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Juros: Taxas sobem com piora da percepção fiscal e pressão dos Treasuries

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As incertezas em torno da PEC dos Precatórios e a disparada dos juros dos Treasuries acentuaram nesta tarde o movimento de alta dos juros locais, que fecharam a sessão regular nas máximas em vários pontos da curva, mesmo num dia de queda do dólar. A pressão era maior sobre os vencimentos curtos e do miolo, refletindo a leitura do mercado de que a piora do cenário fiscal e o impacto negativo de um aperto monetário antecipado nos Estados Unidos sobre os ativos domésticos terão de ser compensados via ajuste da Selic.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,33% (regular) e 12,34% (estendida), de 12,066% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,936% para 12,17% (regular) e 12,11% (estendida). A do DI para janeiro de 2027 fechou em 12,01% (regular) e 11,96% (estendida), de 11,843%.

O mercado de juros operou descolado tanto do alívio no câmbio quanto do desempenho positivo, até o meio da tarde, da Bolsa, com taxas em alta desde cedo em função do cenário fiscal e dos números do Boletim Focus. À tarde, entraram em cena as máximas dos yields dos Treasuries para fortalecer a pressão na curva.

O impacto positivo da possibilidade de fatiamento da PEC dos Precatórios, que ajudou os ativos no fim da semana passada, se esvaiu e o mercado voltou a olhar para os aspectos negativos. Um deles é a sinalização do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de apoio à imposição de um caráter permanente ao Auxílio Brasil sugerida para a PEC.

Além disso, Esteves Colnago, secretário Especial do Tesouro e Orçamento, em audiência no Senado, disse que em função da PEC o governo revisou a projeção de abertura no teto para R$ 106,1 bilhão em 2022. Dessa folga, há necessidade de direcionar R$ 48,6 bilhões para despesas primárias “sem opção de escolha” e outros R$ 56,4 bilhões para despesas previstas “com opção de escolha”, resultando em saldo final de R$ 1,1 bilhão.

Colnago fez um apelo pela aprovação como veio da Câmara em dois pontos centrais, na mudança da regra de cálculo do teto e na limitação do pagamento de precatórios a partir do próximo ano. Se aprovada na versão atual, o Ministério da Economia recalculou o impacto da PEC para um déficit primário de -1,5% do PIB em 2022. Sem a PEC, o resultado seria de -0,5% do PIB.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a preocupação é com a possibilidade de em um ano eleitoral a questão social ser transformada em argumento para o estouro do teto. “O mercado teme que, por ser 2022 um ano eleitoral, mesmo que tudo vá por água abaixo, o governo não volte atrás e declare outro estado de calamidade”, disse.

Quanto mais se estende a indefinição, mais o mercado vê necessidade de a Selic subir para conter inflação, com as expectativas para os preços já contaminadas também nos prazos mais longos. Na Focus, as medianas para 2023 e 2024 começaram a ficar desancoradas em relação às metas de 3,25% e 3,0%, tendo atingido 3,42% e 3,10%, respectivamente. A meta de 2021 (3,75% no centro e 5,25% no teto) é considerada um caso perdido, com a mediana da Focus atingindo 10,12%. A meta de 3,5% para 2022 também corre risco, com a mediana batendo em 4,96%.

Com as especulações em torno da PEC já trazendo volatilidade desde cedo, à tarde o exterior começou a pesar também sobre a curva, com a taxa da T-Note de dez anos atingindo 1,63% nas máximas, em meio aos discursos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, da diretora da instituição Lael Brainard e do presidente dos EUA, Joe Biden, alertando sobre a necessidade de combater a inflação. Powell foi indicado por Biden para mais um mandato no comando do Fed, enquanto Brainard foi indicada para a vice-presidência, o que só reforça os receios do mercado sobre o risco de antecipação de um aperto monetário esperado para o segundo semestre de 2022.