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Câmbio se depreciou com incertezas fiscais no 2º semestre, diz BC em carta ao CMN

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As incertezas fiscais também estiveram presentes no rol de explicações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre o rompimento da meta de inflação de 2021, via efeito na taxa de câmbio. Na carta endereçada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para justificar o descumprimento do mandato principal do BC, Campos Neto destacou que a depreciação cambial no segundo semestre do ano amplificou o encarecimento dos preços de commodities, em particular do petróleo no ano passado.

“A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano”, disse Campos Neto.

No trecho, o presidente do BC pondera que a contribuição da taxa de câmbio para inflação de 2021 foi menor que o impacto em 2020, mas frisa que a quebra no padrão histórico de apreciação da moeda durante ciclos de elevação nos preços das commodities, como o ocorrido nos últimos dezoito meses.

“Como resultado, o crescimento do IC-Br Índice de Commodities do Banco Central e do preço do petróleo medidos em moeda local foi amplificado, atingindo 50,3% e 82,9% no ano, respectivamente, na comparação da média do último trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020, ambas as maiores variações desde o início de suas séries históricas”, justificou Campos Neto.

Em relação às commodities, Campos Neto afirmou que o aumento de preços foi afetado por diversos fatores, como o aumento da demanda global por bens, o crescimento nos custos de transportes, o anúncio de programas de infraestrutura nos EUA e o aumento modesto da oferta, especialmente de petróleo, commodity com maior repasse no IPCA.

Quanto à atividade econômica, Campos Neto destacou que 2021 foi “marcado pelo avanço da campanha de vacinação e o processo de normalização da atividade econômica iniciado ainda no segundo semestre de 2020”. O presidente do BC ainda mencionou que a extensão de auxílios fiscais de 2020 sustentou a demanda, especialmente por bens, no ano passado, “reforçando as pressões de preços em segmentos com limitações de oferta ou gargalos logísticos.”

Nesse âmbito, ele citou problemas “como esgotamentos de estoques de insumos, escassez de semicondutores e aumentos de prazos de entrega e de preços dos fretes internacionais.” Referente a isso, citou o aumento da demanda global por bens, sem reação tempestiva da oferta, interrupções na produção ligadas à pandemia e pressões no mercado de energia, mais demandado pela produção de bens e com parte da expansão da oferta limitada pelas “políticas de limitação de emissão de gases de efeito estufa em diversos países”.

Na carta, também foram mencionados o acionamento da bandeira de escassez hídrica, com a seca histórica do País no ano passado, assim como as projeções do BC e do mercado. “As projeções condicionais do BC para a inflação de 2021, depois de atingirem mínimo de 2,9% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro de 2020, entraram em trajetória ascendente, ultrapassando a meta na reunião de março de 2021 e o limite superior do intervalo de tolerância na reunião de junho.”