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Disciplina e controle das emoções. Carta aos Investidores ABR 2022

Por
Thiago Goulart

É muito difícil blindar as decisões de investimento das emoções e das variações de preço dos ativos. As oscilações dos ativos são naturais. É bom lembrar que, no início deste ano, o cenário era catastrófico.

O sobe e desce trazem um componente importante para todo investidor. A maioria dos seres racionais adapta suas crenças às evidências do momento. Somente uma pequena parcela consegue se manter convicta a uma quase-irracionalidade, não se deixando levar pela maré.

Contra vários prognósticos há poucos meses, o Ibovespa encerrou o mês de março em +6,1%, acumulando ganhos de +15% no primeiro trimestre de 2022 em reais e impressionantes +35% em dólares.

Veja abaixo, os indicadores financeiros do mês de março.

Ibovespa +6,10%  CDI +0,93%  Poupança +0,60%  IFIX  +1,42%  BTC  +5,83% 
Dólar  -7,66%  S&P 500 +3,58%  Dow Jones +2,32%  Nasdaq  +3,41%  Ouro  +0,54% 

Para explicar melhor a disciplina e o controle das emoções, lanço mão do mercado financeiro com o esporte profissional. Tanto em um quanto em outro, não se entregar completamente às emoções é um processo de autoconhecimento dos vitoriosos. No primeiro Grand Slam do ano, Rafael Nadal ganhou o seu 21º Slam, tornando-se o maior vencedor da categoria, batendo nomes como Novak Djokovic e Roger Ferderer.

Contudo, chamo atenção para o fato de que, na final do Australia Open, Nadal ficou 2 sets atrás no placar, em que chegou a ter apenas 4% de probabilidade de vitória, cuja partida durou 5 horas e 24 minutos. Qualquer outro se entregaria à evidência clara da derrota. Mas Nadal, com uma convicção irracional da sua vitória, fez o oposto.

Controlou sua mente, não perdeu a cabeça, não quebrou raquete nem gritou com o juiz de cadeira. Se manteve convicto, focado e animado nos momentos de altos e baixos e confiante com os seus recursos e talento.

Nadal se manteve concentrado naquilo que estava sob seu controle: o jogo. E ponto após ponto, foi virando as probabilidades a seu favor. Isso quer dizer que gerenciar as emoções e o lado psicológico é fundamental para atingir o sucesso.

Não é porque a ação está caindo que significa necessariamente que nós devemos vender. Se está caindo significa que devemos reavaliar nossa tese e cenário, mas não que devemos vendê-la. Da mesma forma, não devemos ficar animados quando uma ação está subindo, nem comprar mais por essa razão.

A maioria de nós faz exatamente isso, combinamos nossa convicção com os dados correntes. Nadal fez o contrário e é uma lição para quem persegue a grandeza.

O investidor e escritor Morgan Housel diz que

“os maiores ganhos ocorrem com pouca frequência, seja porque não acontecem sempre, seja porque precisam de tempo para crescer. Portanto, a pessoa com margem suficiente para imprevistos em uma parte da estratégia (dinheiro) que lhe permita sobreviver às dificuldades de outra parte (ações) tem uma vantagem sobre a pessoa que perde tudo quando comete um único erro”.

O equilíbrio emocional vem da experiência, nos acertos e erros, mas, acima de tudo, da disciplina e no respeito ao processo. Na vida, nos investimentos e nos esportes somos constantemente testados, mas com bons métodos, com disciplina e controle das emoções podemos alcançar extraordinários resultados.

Sumário

Disciplina e controle das emoções
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Ibovespa: +2,09% | 121.570 pontos
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Ibovespa: +2,09% | 121.570 pontos

Destaques da semana: 28/3/2022 a 1/4/2022 | Em mais uma semana de boa performance, o Ibovespa encerrou em alta de +2,1% e superou os 121 mil pontos pela primeira vez em quase oito meses. A semana também foi marcada pelo fim de março, na qual o índice subiu +6,1%, acumulando ganhos de +15% no primeiro trimestre de 2022 em reais e impressionantes +35% em dólares.

Nesses últimos dias, na parte política brasileira, a semana foi marcada por mais uma mudança no comando da Petrobras feita pelo presidente Jair Bolsonaro. O até então presidente da companhia, o general Joaquim Silva e Luna não foi reconduzido ao cargo de CEO, sendo nomeado para tanto o consultor Adriano Pires, especialista em energia.

Além disso, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu demissão, em uma decisão tomada diante das suspeitas de que Ribeiro teria favorecido pastores evangélicos na distribuição de recursos da pasta. Já na parte econômica, a taxa de desemprego ficou em 11,2% nos três meses até fevereiro, o menor nível para o período em seis anos em meio a uma queda no número de pessoas procurando emprego. Apesar da recuperação do emprego, o salário médio efetivo real continua a encolher e está cerca de 8,5% abaixo dos níveis observados pouco antes do surto de COVID-19.

A estranha semelhança entre as economias do Brasil e EUA  | Por Tony Volpon, estrategista-chefe da Wealth High Governance (WHG)

Em meados dos anos 80, em um popular comercial de bebidas, o ator encerrava sua atuação dizendo: “eu sou você amanhã”. Desde então, tornou-se comum atribuir o termo “efeito Orloff” quando há o desejo de dizer que o resultado final de uma ação será o mesmo de outra semelhante praticada.

No mesmo período em que o comercial era veiculado, o continente sul-americano enfrentava graves surtos inflacionários devido à crise da dívida externa, e a Argentina adotou um plano heterodoxo de estabilização, o Plano Astral, que (em parte) inspirou o brasileiro Plano Cruzado.

Isso levou à ideia de que, o que acontecia na Argentina logo aconteceria no Brasil – “efeito Orloff”. Não por acaso, ambos os planos de estabilização fracassaram. Estaríamos vivendo outro episódio do “efeito Orloff” quando olhamos os EUA e o Brasil?

Tal pergunta parece não ter sentido algum: nada hoje parece mais diferente que a exuberante economia americana e a anêmica economia brasileira.

Mas, e se o que realmente divide as economias brasileira e americana nas perspectivas macroeconômicas não são as muitas conhecidas diferenças, mas sim a velocidade do ciclo econômico pós-Covid? Poderia a “ressaca” que o Brasil está vivendo hoje, com crescimento baixo e inflação alta, apontar para o que pode acontecer com a economia americana?

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