Análise & Opinião

Perspectivas do mercado financeiro para 2020

3 Minutos de leitura

Por Luiz Alberto Caser*

O ano que passou foi marcado por frustrações e incertezas. Se olharmos o horizonte econômico pelo retrovisor do primeiro semestre, veremos um PIB fraco, tanto por motivos internos, quanto externos: o desgaste da reforma da Previdência e a desaceleração da economia global respectivamente. Por outro lado, a retomada veio ainda este ano com a consolidação da própria reforma da Previdência, auferindo uma economia maior do que a esperada aos cofres públicos.

Se olhávamos pelo retrovisor, no segundo semestre passamos a corrigir uma série de distorções. A MP da liberdade econômica, por exemplo, sinalizou o viés positivo, dando amplitude à questão da reforma trabalhista.  Além disso, os indicadores da atividade econômica dos EUA e Europa reforçaram o entendimento que o risco de recessão nessas economias reduziu. Fatos como esses reforçam o otimismo para 2020!

Ainda com foco em 2019, vale frisar a questão do ajuste fiscal e a rigidez orçamentária. O governo deu continuidade ao ajuste fiscal com sinais consistentes de recuperação. A economia começou negativa na ordem de 1.6% do PIB e deve fechar com uma economia de 1.2% do PIB. O reforço garantiu uma recuperação de 0.4% do PIB.

Apesar do superávit ainda ser negativo, a economia decorrente da reforma da Previdência tende a ajudar a estabilização da dívida pública, eliminando quase que por completo o risco de solvência fiscal, um excelente argumento a virada de chave do Brasil para o próximo ano.

Agora, outro ponto não menos importante: inflação e juros. Esses dois dados da vida real brasileira alcançaram patamares historicamente baixos e também reforça nosso otimismo para o próximo ano. O longo ciclo de corte da Selic impulsiona a economia como um todo, crédito e investimentos na economia. Além da perspectiva de um o ciclo sustentável de baixa de juros se mantenha, muitos economistas indicam que o PIB pode finalmente crescer acima de 2%.

Desvalorização cambial. Os motivos deste tópico foram/são: diferencial de crescimento econômico brasileiro ante o PIB americano, diferencial de juros entre Brasil e EUA diminuiu e a redução do risco de recessão da principais economia ocorre em um momento que a percepção de risco dos países latino-americanos continua elevado, reduzindo o apetite à risco, corroborando a depreciação cambial.

Muito se espera da retomada de crescimento da economia em 2020. As expectativas de mercado segundo o último relatório Focus do Banco Central (27/12) sinalizam bons números nos principais indicadores: crescimento do PIB de 2.3%, inflação ao consumidor (IPCA) de 3.6%, taxa de juros em 4.5% e o câmbio similar ao de 2019 a 4,08 (R$/US$)

Vale ressaltar também que projeções e perspectivas têm riscos.

Eis alguns para o próximo ano: redução lenta da taxa de desemprego, estagnação do setor industrial, turbulências no cenário internacional no que tange a desaceleração do comércio global, riscos políticos e geopolíticos além do atraso da agenda de reformas.

A aproximação das eleições presidenciais americana aumenta as chances de um acordo dos EUA com a China, de olho na reeleição. Contudo, o cenário mais óbvio de polarização política e desaceleração global seguirá jogando contra o crescimento do Brasil.

Com foco no mercado interno, a continuidade no processo de reformas e ajustes é de grande importância para que toda a expectativa de retomada econômica aconteça em 2020. A aprovação dessas medidas não será fácil e deve ser monitorada para entender as incertezas no cenário ao longo do ano.

Enfim, onde investir em 2020?

Muitos países desenvolvidos já passaram por este ciclo de juros baixos e a forma de como se investir mudou totalmente. É preciso aprender! Revisar os investimentos e aprender a tomar riscos, respeitando sempre o perfil de investidor é uma delas. Buscar a melhor diversificação possível, dado a necessidade de liquidez e apetite a risco de cada investidor é imprescindível para um resultado consistente e satisfatório.

Está claro que os investimentos de renda fixa que rendiam 1% ao mês acabaram. Também fica evidente nos já mencionados pontos acima que o momento atual da economia favorece uma perspectiva positiva para a Bolsa, ou seja, este cenário favorece o crescimento de lucros das empresas listadas.

É isso… A tão sonhada “fórmula do sucesso” se desenha em: crescimento acelerado, inflação baixa, juros na mínima histórica, desemprego diminuindo e confiança crescendo. Tudo isso muda a perspectiva e coloca o Brasil nos holofotes de 2020. Esperamos que essa “fórmula” dê certo! Um Feliz 2020 a todos e bons negócios!

 

*Administrador com MBA em Finanças e Pós-MBA em Inteligência de Mercado.

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