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Dólar cai 1,08% com diminuição da diferença entre Lula e Bolsonaro

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Estadão Conteúdos

Após romper o piso de R$ 5,20 pela manhã, o dólar reduziu o ritmo de baixa no mercado doméstico ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira, 20, cotado a R$ 5,2175, em queda de 1,08%. A diminuição dos ganhos do real na segunda etapa de negócios veio na esteira da piora dos mercados acionários em Nova York e da moderação das perdas da moeda americana no exterior após fala dura de dirigente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA)

Mesmo sem conseguir se firmar abaixo de R$ 5,20, o real apresentou não apenas o melhor desempenho entre divisas emergentes como liderou os ganhos em relação ao dólar considerando as moedas mais relevantes do mundo. Operadores identificaram entrada de capital estrangeiro e desmonte de posições defensivas no mercado futuro após pesquisas eleitorais mostrarem, em sua maioria, quadro de empate técnico entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto.

O Ibovespa se manteve em alta mesmo com sinal negativo das bolsas em Nova York, com as estatais Petrobras e Banco do Brasil brilhando. Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 1,412 bilhão na bolsa doméstica no pregão da última terça-feira, 18, justamente no dia em que circularam as primeiras pesquisas revelando estreitamento da diferença entre Lula e Bolsonaro.

Para o CIO da Alphatree Capital, Rodrigo Jolig, a reação do mercado às pesquisas é similar à observada após o resultado do primeiro turno das eleições, quando houve formação de um Congresso mais conservador e a avaliação de que Lula, se eleito, teria menos espaço para a adoção de medidas heterodoxas.

“O mercado tem uma preferência por Bolsonaro, que representa continuidade com Guedes (Paulo Guedes, ministro da Economia). Já a eleição de Lula traz incertezas para a política econômica”, afirma Jolig, que não vê, contudo, um ambiente “desastroso” para o Brasil seja qual for o vencedor do pleito presidencial. “Os maiores riscos vêm do exterior, com a alta de juros nos Estados Unidos e a crise energética na Europa.”

Para o gestor, os ativos brasileiros e o real devem ter um desempenho melhor do que os demais emergentes daqui para frente, dado o crescimento local que “vem surpreendendo para cima” e a taxa de juros em nível bastante elevado, o que aumenta muito o custo de carregamento de posições em dólar.

Após forte baixa pela manhã, o índice DXY – que mede o comportamento da moeda americana frente a seis divisas fortes – rondava a estabilidade no fim do dia, com o dólar zerando as perdas frente ao euro e passando a apresentar leve alta em relação a libra, além de sustentar o avanço ante o iene. Fala dura de dirigente do Federal Reserve e avanço firme das taxas dos Treasuries, que renovaram máximas à tarde, realimentaram a busca pela moeda americana e anularam os ganhos da libra pela manhã, na esteira da renúncia da primeira-ministra do Reino Unido Liz Truss, criticada por seus planos na área fiscal.