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Por que precisamos falar sobre finanças para LGBTQIAP+

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Dia 28 de junho é o Dia Mundial do Orgulho LBGTQIAP+. Desfiles animados, fantasias coloridas, carros alegóricos e celebridades marcam o mês que comemora os anos de luta pelos direitos civis e igualdade perante a lei.

No entanto, apesar dos avanços históricos, as pessoas da comunidade ainda enfrentam muitos desafios únicos, incluindo financeiros.

Por causa disso, quando se fala em planejamento financeiro, pessoas LGBTQIAP+ muitas vezes se sentem deslocadas, como se estivessem lendo dicas para pessoas que vivem em outro planeta, porque possuem experiências de vida e dinâmicas familiares diferentes.

Por isso, neste artigo falaremos dos seguintes tópicos:

  1. Entenda a sigla LGBTQIAP+
  2. O que muda nas finanças para LGBTQIAP+?
  3. A falta de apoio familiar
  4. Os desafios do mercado de trabalho
  5. Uma luta desigual
  6. Por que as finanças LGBTQIAP+ importam?
  7. Conclusão

Entenda a sigla LGBTQIAP+

Originalmente, a sigla era composta por apenas três letras: GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas ao longo da história várias letras foram incluídas para representar mais pessoas, gêneros e orientações sexuais.

Hoje, uma das siglas mais completas é LGBTQIAP+, mas nem mesmo ela abrange todas as orientações sexuais e variações de gênero.

Isso acontece porque, para recuperar o tempo perdido por conta de repressões históricas, a comunidade vem se redefinindo e se reclassificando.

Aliás, se você ainda não conhece todas as letras dessa sigla segue um glossário para você não ficar perdido:

Lésbicas (L): Mulheres que sentem atração sexual e afetiva por outras mulheres;

Gays (G): Homens que sentem atração sexual e afetiva por outros homens;

Bissexuais (B): Pessoas que sentem atração sexual e afetiva por homens e mulheres;

Transexuais (T): Pessoas que assumem o gênero oposto ao de seu nascimento. Uma identidade ligada ao psicológico e não ao físico, pois nestes casos pode ou não haver mudança fisiológica para adequação;

Queer (Q): É um termo mais abrangente, utilizado principalmente nos Estados Unidos por pessoas que simplesmente “não são hétero”. Pessoas Queer com frequência utilizam esse termo para expressar que não se encaixam perfeitamente em identidades como masculino ou feminino, gay ou heterossexual;

Intersexo (I): Pessoas que não se adequam à forma binária (feminino e masculino) de nascença. Ou seja, seus genitais, hormônios etc. não se encaixam na forma típica de masculino e feminino;

Assexual (A): Pessoas que não possuem interesse sexual. Por vezes, esse grupo pode ser também arromântico ou não. Em outras palavras ter relacionamentos românticos com outras pessoas;

Pansexual (P): Pessoas que desenvolvem atração física, amor e desejo sexual por outras pessoas independentemente de sua identidade de gênero;

Mais (+): Serve para abranger as demais pessoas da bandeira e a pluralidade de orientações sexuais e variações de gênero.

O que muda nas finanças para LGBTQIAP+?

Antes de abordarmos como construir uma base financeira sólida, é importante mergulharmos nos desafios únicos que a comunidade LGBTQIAP+ enfrenta. Por isso, aqui vai algumas das barreiras mais notáveis ​​para esta comunidade:

1.       A falta de apoio familiar

Segundo o SUS (2015 e 2017), 61% dos casos de violência sofrida por LGBTQIAP+ ocorreram dentro de casa.

O preconceito, principalmente vindo de quem deveria amar e cuidar gera danos psicológicos irreparáveis e pode forçar uma saída repentina de casa, ou, até mesmo, uma expulsão, desamparando algumas pessoas.

Sendo este um dos motivos pelos quais 40% dos LGBTQIAP+ desejam realizar o sonho da casa própria, segundo a 5ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro (Anbima) de 2022. No caso dos heterossexuais a parcela que quer comprar um imóvel é menor (28%).

Logo em seguida ao sonho da casa própria, 20% dos LGBTQIAP+ desejam manter um dinheiro guardado para emergências. Provavelmente, porque contam com pouco ou nenhum apoio familiar. Por isso, é sempre importante estar financeiramente preparado.

Caso você se identifique com o desejo de ter uma casa própria ou montar uma reserva de emergência, temos dois conteúdos que podem ser interessantes para você:

2.       Os desafios do mercado de trabalho

Diversidade e inclusão nunca foram tão relevantes para as empresas, mas, apesar disso, quatro em cada dez pessoas LGBTQIAP+ relatam ter sofrido discriminação no ambiente de trabalho, de acordo com levantamento divulgado pelo LinkedIn.

Os pesquisadores também entrevistaram pessoas heterossexuais. Entre esse grupo, 60% disseram trabalhar com pessoas LGBTQIAP+ e mais da metade, 53%, disse que já presenciou ou ouviu falar de alguma situação discriminatória devido à orientação sexual ou identidade de gênero de colegas.

Esse estudo prova que o problema está longe de acabar e pessoas LGBTQIAP+ continuam precisando enfrentar a discriminação em suas vidas pessoais, no local de trabalho e, até mesmo, na esfera pública.

