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Na véspera do Fed, dólar cai 2,15% com exterior e leilão de swap do BC

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Agência Brasil

Após dois pregões seguidos de alta, em que subiu 2,68% e voltou a superar barreira de R$ 5,00 no fechamento, o dólar à vista tombou na sessão desta terça-feira, 4, véspera de decisão de política monetária aqui e nos Estados Unidos. Segundo operadores, o enfraquecimento da moeda americana no exterior, aliada à venda de US$ 1 bilhão em contratos extras de swap cambial pelo Banco Central, abriu espaço para um movimento de ajuste de posições e realização de lucros.

Em queda desde a abertura dos negócios, o dólar rompeu o piso de R$ 5,00 no fim da manhã. Ao longo da tarde, a divisa ampliou as perdas e chegou a tocar pontualmente o nível de R$ 4,95, ao registrar mínima a R$ 4,9572 (-2,28%). No fim do dia, o dólar recuava 2,15%, a R$ 4,9635. Divisas emergentes subiram em bloco ante a moeda americana, com o real e o rand sul-africano exibindo os maiores ganhos.

Após a escalada recente, em que atingiu o maior patamar em 20 anos, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes – trabalhou o dia todo em queda, registrando mínima aos 103,029 pontos. O euro, que vinha apanhando, se recuperou, na esteira resultado acima do esperado da inflação ao produtor na zona do euro em março e declarações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christiane Lagarde. A taxa da T-note de 10 anos, que tocou 3% na máxima, descia para a casa de 2,97% no fim da tarde.

Segundo analistas, após a forte deterioração dos ativos de risco, investidores recalibram posições para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), seguida de entrevista coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell.

“Ontem, o mercado teve uma postura de forte cautela, já precificando um discurso mais duro do Fed. Hoje, esse movimento está sendo reajustado”, afirma a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, lembrando que o dólar subiu 2,63% na segunda-feira. “O real, por ser mais líquido, tem um movimento mais intenso que outras moedas emergentes. O ambiente é de extrema volatilidade”.

É dada como certa uma alta da taxa básica americana em 50 pontos-base. Há dúvidas, porém, se o Fed deixará a porta aberta para acelerar o passo em junho, com eventual alta de 75 pontos-base, e se sinalizará a necessidade de pôr a política monetária em campo restritivo para controlar a inflação.

Por aqui, é consensual que o Banco Central vai seguir o script e promover uma alta da taxa Selic em 1 ponto porcentual, para 12,75% ao ano. O mercado quer mais e espera pelo menos uma alta adicional de 0,50 ponto em junho, mas não se sabe se o BC está disposto a estender o ciclo de aperto.

Para o gerente da mesa de derivativos financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie, o mercado pode estar nesta terça aparando excessos e montando posições para a eventualidade de o Fed surpreender com um tom “não tão hawkish” quanto se esperava na semana passada. “Se isso acontecer, podemos ver uma recuperação dos ativos de risco e nova queda do dólar”, diz

Alessie atribuiu o fortalecimento do real nesta terça sobretudo à perda de força da moeda americana no exterior. A atuação do Banco Central, com colocação de US$ 1 bilhão em swap (o que significa venda de dólar futuro), pode ter contribuído para acentuar o tombo do dólar, mas não teria poder de ditar a tendência.

“O BC deu hedge para quem queria se proteger e uma saída para quem queria desmontar posição no futuro. O movimento do dólar nos últimos dias está muito mais ligado ao cenário global do que ao local”, diz Alessie, acrescentando que no nível de R$ 5 o dólar já embute a perspectiva atual de estreitamento do diferencial de juros interno e externo.

Além do leilão extra de swap, o BC vendeu nesta terça 15 mil contratos de swap (US$ 750 milhões) em rolagem dos vencimentos programados para junho. Ao todo, o BC fez três injeções de recursos novos no mercado neste ano: US$ 1 bilhão em swaps nesta terça, US$ 500 milhões em swaps no dia 26 e US$ 571 milhões à vista no dia 22.

Em relatório, o Citi afirma que a depreciação recente do real, que levou o dólar a atingir R$ 5,00 na segunda, teve como gatilho um “cenário global mais adverso”, com fortalecimento da moeda americana. Para a decisão do Copom na quarta à noite, o Citi reitera aposta em alta da Selic em 1 ponto porcentual, para 12,75% ao ano. O ciclo de aperto se encerraria em junho, com uma elevação final da taxa em 0,50 ponto, para 13,25%.