Selic

Selic em 3,50% ao ano. E os meus investimentos com isso?

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No comunicado realizado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) a explicação foi de que o aumento nos juros se deve à inflação de alimentos e bens industriais. Na reunião realizada, o Copom avaliou que o avanço da vacinação contra a Covid-19 deve impulsionar a recuperação da atividade econômica no Brasil ao longo do ano.

Para o conselho, o ritmo de crescimento da economia brasileira ainda é incerto. Este foi o segundo aumento seguido da Selic. Em março, o Copom elevou a taxa de 2% para 2,75% ao ano. Alguns analistas do mercado financeiro estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 5,5% no fim de 2021, e 6,25% no fim de 2022.

As reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias, aproximadamente, e são acompanhadas de perto por todos os participantes do mercado. Fique atento aos números do Boletim Focus que é divulgado pelo BC todas as segundas-feiras. Vale a pena o investidor acompanhar junto e criar uma sensibilidade do impacto delas nos preços de seus títulos. Saber o que está acontecendo no mercado vai te ajudar a ser um investidor mais consciente.

O Banco Central tem sido pressionado por uma inflação alta persistente e por uma economia que cresce pouco, afetada pelos estragos da pandemia. Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 6,10% em 12 meses e estourou o teto da meta do governo para a inflação no ano, algo que não acontecia há quatro anos. A preocupação é que a inflação em alta siga persistente no próximo ano – o Copom tem avaliado que essa pressão é passageira.

O que diz o Copom?

O Copom decidiu aumentar a taxa Selic para 3,50% ao ano. Segundo o BC, a atualização do cenário básico pode ser descrita por meio das seguintes observações:

  • No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano. A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nessas economias podem tornar o ambiente desafiador para países emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes mostram uma evolução mais positiva do que o esperado, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia estar maior do que o antecipado. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade;
  • Com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais. Além disso, a transição para patamares mais elevados de bandeira tarifária deve manter a inflação pressionada no curto prazo. O Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se no topo do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,0%, 3,6% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de R$5,40/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,1% para 2021 e 3,4% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 5,50% a.a. neste ano e para 6,25% a.a. em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 8,4% para 2021 e 5,0% para 2022.

Veja abaixo, a evolução do IPCA e a meta para inflação:

ipca inflacao Selic em 3,50% ao ano. E os meus investimentos com isso?

Selic a um dígito

Apesar do aumento da Selic, o Brasil vivencia um momento transformacional em relação à forma de investir. Nos acostumamos, durante muito tempo, a fazer aplicações em produtos financeiros com características de Renda Fixa. Este conforto, no entanto, não tem feito tanto sentido nos dias de hoje, uma vez que esses investimentos estão atrelados à referida taxa básica de juros.

Para termos uma ideia, a Selic chegou ao menor percentual desde 1999, quando começou o regime de metas para a inflação. Outro fator importante, é que o atual momento requer cautela, uma vez que os juros ainda estão baixos.

Vamos explicar desde o princípio, como se conecta a inflação com a taxa Selic e alguns conceitos básicos de economia como a lei da oferta e da procura. Por último, iremos alinhar os impactos causados por essas variáveis econômicas nos investimentos.

Vamos lá?

Taxa Selic

A taxa Selic serve, antes de tudo, para termos a referência em boa parte do que fazemos comumente: empréstimos, financiamentos ou investimentos. Mesmo aqueles que permanecem com dinheiro na poupança sofrem diretamente o impacto via baixíssima rentabilidade anual.

Veja abaixo a evolução da taxa Selic:

selic Selic em 3,50% ao ano. E os meus investimentos com isso?

Ninguém gosta de inflação alta

Quando ouvimos dizer que a inflação está em alta logo sentimos no bolso esta consequência, ou seja, a inflação corrói o poder de compra das pessoas. Ninguém gosta de inflação alta. A primeira relação que fazemos é instantânea: inflação está atrelada ao aumento dos preços desde os produtos mais cotidianos que consumimos aos mais sofisticados.

A inflação também está ligada ao nosso poder de compra, ou seja, o quanto podemos consumir sem que o salário seja corroído. Uma vez que a inflação esteja em alta, isso prejudica a nossa referência do que está caro ou barato.

É justamente por isso que o governo procura manter a inflação sob controle por meio de um sistema denominado Meta de Inflação. O sistema prevê ainda um intervalo de tolerância.

Segundo o Banco Central, nos últimos anos o Conselho Monetário Nacional (CMN) tem definido um intervalo de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima e para baixo. Por exemplo, no caso de 2020, a meta é de 4,00% e o intervalo é de 2,50% a 5,50%.

Se a inflação ao final do ano se situar fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, por meio de carta aberta ao Ministro da Fazenda, presidente do CMN, contendo descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Veja o gráfico abaixo disponibilizado pelo Banco Central, no acumulado dos últimos 12 meses, cuja inflação se encontra em 6,10%:

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A preocupação, hoje, é que a inflação em alta siga persistente no próximo ano. No entanto, o Copom tem avaliado que essa pressão é passageira. No comunicado mais recente, o Comitê deixou claro que a política monetária tem como objetivo a inflação de 2022. Para o próximo ano, a meta de inflação é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Entendendo alguns conceitos: lei da oferta e da procura

Um conceito fundamental e básico da economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura. Essas duas palavras nos ajudam a compreender o conceito de inflação.

