nas acoes de empresas de energia Conta de luz cara? Veja os impactos nas ações de empresas de energia!

Com as altas da inflação, o brasileiro vem percebendo um aumento nos preços de diversos produtos em 2021. A conta de luz, por exemplo, é uma das que ficaram mais caras para uma parcela da população. Mas, essa elevação tem impacto nas ações de energia da bolsa de valores?

Historicamente, as empresas do setor conseguiam atrair a atenção dos investidores — especialmente pela solidez do nicho. Além disso, com o surgimento e valorização das fontes de energias renováveis, há uma expectativa de atualização e aquecimento na categoria.

Assim, vale a pena saber como o aumento na conta de luz afeta as ações das empresas de energia. É sobre esse tema que você entenderá neste artigo.

Boa leitura!

Sumário

Como funciona o setor de energia no Brasil?
Como é o setor de energia na bolsa de valores?
Mas, afinal, por que a conta de luz está mais cara?
Estudo sobre o setor

electricity Conta de luz cara? Veja os impactos nas ações de empresas de energia!

Como funciona o setor de energia no Brasil?

As empresas de energia estão entre as mais relevantes do país. O motivo para isso está no papel central que o setor desempenha na economia, sendo um dos responsáveis por garantir produtividade para diversos segmentos.

No Brasil, o segmento conta com a regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) — autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Entre suas funções, além de estabelecer as tarifas, está emitir as concessões para empresas do setor.

Nesse contexto, as empresas se dividem em quatro grupos:

  • geração;
  • transmissão;
  • distribuição;
  • comercialização.

O primeiro, como o nome sugere, tem como objetivo gerar a energia elétrica. Assim, para que isso seja possível, pode-se usar diversas fontes, com a hidrelétrica sendo a principal no Brasil. No entanto, as fontes renováveis ganharam destaque no país — especialmente a eólica e a solar.

Após a etapa de geração, tem início o processo de transmissão. As empresas desse segmento atuam como intermediárias, levando a energia dos polos de geração para os centros de distribuição. O terceiro grupo é o responsável, então, por fornecer a energia para os consumidores finais.

Por fim, o setor de comercialização diz respeito aos contratos entre os três segmentos acima. Entender essa divisão é importante para os investidores, visto que cada empresa pode sentir diferentes impactos pelos aumentos na conta de luz — bem como de outros possíveis fatores.

Como é o setor de energia na bolsa de valores?

Agora que você entendeu como o setor de energia se divide e sua importância para a economia nacional, é importante compreender como ele funciona na bolsa de valores. Para isso, é preciso conhecer as principais empresas e outros aspectos.

Saiba mais!

As principais empresas

O setor de energia conta com diversas empresas disponíveis para os investidores interessados na compra de suas ações. Por isso, antes de decidir por investir ou não, é importante conhecer as alternativas dos quatro segmentos.

Entre as geradoras de energia, é possível citar a AES Brasil (AESB3), a Companhia Energética de São Paulo (Cesp — CESP6) e a Engie (EGIE3). Já no grupo das de transmissão, há ações da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa — TAEE11) e Transmissão Paulista (ISA CTEEP — TRPL4).

Além disso, também há empresas no mercado de energia elétrica que atuam em mais de uma frente. Nesse cenário, é possível citar as ações da Cemig (CMIG4), EDP Brasil (ENBR3), Eletrobras (ELET3), Eneva (ENEV3) e Equatorial (EQTL3).

A relevância nos indicadores

Outro aspecto interessante ao avaliar as ações do setor de energia está na sua participação na economia nacional. Na B3, a bolsa de valores brasileira, há um indicador exclusivo para essas empresas: o Índice de Energia Elétrica (IEE B3).

Ele é a carteira teórica com os ativos mais negociados do nicho. Ademais, muitas das empresas que você viu acima fazem parte do Índice Small Cap (SMLL B3). Esse, por sua vez, é composto por organizações que apresentam baixa capitalização.

A participação de algumas das empresas de energia também é relevante no Ibovespa. Ele é o principal indicador de desempenho da bolsa brasileira, pois reúne as ações mais negociadas.

Entre as ações de energia elétrica que o compõem estão:

  • CMIG4: Cemig;
  • CPLE6: Copel;
  • CPFE3: CPFL Energia;
  • ELET3 e ELET6: Eletrobras;
  • ENBR3: Energias BR;
  • ENGI11: Energisa;
  • ENEV3: Eneva;
  • EGIE3: Engie Brasil;
  • EQTL3: Equatorial;
  • TAEE11: Taesa

Mas, afinal, por que a conta de luz está mais cara?

Como você viu, as hidrelétricas ainda estão entre as principais geradoras de energia do Brasil. Nesse contexto, a crise hídrica que o Brasil tem enfrentado nos últimos anos é uma das responsáveis pelo aumento na tarifa em 2021.

Isso porque, quando a temporada de chuvas não é capaz de atingir as expectativas, é preciso recorrer a outras geradoras. Um exemplo são as termelétricas, que podem ser mais caras. Esse processo leva a um aumento generalizado de preços ao consumidor final.

