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Ouro fecha acima de US$ 1,9 mil pela 1ª vez desde junho em meio à crise na Europa

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Estadão Conteúdos

O ouro fechou em alta nesta quinta-feira, 17, e retomou o patamar de US$ 1,9 mil em seu contrato mais líquido no mercado futuro pela primeira vez desde o começo de junho do ano passado. O movimento foi puxado pelo fraco apetite por risco de investidores globais em meio aos temores causados pelo recrudescimento das tensões geopolíticas entre Ucrânia e Rússia. O recuo dos juros dos Treasuries, que concorrem com o metal como ativo seguro, também o beneficiou.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para abril avançou 1,63%, a US$ 1.902,00 por onça-troy.

A piora do conflito geopolítico que envolve a atividade militar russa na fronteira com a Ucrânia, em oposição a potências ocidentais, ocorreu à medida que autoridades dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acusarem Moscou de tentar enganar o mundo ao ter informado ontem a retirada de parte das tropas mobilizadas.

Washington, inclusive, vê uma invasão russa como iminente e alerta sobre a possibilidade do governo de Vladimir Putin buscar um falso pretexto para justificar o ataque.

O cenário de cautela nos mercados globais induzida pelo conflito geopolítico derrubou ativos atrelados ao risco e favoreceu os considerados seguros, como o ouro. “A incerteza em torno da crise na Ucrânia parece estar gerando uma forte demanda por ouro como porto seguro, e também se reflete no fluxo de entrada de capital em fundos de índice”, diz o Commerzbank.

De acordo com o banco ANZ, o metal precioso também foi fortalecido por temores quanto à alta inflação em economias desenvolvidas. Hoje, o presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard, voltou a defender um aumento de 100 pontos-base do juro nos EUA até julho, e disse que os indicadores têm apontado para mais aceleração inflacionária.

Economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane disse considerar que um aperto monetário significativo na zona do euro ainda não é necessário, já que as expectativas para os preços convergem à meta de 2% ao ano no médio prazo.