Exemplo: se muitas pessoas desejam comprar um produto, é natural que o preço suba, ou seja, quanto maior for a procura por algo, maior será o preço ofertado.

Dessa forma, se a economia de um país está crescendo, com baixo índice de desemprego e ganhos de renda dos trabalhadores, os preços tendem naturalmente a subir. Por outro lado, se a economia vai

juros e inflacao Selic em 3,50% ao ano. E os meus investimentos com isso?mal e muitas pessoas param de comprar, apertando o orçamento, os preços tendem a cair ou ficar estáveis.

É sob essas considerações que o governo atua com o fim de controlar a inflação. Assim, a taxa básica de juros (Selic) nos indica quais são as sinalizações emitidas pelo Banco Central.

Veja a imagem ao lado que sintetiza a subida ou a redução da taxa de juros.

Diante disso, é bom lembrar que o Brasil passou por um momento de enorme crise. E, pelo exemplo mencionado anteriormente, a sinalização do Banco Central em baixar os juros, torna-se essencial para ajustar os indicadores da economia. Este é um passo muito relevante para estimular a confiança dos agentes econômicos e da população.

E os meus investimentos com isso?

Já deu para perceber que os juros mais baixos são bons para a nossa vida. Além disso, inflação em queda gera impactos em nossos investimentos a depender do produto financeiro que estamos posicionados.

Agora, vamos listar alguns desses impactos:

  1. Inflação sob controle significa que o crédito ficará um pouco mais barato;
  2. Juros mais baixos possibilita maior alívio à vida das empresas, que podem investir mais, ajudando o país a sair de vez da crise;
  3. Para uma parte dos investimentos que estão atrelados à taxa Selic significa rendimento menor;
  4. Por outro lado, existem produtos que podem render muito mais e que estão atrelados a outros benchmarks.

Dentro dessa perspectiva de juros baixos, os investidores devem ficar atentos e aprender a tomar risco caso desejem que suas aplicações rendam mais.

Recentemente a taxa Selic atingiu o patamar mais baixo de sua história (5%) e, pela visão de analistas do mercado e economistas, a tendência futura é ainda de maior queda, podendo chegar aos 4%.

Seria interessante, dessa forma, explorarmos mais os itens 3 e 4, apresentando os reflexos da baixa de juros em duas modalidades de investimentos: Renda Fixa e Renda Variável.

Renda Fixa

. Poupança

Com o novo aumento na taxa de juros, a poupança tem oferecido um retorno anual negativo de 0,16% ao mês. Assim, a poupança traz retornos muito pífios.

. Títulos Públicos

O investidor mais conservador pode encontrar algo em títulos públicos mais rentáveis que os atrelados à Selic, como os prefixados (Tesouro prefixado) ou indexados à inflação (Tesouro IPCA, antiga NTN-B). Já os pós-fixados, como o Tesouro Selic e os Fundos DI, apesar de renderem menos, servem para ser uma reserva de emergência, uma vez que, em geral, possuem liquidez diária.

. Debêntures

Uma boa aposta com a redução dos juros pode ser em ativos – debêntures incentivadas –  que têm rendimentos isentos de Imposto de Renda, como Fundos de Debêntures (títulos emitidos por empresas), na Renda Fixa, pois, apesar de serem títulos de Renda Fixa, normalmente são atreladas à inflação (IPCA), garantindo um juros real (acima da inflação).

Renda Variável

. Fundos Imobiliários

Isentos de Imposto de Renda, os Fundos Imobiliários são considerados, para quem nunca investiu em Renda Variável, um primeiro passo para investir em ações, gerando rendimentos mensais a títulos de “aluguel” de imóveis reais de alto padrão (prédios corporativos, hospitais, galpões logísticos, entre outros).

. Fundos de Ações ou Multimercados

O investidor que não conhece bem o funcionamento da Bolsa de Valores deve começar suas aplicações por meio de um Fundo de Ações, que possui um gestor que monta a carteira. Há ainda os Fundos Multimercados, com maior flexibilidade por poder investir em vários produtos ao mesmo tempo.

. Ações

As ações na Bolsa ainda ganha mais atratividade com a queda da rentabilidade de outros produtos. Em função de boas perspectivas para a economia, como a aprovação da reforma da Previdência, o Ibovespa tende a subir mais, o que aumenta o valor de muitas empresas. Ações de bancos, empresas varejistas e de infraestrutura são as principais recomendações.

Diversificar sempre!

Tornou-se um clichê entre os investidores, mas é sempre bom relembrar: diversificar seu dinheiro é a regra de ouro no mundo das finanças. Assim, no percurso em busca de mais retorno, você deve evitar alocar todos os seus recursos em um único produto financeiro, diminuindo seus riscos e aumento sua rentabilidade.

Dê um passo de cada vez e lembre-se que para cada objetivo há uma recomendação. Peça ajuda a um assessor de investimentos se estiver em dúvidas antes de tomar qualquer decisão.

É perceptível que a mudança da taxa Selic impacta muito a economia, tendo reflexo direto sobre o consumo, sobre a inflação e sobre os seus investimentos. Saiba que, cada vez mais, suas escolhas terão de ser cautelosas e eficientes para rentabilizar mais os investimentos de forma inteligente e segura.

 

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