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Taxas atingem pico em 6 anos com pressão de Treasuries, dólar e combustíveis

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Agência Brasil

Os juros foram destaque negativo entre os mercados domésticos, com as principais taxas fechando em forte alta. A combinação de disparada dos Treasuries, alta do dólar, preços do petróleo acima de US$ 120 e iminência de anúncio de reajuste de preços pela Petrobras provocou forte movimento de zeragem de posições (stop loss) vendidas nesta véspera de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Já há consenso em torno de um aumento de 75 pontos-base no juro americano e, por aqui, tal aposta para o Copom nesta quarta-feira ganhou terreno, mas ainda é minoritária.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 13,690%, de 13,551% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2024 subiu de 13,292% para 13,665%. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou a etapa regular em 13,10%, de 12,745%, e a do DI para janeiro de 2027 passou de 12,74% para 13,01%.

Do fechamento de quinta-feira para cá, as taxas curtas subiram mais de 50 pontos-base, e as longas e intermediárias entre 60 e 70 pontos. Com isso, hoje, mais do que renovar as máximas de 2022, as principais taxas fecharam no maior patamar desde 2016. Por exemplo, a do DI janeiro de 2027, referência entre os longos, não fechava acima de 13% desde 16/6/2016 (13,10%).

O quadro que já era ruim pela manhã, piorou no começo da segunda etapa, com sucessivas máximas alinhadas à curva dos Treasuries e à pressão do câmbio. A taxa da T-Note encostou em 3,5% e o dólar à vista, no pico intraday, chegou a R$ 5,15, com o petróleo Brent rodando nos US$ 123. Na última hora da sessão regular, porém, as taxas locais se afastaram das máximas com a virada do petróleo para baixo e o dólar reduzindo a alta.

O pano de fundo é o mesmo dos últimos dias: até onde o Federal Reserve terá de chegar para domar a inflação, numa economia em que o mercado de trabalho apertado facilita a alta de preços. As apostas para a decisão de juros amanhã, que na semana passada eram de alta de 50 pontos, rapidamente migraram para 75 pontos após o CPI na sexta-feira e se consolidaram hoje mesmo com a inflação no atacado dentro do esperado.

Um Fed mais agressivo deve fortalecer o dólar, num momento em que a defasagem dos preços de combustíveis já está bastante pressionada pelo avanço do petróleo – em torno de 20% para a gasolina, dizem especialistas. Um novo reajuste nos preços da Petrobrás é considerado iminente, num momento que o pacote de combustíveis avança no Congresso.

O Copom se reúne amanhã com um cenário desafiador para a sequência do processo de ajuste da política monetária, com o mercado bastante cético sobre uma sinalização firme sobre os próximos passos. Na curva a termo, segundo a Greenbay Investimentos, nesta tarde a curva apontava 58 pontos-base de aumento da Selic amanhã, ou seja, 70% de probabilidade de alta de 0,50 ponto e 30% de chance de 0,75. O economista-chefe, Flávio Serrano, pondera que esses números estão contaminados pelos movimentos de zeragem e não necessariamente podem expressar apostas firmes. De todo modo, na curva, para o Copom de agosto, o quadro de ontem – 60% de chance de elevação de 0,25 ponto e 40% para 0,50 – hoje evoluiu para 100% de probabilidade de 0,50. Para o fim do ano, a precificação indica Selic entre 14% e 14,25%.