3.       Uma luta desigual

A comunidade LGBTQIAP+ é muitas vezes vista como um grupo homogêneo, mas isso está longe de ser verdade. Como mencionado anteriormente, cada letra da sigla representa um grupo diferente. Por isso, não dá para olhar para elas e pensar que todas essas pessoas possuem as mesmas oportunidades, o mesmo poder aquisitivo e os mesmos desafios.

Casos de sucesso, como o de Linn da Quebrada, atriz e cantora que ganhou muita projeção ao participar do BBB 22, ainda são distantes da realidade da maioria das pessoas transsexuais do Brasil. Principalmente para esse grupo, ainda há um longo estigma pela frente a ser rompido.

De acordo com o levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), estima-se 70% das pessoas trans e travestis não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% dessa população teve acesso ao ensino superior.

O motivo? Bullying, discriminação, violência familiar e escolar.

Quanto menos escolarizada uma pessoa é, maiores as chances de ela ficar desempregada. Como consequência da evasão escolar, a taxa de desemprego entre as pessoas que integram a comunidade LGBTQIAP+ é de 17,15%, mas, quando analisadas apenas as pessoas trans, o percentual sobe para 20,47% de acordo com a CNN Brasil.

Ainda segundo o relatório, 90% das mulheres trans e travestis estão no mercado da prostituição e não conseguem acessar o mercado formal.

A dificuldade de inserção no mercado de trabalho impacta diretamente na renda desse grupo. Por isso, infelizmente, para a maioria dos integrantes da letra T, antes de se falar em educação financeira, é necessário, primeiro, garantir acessos e direitos básicos.

Por que as finanças LGBTQIAP+ importam?

Fora a questão humanitária, a comunidade LGBTQIAP+, representa um impacto bastante significativo no mercado brasileiro e mundial.

A prova disso foi realizada pelo Raio X do Investidor Brasileiro (Anbima), onde foram ouvidas mais de 5.878 pessoas no Brasil.

Segundo o relatório, existem diferenças sutis entre os que se declararam heterossexuais e os LGBTQIAP+ quando o assunto é investimento.

Entre os heterossexuais, 33% investiram em produtos financeiros em 2021 e 59% não guardaram dinheiro de forma alguma. Já entre os declarados LBGTQIAP+, os percentuais são de 30% e 61%, respectivamente.

O investimento mais utilizado pelo grupo LBGTQIAP+ é a poupança, escolha de 25% dos entrevistados desse grupo. Entre os héteros, a participação da poupança é ainda maior, de 30%.

Os demais produtos – fundos de investimento, títulos privados e ações – têm participação muito semelhante de, no máximo, 4%, independente da orientação sexual.

Tanto o público LBGTQIAP+, quanto o hétero apontam as mesmas vantagens em relação aos investimentos financeiros: segurança e a possibilidade de ter uma reserva, como preferência para 35% dos heterossexuais e 37% para os LBGTQIAP+.

O retorno financeiro também aparece entre as principais vantagens, citado por 21% dos LBGTQIAP+ e por 18% dos heterossexuais.

A diferença entre os dois grupos aumenta quando se analisa o destino dos recursos aplicados:

  • 40% dos LBGTQIAP+ querem realizar o sonho da casa própria;
  • 20% querem manter um dinheiro guardado para emergências;
  • 12% desejam destinar os recursos aplicados a atividades de lazer (viagens, passeios);
  • E 9% desejam comprar um veículo.

No caso dos heterossexuais:

  • 28% querem comprar um imóvel;
  • 20% desejam manter o dinheiro guardado;
  • 8% querem usar na velhice;
  • 8% querem comprar um veículo;
  • E 8% desejam empreender.

A maior diferença entre os dois públicos está no principal meio utilizado para realizar os investimentos: enquanto heterossexuais preferem ir pessoalmente ao banco (43%), os LGBTQIAP+ realizam suas aplicações via aplicativo do banco (42%).

O motivo? Bom, não é inédito que membros da comunidade LGBTQIAP+ se sintam indesejados ou inseguros em ambientes típicos de finanças ao consumidor, como bancos. Membros da letra T muitas vezes enfrentam lutas adicionais, incluindo acesso desigual ao crédito e discriminação de moradia.

Conclusão

Assim como os héteros, as pessoas LGBTQIAP+ também:

  • Desejam a independência financeira;
  • Buscam bons retornos financeiros;
  • Sonham com a casa própria;
  • Desejam se sentir seguros.

A grande diferença é que as pessoas LGBTQIAP+, muitas vezes, precisam enfrentar o medo, a discriminação, a intolerância, o preconceito e a violência.

As estatísticas atuais são difíceis de ler, mas nos recusamos a acreditar que o futuro seja sombrio, pois, como vimos, a comunidade LGBTQIAP+ representa um impacto bastante significativo no mercado brasileiro e mundial.

Sabe aqueles grandes objetivos como comprar uma casa, viajar pelo mundo, ter uma família ou economizar para a aposentadoria? Eles estão ao seu alcance.

E quanto mais dinheiro nas mãos da comunidade LGBTQIAP+, mais podemos criar mudanças no futuro.

Vamos nos apoiar e nos tornarmos financeiramente alfabetizados juntos!

Este conteúdo faz parte da missão da VAI Investir de realizar sonhos por meio da educação financeira. Ainda não conhece a VAI Investir? Conheça o nosso trabalho ou entre em contato conosco abaixo.

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