Notícias

Notícias

Ouro fecha em queda de 1,98%, com China e Fed no radar

Por
Agência Brasil

O contrato mais líquido do ouro fechou em baixa robusta nesta segunda-feira, 25, mesmo tendo sido uma sessão marcada pela aversão ao risco e queda dos rendimentos dos Treasuries, devido a preocupações renovadas com a expansão da covid-19 na China. Além disso, pesaram sobre o metal amarelo a alta do dólar e a expectativa por um Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mais hawkish diante da escalada inflacionária.

O ouro para junho encerrou a sessão com perda de 1,98%, a US$ 1.896,00 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex). Esse foi o menor nível em 2 meses.

A capital da China, Pequim, ordenou nesta segunda-feira que os moradores de uma área do distrito de Chaoyang, afetado pela covid-19, não deixem o local e não saiam de suas residências por razões não essenciais, informou a Reuters. Investidores estão preocupados que as políticas chinesas para combater a covid-19 perturbem ainda mais as cadeias de suprimentos globais, aumentando a inflação. “Muitas cadeias de suprimentos são diretamente impactadas pela China”, disse Brian Price, chefe de gestão de investimentos da Commonwealth Financial Network. “Quanto mais tempo eles estiverem offline, mais isso alimentará a inflação em todo o mundo.”

A situação da China aumentou a aversão ao risco, o que impulsionou a demanda pelo dólar e Treasuries, prejudicando o ouro.

Para o Commerzbank, o Fed agora vê a inflação como um problema urgente que deve ser resolvido em primeiro lugar. “Após um breve período de estabilização, as expectativas de inflação baseadas no mercado também aumentaram recentemente para mais de 3% pela primeira vez”, disse o banco, em relatório enviado a clientes. “Aparentemente, os participantes do mercado têm dúvidas de que o Fed conseguirá controlar a inflação com os aumentos esperados das taxas de juros”, completou.

De acordo com ferramenta do CME Group, o mercado embute hoje 97,6% de chances de alta de 50 pontos-base em maio, enquanto que, em março, era 72,7%.

O Commerzbank ainda destaca que como o ouro se sairá depende de quanto tempo a guerra na Ucrânia continuará e como os bancos centrais reagirão ao aumento da inflação nos próximos meses. “Eles vão decidir combater as taxas de inflação impulsionadas pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos com fortes aumentos das taxas de juros ou hesitarão porque temem um enfraquecimento significativo da economia devido à guerra na Ucrânia e uma possível crise energética? O primeiro impediria que o ouro subisse, enquanto o último ajudaria a alta dos preços. O Fed decidiu pelo primeiro caminho”, analisou.

*Com informações da Dow Jones Newswires