No entanto, esse não é o único fator. Ainda é possível incluir os impostos, o possível aumento do consumo e mudanças em relação à capacidade produtiva das geradoras como causas para as contas mais caras.

Além disso, as tarifas são revisadas regularmente pela ANEEL. Com todos esses fatores, o aumento nas contas ficou acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021. Desse modo, esse tem sido um dos principais responsáveis pelas altas da inflação.

A conta de luz mais cara impacta no preço das ações?

Em um primeiro momento, é natural crer que o aumento nas contas gere um aumento no faturamento das empresas e, consequentemente, deixe as ações mais valorizadas. No entanto, isso pode não se concretizar.

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que as ações são ativos de renda variável e suscetíveis às oscilações do mercado. Portanto, a conta de luz é apenas um dos elementos que pode gerar uma alteração no preço das ações.

Outro ponto de atenção está nos custos do setor. Em um momento de crise hídrica, por exemplo, as empresas que precisam de água para gerar energia deverão investir mais. Desse modo, o aumento da conta de luz pode não gerar um maior faturamento.

Além disso, o segmento da empresa é relevante para uma possível variação em suas ações. De forma mais comum, organizações de transmissão ou distribuição são menos impactadas pelas mudanças nas tarifas.

Em contrapartida, outros setores podem sentir os impactos do aumento na conta de luz. Por exemplo, os que demandam mais energia, como as indústrias, são capazes de observar um aumento em seus custos de produção. Esse pode ser um dos fatores a influenciar o preço das ações.

Assim, embora o investidor possa buscar um paralelo entre a conta de luz e o preço dos papéis, há outros aspectos que devem ser considerados. Em qualquer cenário, uma análise fundamentalista das empresas é importante para ter um melhor conhecimento sobre os números.

O que é preciso considerar antes de investir nessas ações?

Com essas informações em mãos, você pode estar se perguntando se é interessante investir em ações do setor de energia. Essa é uma decisão individual. Logo, o que apresentamos aqui não funciona como sugestão de investimento.

Para fazer sua escolha, há diversos pontos a se considerar. Saiba mais!

Perfil de investidor

O primeiro ponto que um investidor deve analisar é o seu perfil — e isso não vale apenas para as ações de energia. Esse aspecto será um dos responsáveis por definir sua tolerância a riscos em todos os seus aportes.

Investir na bolsa de valores costuma ser uma prática mais indicada para investidores moderados e arrojados. O motivo para isso está no fato desses perfis apresentarem uma maior tolerância em relação aos riscos da renda variável.

Objetivos financeiros

Além do perfil de investidor, também é importante considerar os seus objetivos financeiros ao avaliar ações. A partir deles, você conseguirá entender quais podem ser as melhores alternativas para a sua carteira.

Um ponto interessante, por exemplo, é que há empresas nesse campo que se posicionam como boas pagadoras de proventos. Desse modo, podem ser opções para quem deseja compor estratégias com foco em longo prazo — priorizando a renda passiva.

Estudo sobre o setor

Por último, os investidores devem avaliar o setor para decidir se ele faz sentido na sua carteira. Apesar de apresentar características que podem ser interessantes, há outros elementos que devem participar dessa equação.

Por exemplo, é preciso avaliar o segmento de cada empresa. Como você viu, há quatro principais e existem companhias que atuam em mais de um. Por isso, a análise é importante para entender quais delas apresentam um maior alinhamento com o seu perfil e objetivos.

Fique atento, ainda, à possível influência do poder público no setor. Na Eletrobras, por exemplo, o Governo Federal é o controlador. Além disso, é possível haver regulamentação governamental em outras empresas — especialmente as distribuidoras.

Portanto, antes de alocar capital nessas organizações, é preciso que os investidores avaliem esse ponto com cautela para compreender se há aderência com sua estratégia. Afinal, o contexto pode trazer riscos ligados à política brasileira.

Também é válido considerar as expectativas para o setor. Ele vem apresentando perspectivas de modernização para o futuro. Como você viu, apesar das hidrelétricas ainda serem as principais geradoras de energia, isso pode mudar nos próximos anos.

O motivo é o crescimento das empresas de energias renováveis. Essa pode ser uma oportunidade para investidores que priorizam a agenda ESG em seus aportes. Seja qual for sua escolha, não deixe de avaliar esses e outros aspectos relevantes.

Como vimos, as ações de energia chamam a atenção de diversos investidores. Contudo, antes de investir é preciso fazer uma análise — incluindo os possíveis impactos do aumento na conta de luz, mas não se limitando a ele.

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Sobre o autor
Thiago Goulart é o Editor da Vai Investir e do podcast Valor de Mercado. Adora praticar tênis, ler, escutar música e estar na presença de amigos e família. Graduado em Letras pela UFES e em Jornalismo pela PUC-SP, está se tornando também especialista em finanças com o MBA no tema pela PUC- RS. Com uma longa carreira em sala de aula, desenvolveu a habilidade e sensibilidade para conectar pessoas a conhecimentos. Hoje, aplica essa experiência de maneira mais específica para o mercado financeiro, por quase 3 anos sendo o principal responsável pelo desenvolvimento e curadoria de conteúdo para a Valor Investimentos e Vai Investir.
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