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Fundos de investimento: como fazer uma escolha assertiva?

Por

Felipe Lacerda, Jhady Vasconcelos e Matheus Corradi
Trainees da Valor Investimentos

Quando pensamos em investir em fundos de investimentos (FIs), costumamos nos deparar com uma infinidade de opções, desde fundos mais conservadores aos mais sofisticados. Os FIs são oferecidos pelas plataformas de investimentos e, quando estamos diante deles, logo nos perguntamos:

Qual fundo de investimento escolher?

Nesse contexto, muitas vezes procuramos referências externas, como amigos e/ou influencers de investimentos, sendo apresentados aos famosos produtos queridinhos do mercado.

Mas por que deveríamos desconfiar desses produtos, já que as recomendações são tão positivas?

Acontece que, muitas vezes, a euforia com esses produtos é baseada no resultado de curto prazo, desconsiderando critérios técnicos fundamentais para uma escolha racional e assertiva de onde estamos investindo o nosso dinheiro. Infelizmente, nem sempre o resultado final é positivo.

Tomemos como exemplo os fundos Alaska Black FIC FIA BDR Nível I e Equitas Selection FIC FIA.

O fundo da Alaska foi um dos mais badalados dos últimos anos. Não por menos. Numa janela que vai de 01/01/2015 a 31/12/2019, o fundo obteve um resultado positivo de 420,37%, frente a uma rentabilidade de 138,38% do Ibovespa no mesmo período.

Entretanto, o impacto da crise da COVID-19 foi duro para o fundo que, devido às estratégias adotadas com relação à taxa de juros e ao dólar, viu suas cotas derreterem mais de 70% num curto prazo de 2 meses.

Em termos práticos, quem tinha R$ 50 mil aplicados no fundo em 23 de janeiro de 2020, viu esse montante cair para R$ 15 mil em 23 de março de 2020.

O fundo da Equitas, por sua vez, chegou receber o prêmio Infomoney Melhores Fundos, como um dos três melhores fundos de ação do Brasil entre 2017 e 2019. Entre 01/01/2015 e 31/12/2019 sua performance foi de 256,9%. Ou seja, uma rentabilidade também bem acima do Ibovespa no período, ainda que mais modesta que a do Alaska.

Entretanto, com pouco caixa para absorver o fluxo de resgates observados durante a crise sanitária, o fundo também foi duramente penalizado nesse período e encontrou dificuldades para se recuperar, observando uma desvalorização de suas cotas na casa de 41,74% entre 01/01/2020 e 31/12/2021, frente a uma queda de 11,6% do Ibovespa no mesmo período.

Dito isso, como podemos fazer uma escolha mais assertiva e cuidadosa no momento de investir? O que deve ser observado?

Primeiramente, precisamos afastar a ideia de olhar para a rentabilidade passada do fundo como fator principal de avaliação.

Apesar de relevante, principalmente quando queremos analisar a consistência do fundo, é importante lembrarmos que esta é apenas uma dentre diversos fatores.

Vamos fazer uma analogia à posição de um motorista: quando olhamos somente a rentabilidade passada de um fundo, estamos olhando somente o retrovisor do carro.

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Todavia, para fazermos uma boa escolha, precisamos olhar para frente, ou seja, o para-brisa.

O para-brisa é visto quando buscamos responder às seguintes perguntas:

  • Qual é a equipe de gestão desse fundo?
  • Ela possui experiência na gestão dessa classe de fundos?
  • Qual é a estratégia de alocação desse fundo?
  • Apresentou boa performance em diferentes cenários da economia?
  • Como esse fundo se comportou num cenário de estresse? (Ex.: Crises de 2008, 2015 e COVID-19)
  • Quais são as taxas de administração e performance?
  • Qual é o prazo para resgate?
  • Está alinhado com os meus objetivos e meu perfil de investidor?

Dessa forma, quando buscamos as respostas para todas essas perguntas, é possível entender as teses de investimento dos fundos, estar alinhado com a estratégia utilizada pelos gestores e, com isso, investir com mais confiança e assertividade.