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Petróleo recua cerca de 6%, em meio à aperto monetário, dólar forte e de olho em oferta global

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Agência Brasil

O petróleo fechou em queda robusta nesta sexta-feira, 17, em torno de 6%. Temores quanto à economia global em meio ao processo de aperto monetário em nações desenvolvidas impulsionaram as perdas do óleo. Comentários de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ainda ajudaram o dólar no confronto com rivais, o que ajudou a reduzir mais a demanda pela commodity energética, que encareceu com o movimento no câmbio. Além disso, operadores atentaram à sinais positivos sobre a produção da Rússia, apesar das sanções da UE contra o país, e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em meio à pressão dos EUA.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do WTI para agosto recuou 6,30% hoje (US$ 7,26) e 8,54% na semana, a US$ 107,99, enquanto o do Brent para o mês tombou 5,58% (US$ 6,69) nesta sexta-feira e 7,29% no acumulado semanal, a US$ 113,12.

O agressivo aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed), seguido por outros BCs de economias desenvolvidas ao redor do mundo, eleva as preocupações do mercado à respeito da desaceleração econômica global, e diversos analistas apontam para recessões moderadas nos EUA, zona do euro e Reino Unido no futuro próximo.

Hoje, comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, reforçaram o foco da entidade no combate à inflação, enquanto o chefe da distrital de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que pode apoiar um novo aumento de 75 pontos-base dos juros em julho, mês da próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

As falas de Kashkari, tido como o membro mais dovish/i> do Fed, foram particularmente responsáveis pelo fortalecimento do dólar no mercado cambial, o que impulsionou ainda mais o recuo do petróleo no mercado futuro. Além do câmbio, há pressão por conta da aparente resiliência da produção russa, mesmo após a União Europeia (UE) adotar embargo a importações de petróleo do país. Segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, as exportações da commodity devem aumentar em 2022.

Quanto à oferta da Opep, operadores repercutiram a suposta pressão do governo dos EUA sobre o cartel, que teria sinalizado abertura para elevar sua produção, ação que reduziria a pressão sobre a cadeia global.

“O mercado de petróleo parece que não ficará apertado por muito mais tempo, à medida que a demanda reduz com o aperto monetário global que levará a uma desaceleração econômica de curto prazo”, avalia o analista Edward Moya, da Oanda. Ele também destaca que as perspectivas para oferta melhoraram, já que a produção dos EUA tem aumentado e a Opep parece que conseguirá cumprir sua promessa de aumento de oferta.