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Taxas curtas ficam estáveis e longas sobem com piora do câmbio e risco fiscal

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A semana mais curta para o mercado nacional começou com a curva de juros pressionada pela piora da percepção de risco dos cenário político-fiscal, em meio às incertezas sobre o desenho e tramitação da PEC dos Precatórios no Senado, em dia ruim para moedas emergentes contra o dólar e leilão de NTN-B do Tesouro com grande aumento na oferta dos papéis. Na última hora da sessão regular, porém, o movimento perdeu tração e as taxas curtas acabaram fechando a sessão regular apenas com um viés de alta ante os ajustes anteriores.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 passou de 11,98% no ajuste de sexta-feira para 11,99% (regular) e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,745% para 11,83% (regular). A do DI para janeiro de 2027 terminou em 11,76% (regular), de 11,643%. Na sessão estendida, as curtas voltaram a subir e as longas fecharam quase estáveis. A do DI para janeiro de 2023 fechou em 12,045%, a do DI para janeiro de 2025, em 11,85% e a do DI para janeiro de 2027, em 11,75%.

O desenho da curva se definiu à tarde, com a piora de percepção de risco fiscal e também do câmbio. As taxa caíam pela manhã, mas viraram e se firmaram em alta após declarações de senadores sobre as negociações da PEC dos Precatórios, confirmando que o processo no Senado pode ser bem mais duro do que na Câmara.

Com o espaço fiscal de R$ 91 bilhões aberto na PEC, a possibilidade de reajustes dos servidores em 2022 foi agora claramente incorporada ao debate, acenada tanto pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), relator do texto, quanto pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, “em passando a PEC dos precatórios, tem que ter um pequeno espaço para dar algum reajuste” a todos os servidores federais, “sem exceção”.

O relator-geral do Orçamento 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), disse ao Broadcast/Estadão que será muito difícil a concessão de reajuste entrar no Orçamento de 2022. De todo modo, a um ano da eleição, o governo deflagrou uma negociação com senadores para vencer as resistências e pode mexer em pontos do texto, o que levaria a proposta de volta à Câmara. “A chance de que a PEC tenha que voltar à Câmara é muito grande”, disse o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR).

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, afirma que por trás do imbróglio está a indefinição de Bolsonaro em relação à sua filiação partidária em 2022. “O Centrão não vai querer assinar um cheque em branco, uma PEC tão generosa, sem saber para onde ele vai”, explicou.

Pela manhã, as taxas caíam, em sintonia com o dólar e sem surpresas com o IBC-Br de setembro (-0,27%), que na margem ficou praticamente em linha com a mediana das estimativas (-0,30%). Tal fato, porém, não conseguiu evitar a revisão em baixa para o PIB do terceiro trimestre e de 2022 por uma série de instituições. No fim da primeira etapa, o recuo começou a perder força na medida em que a moeda americana se fortalecia em termos globais, na esteira de dados da economia dos Estados Unidos que superaram as estimativas.