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Ibovespa tira atraso ante NY e tem máximas de olho em alívio fiscal

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O Ibovespa testou há pouco os 108 mil pontos, acelerando os ganhos para a faixa dos 2%, acompanhando o sinal positivo dos índices futuros de Nova York, embora por lá a magnitude da alta seja menor. Apesar da fraqueza da atividade retratada nas vendas do varejo em setembro, o entendimento é de que o Banco Central (BC) deverá continuar atuante para conter a inflação, mas sem, eventualmente, elevar a Selic para algo na faixa de 13%, por exemplo, como alguns já cogitaram. Ainda assim, o juro básico brasileiro é um dos maiores do mundo, o que tende a atrair capital externo.

“Neste nível de 7,75% acho que já está atraindo. Além dos mais, o avanço da PEC dos Precatórios na Câmara e perspectiva positiva para a mesma no Senado aliviam”, diz Pedro Galdi, da Mirae Asset.

Além disso a queda do dólar, para R$ 5,43, e dos juros futuros reforçam a busca do investidor por Bolsa, que “tem andado descolada” do exterior. É mais um ajuste”, completa Galdi. Se mantiver a alta, o Ibovespa caminhará para um terceiro pregão seguido de valorização.

Além disso, muitos papéis estariam “descontados”, o que abriria interesse pela compra dos mesmo, observa André Rolha, líder de renda variável e produtos de câmbio da Venice Investimentos. “Vimos um tombo nas diversas classes de ativos do Brasil na semana passada muito em função do debate sobre o teto de gastos rompimento. O Brasil vem ofuscando, ficando para trás também por causa da inflação e das dúvidas em relação à PEC dos Precatórios avançou na Câmara, mas existe perspectiva de que será aprovada no Senado”, avalia.

É o caso de algumas varejistas que sobem, mesmo com a fraqueza das vendas, e Azul (alta de mais de 7%), apesar do prejuízo reportado no terceiro trimestre.

Em setembro, houve queda de 1,3% ante agosto, ficando mais negativa do que a mediana, de recuo 0,6% das estimativas na pesquisa Projeções Broadcast. Já as vendas ampliadas caíram no período, ficando também pior do que a mediana que indicava estabilidade.

Na avaliação do economista-chefe da Necton, André Perfeito, a atividade brasileira segue frágil na margem que depois de ter se recuperado fortemente após a pandemia de covid-19, mostrando falta de tração. Segundo ele, o resultado reforça a perspectiva de que o Banco Central (BC) não deve elevar mais tanto os juros no curto prazo, dado que considera que a atividade já está suficientemente fraca. A Necton mantém projeção de Selic em alta em dezembro no mesmo ritmo da reunião anterior, de 1,5 ponto porcentual, com a taxa indo a 9,25%, e a 11,5% ao final do ciclo.

“Há perspectiva de os juros não subirem tanto. Tinha gente achando que seria uma alta de quase 200 pontos, com a taxa indo a 13% no fim do ciclo. Além disso, o avanço da PEC dos Precatórios, ainda que não indique o fim dos problemas fiscais, mostra que o País ainda tem um marco fiscal”, diz Perfeito.

Após queda, o petróleo sobe, beneficiando Petrobras, assim como a alta de 4,13%, em Qingdao, na China, do minério de ferro a US$ 92,57 a tonelada, favorece ações do segmento e o próprio Ibovespa. A alta da commodity vem na esteira da notícia de que a incorporadora chinesa Evergrande conseguir honrar parte sua dívida, evitando assim decretar falência. Isso ajuda a diminuir temores de que a crise da chinesa se espalhe pelo país.

Ás 11h17, o Ibovespa subia 1,99%, aos 108.073,87 pontos, após avançar 2,20%, na máxima diária a 108.300 pontos.