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Juros: Taxas sobem com piora do risco fiscal e pressão dos Treasuries

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A piora na percepção de risco externo e fiscal, que ontem já pesava sobre o mercado, continuou a pressionar a curva de juros local nesta terça-feira. Todas as taxas subiram, com destaque para as de curto e médio prazos. Com as crescentes incertezas fiscais, o mercado ficou mais cético sobre uma possível desaceleração do ritmo de aperto monetário nas próximas reuniões do Copom e também com relação a um possível início do ciclo de queda da Selic ainda em 2022. Do exterior, houve influência negativa do mercado de Treasuries, em meio ao aumento nas apostas de antecipação de alta de juros pelo Federal Reserve, e da elevação das commodities, tanto agrícolas e como de energia.

Entre os principais vértices, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 voltou a fechar na casa de 12% pela primeira vez desde o fim de novembro, em 12,04% (regular) e 12,035% (estendida), de 11,801% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 retornou ao patamar de 11% que não era visitado desde o começo de dezembro, encerrando em 11,175% (regular) e 11,155% (estendida), de 10,822% ontem. O DI para janeiro de 2027 fechou em 11,115% (regular) e 11,095% (estendida), de 10,831% ontem.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirma que, embora a terça-feira não tenha trazido fatos propriamente novos, o mercado passou a incorporar aumento das chances de descontrole fiscal e turbulência política de ano eleitoral, em meio à pressão de servidores por aumento salarial e a defesa, pelo líder do governo na Câmara (PP-PR), Ricardo Barros, de revisão no teto dos gastos do governo. “A curva hoje abriu muito, sem um fator direcional, mas sim com a reprecificação nos ativos a partir dos ruídos criados por Brasília”, disse, referindo-se à decisão do governo de abrir no orçamento espaço para reajuste salarial exclusivamente de policiais federais.

A medida gerou revolta de outras categorias, em movimento de protesto que começou com auditores da Receita no fim do ano passado. Nos últimos dias, funcionários do Banco Central sem cargos comissionados ou previstos para substituição começaram a entregar seus postos.

“Assumimos que haverá greve, não tem como, com o governo atendendo ou não os pleitos”, disse Sanchez. Se o governo contemplar outras categorias, diz, será um aumento “pífio” que não evitará a paralisação.

Foi-se o tempo em que o risco fiscal pressionava apenas os vencimentos longos. Nos últimos meses, ele tem atingindo com força também os DIs curtos, na medida em que é apontado como um importante fator no balanço de risco de inflação do Banco Central, responsável ainda por parte da desancoragem das expectativas do mercado. Nesse cenário, a curva de juros já apagou as chances de uma elevação da Selic menor do que 1,5 ponto porcentual nas reuniões do Copom de fevereiro e março, que vinham sendo embutidas a partir do cenário recessivo desenhado para 2022. Os cálculos são da Greenbay Investimentos. A probabilidade de o BC iniciar um ciclo de afrouxamento este ano agora também é vista com reservas.

Lá fora, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano seguiram em escalada, com o yield da T-note de dez anos batendo em 1,68% nas máximas, na esteira do aumento das apostas na antecipação do início do ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos.