Educação Financeira

6 dicas de como falar sobre dinheiro com as crianças

9 Minutos de leitura

A maioria de nós não cresceu aprendendo sobre educação financeira. E o mesmo acontece com muitas crianças de hoje, que se tornam adultos sem o conhecimento adequado sobre finanças e sobre o real valor do dinheiro. O trato com o dinheiro nos acompanhará por toda a vida, não sendo possível escapar desta experiência recorrente. É por isso que a educação financeira é essencial e precisa começar desde cedo.  

Para muitas famílias brasileiras, tratar do assunto é um verdadeiro tabu. E, por isso, falar sobre dinheiro com crianças é algo que poucos pais fazem ou reconhecem a importância de fazê-lo. Isto acontece por que a nossa cultura ainda lida com o dinheiro de forma emocional e, por vezes, preconceituosa.   

A chave da educação financeira infantil é o entendimento de que ela consiste, essencialmente, no gerenciamento de recursos. Ela não é exclusivamente sobre o dinheiro. Talvez você se espante, caro leitor, mas as crianças já lidam com recursos. Quer a orientemos, quer não. Estes recursos podem ser seus brinquedos, seu material escolar, suas vestimentas, etc. Sem a nossa ajuda, tendem a lidarem mal com suas posses.   

Recurso é tudo aquilo de que usamos como meio para obter algo tangível ou intangível. Todos nós gerenciamos recursos, é inevitável, faz parte da arte de viver. Mas nem todos fazemos isso com consciência e prudência. Daí a importância da educação financeira infantil, pois as finanças são os recursos que mais iremos utilizar ao longo da vida.    

O quanto antes seus filhos aprenderem o tema, mais cedo começará o desenvolvimento de uma relação saudável entre eles e as finanças. Segundo  estudo publicado pela Universidade de Cambridgem, até mesmo as crianças entre três e quatro anos de idade já são capazes de compreender o conceito básico do dinheiro.  

Para te ajudar a abordar o assunto de forma leve e fácil de ser entendida, elencamos seis dicas importantes neste artigo. Confira!  

1. Comece cedo 

Geralmente, por volta dos 4 anos de idade, as crianças já estão interessadas em brincar com moedas. Portanto, é uma boa oportunidade para falar sobre dinheiro com elas.  

Como pai ou mãe, você pode aproveitar esse interesse natural como uma ponte para começar a abordar alguns dos elementos básicos do dinheiro, como, por exemplo, mostrando ao seu filho o que as moedas podem comprar em lugares como o mercado.  

Entre os 3 e os 7 anos, as crianças estão no auge da fase lúdica de seu desenvolvimento cognitivo. Isso significa que, entre essas idades, tudo será aprendido através de uma experiência imaginativa.

O ideal, portanto, é começar a educação dos pequenos por meio de historinhas e contos. Separamos algumas indicações para você:

  1. A Semente da Riqueza – Angélica Rodrigues Santos e Rogério Olegário do Carmo 
  2. O Pé de Meia Mágico – Álvaro Modernell 
  3. Como se fosse dinheiro –  Ruth Rocha 
  4. Almanaque Maluquinho – Pra que dinheiro? 
  5. Meu Dinheirinho – Carlos Eduardo Freitas Costa e Fabricio Pereira Soares 

 

Nesta fase lúdica os cofrinhos também representam um grande aliado. Depois de ler para as crianças algumas histórias, comece a instigá-las sobres as moedinhas. Pergunte se já viram algumas moedas, como elas são, se fazem algum barulho. Aos poucos, quando as crianças começarem a sentir vontade de juntar pequenas moedinhas, apresente-as aos cofrinhos.  

Para crianças muito pequenas, o ideal é que os cofrinhos despertem sua imaginação e criatividade. Há vários modelos e tamanhos no mercado popular, deixe que elas escolham um. O mais importante aqui é fomentar o interesse delas na questão. Com os mais velhos, com idade entre 7 e 11 anos, você já pode ser um pouco mais direto.   

Além de divertidos, os cofrinhos são interessantes para a educação financeira. Afinal, toda vez que seu filho deposita uma moeda no objeto, você estará ajudando a introduzir o conceito de economia – que será muito útil no futuro.  

Aproveite também para apresentar as notas de dinheiro e comece ensinando que cada uma possui um animal diferente. Utilize-as para igualmente mostrar quantas são necessárias para comprar alguns itens de supermercado que eles gostam, por exemplo.  

Nesta fase inicial é muito importante reforçar também que o dinheiro vem, quase sempre, como recompensa de um esforço, ainda que intelectual. Isso porque crianças tendem a achar que o dinheiro está disponível para todos – de forma igual – nos bancos. E imaginam, também, que ele pode ser resgatado a qualquer momento e por qualquer motivo.  

Você deve sempre usar as moedinhas e as mesadas como um compromisso mútuo, e nunca como um presente (talvez, exceto, em datas comemorativas). É preciso estabelecer estas regras desde cedo, pois assim as crianças serão melhor preparadas para a vida adulta.  

2. Tome cuidado com o que você fala

Crianças são como esponjas e absorvem todas as informações que recebem, intencionalmente ou não. Isso vale, inclusive, para as conversas sobre dinheiro entre os adultos. Por isso, esteja seguro de que você está financeiramente educado antes de tentar ensinar para as crianças.   

Para uma boa educação financeira infantil, entenda que o exemplo deve vir de casa. E deve vir de quem as crianças têm como espelho – ou seja, seus pais. As crianças não são atentas apenas ao que você diz, mas principalmente em como você age. Elas aprendem a imitar e repetir o padrão de comportamento dos adultos ao seu redor desde muito cedo.   

Toda vez que, por exemplo, há uma discussão na família envolvendo dinheiro, os filhos automaticamente o associam como algo ruim, sujo e indigno. Por isso, tome muito cuidado com a conversa que você tem com seu parceiro (a) quando acredita que os pequenos não estão prestando atenção. É parte da educação financeira a convicção de que o dinheiro é um elemento racional da vida, não sendo necessário encara-lo com excessiva emotividade.   

É importante entender que isso não significa que não possa haver momentos de tensão no trato das finanças. Há, inclusive, momentos em que serão necessários assumir alguns riscos. Quanto a isso, as crianças não necessariamente devam ser protegidas dessas discussões. Mas os pais devem, sim, cuidar com a maneira que os temas são abordados dentro de casa. Caso a família esteja atravessando um problema financeiro, envolva os filhos para que eles entendam o que está acontecendo e passem a compreender a importância do planejamento financeiro.  

Outro exemplo é quando alguém diz não ter dinheiro para pagar tal coisa, mas acaba fazendo a compra com o cartão de crédito. Ao ouvir isso, é muito comum que a criança automaticamente associe que tudo pode ser comprado e que, mesmo sem dinheiro, é possível adquirir as coisas. Ou pior, podem aprender que não é importante ter palavra e honrar compromissos adquiridos.   

Toda educação ética e moral é aprendida na prática, primeiro e principalmente, com a família. Nossa relação com as finanças passa pela ética e pela moralidade e, como todas as nossas ações na vida, devem ser praticadas com boa consciência. Ao dar bons exemplos para as crianças, ensinamos a elas a importância dos valores que prezamos e que queremos passar adiante.  

3. Utilize lições da vida real 

Com as crianças mais novas você deve dar prioridade ao ensino de forma lúdica, mas sempre que possível, intercalando com objetos reais e contextos do cotidiano. Com as crianças mais velhas – entre 9 e 14 anos, as lições de experiências reais podem surtir um efeito muito mais didático.  

Para isso, uma dica é levar seu filho com você quando for fazer compras ou, dependendo da idade, quando for ao banco. Nestes momentos você pode ensiná-lo sobre compras, economia no dia a dia, poupança, depósito de dinheiro e até sobre investimentos.  

Se for de baixo estresse e conduzida naturalmente, essa abordagem irá inspirar perguntas e incentivar um diálogo útil que favorecerá o aprendizado financeiro infantil.  

Outra abordagem interessante pode ser de tipo mais direta. Com a experiência do cofrinho na primeira infância, sua criança aprendeu o conceito de poupar recursos. Feito isto, é hora de incentivá-la a ter objetivos para aplicar o dinheiro que poupou. 

Afinal, juntar dinheiro sem objetivos claros pode não ser uma boa ideia. Isto é mais evidente na vida adulta, pois sabemos que o dinheiro pode desvalorizar com a ação do tempo. Pensar em estratégias para usar bem o recurso poupado é parte da educação financeira.   

Incentive as crianças a listarem os itens que elas gostariam de comprar com o dinheiro poupado. Depois disso, pesquise junto com elas as lojas com melhores preços e ensine sobre custo-benefício. Nesta ocasião, temos também a oportunidade de apresentar as possibilidades de renda fixa como mais uma possibilidade de emprego do dinheiro.   

O mais importante é participar ativamente neste processo que é a educação financeira infantil. Muitas lições para além da administração dos recursos próprios podem ser tiradas destas experiências iniciais entre pais e filhos.   

4. Dê mesada aos pequenos 

Dar mesada às crianças é um meio tradicional de ajudar a ensinar o valor de cada real. Esse primeiro contato dos pequenos com o dinheiro é muito importante para ajudá-los a desenvolver um bom relacionamento com as finanças.  

Com dinheiro em mãos (uma quantia pequena), seu filho já começa a dar os primeiros passos para gerenciar o valor que possui. E, como pai ou mãe, você pode aproveitar o dinheiro da mesada para abordar situações reais – conforme sugerimos na terceira dica.  

No entanto, não se esqueça de que a regra aqui é clara: mesada somente como consequência do bom cumprimento das obrigações domésticas, escolares e morais. O dinheiro sempre deverá estar associado ao esforço pessoal e ao comprometimento.   

Para decidir o valor da mesada, deverá ser levado em conta a idade da criança e o seu meio social. O mais indicado é começar com valores baixos e ir aumentando conforme a criança vai crescendo ou se empenhando mais em suas tarefas.   

É na adolescência que a demanda por mais dinheiro costuma ser mais recorrente e mais frequente. Pois, nesta fase, o círculo social aumenta e também as experiências fora de casa como; idas ao cinema, lanches com amigos e o desejo de comprar itens da moda. Nesta fase, a mesada pode até ter um valor mais alto, mas lembre-se também de aumentar o nível das responsabilidades do adolescente. 

5. Ensine a diferença entre necessidade e desejo 

 Quando for falar sobre dinheiro com crianças, é indicado levantar a questão das diferenças entre comprar algo porque precisa e comprar algo porque deseja. Mostre que a luz que eles têm no quarto, a internet e a água que utilizam, por exemplo, estão disponíveis porque são contas que foram pagas.   

Dessa maneira seus filhos começarão a entender que coisas simples, com as quais eles estão acostumados, têm um preço. Além disso, quase tudo no mundo e no nosso dia a dia é fruto do trabalho de alguém, por isso é justo que tenha um preço.   

Essa lição será importante para que as crianças desde cedo entendam que o dinheiro precisa, pelo menos, cobrir os custos do que é essencial (como, além das contas, a alimentação, os estudos, etc.).  

Neste ponto, aborde a questão dos desejos para que eles saibam compreender que, justamente por ter algumas contas das quais não se pode fugir, satisfazer desejos pode levar tempo e precisa de muita disciplina.   

Além do mais, muitos desejos são efêmeros e podem evanescer em pouquíssimo tempo. Mas uma vez que o dinheiro foi gasto na realização de um desejo efêmero, não há mais volta. Algumas experiências de compra podem ser bastante frustrantes, é necessário ter prudência. 

6. Mostre a importância de economizar 

Para que crianças vejam o dinheiro como algo positivo, deixe claro que ele existe também para realizar sonhos. Mas que, para isso, é preciso ter controle e disciplina. Saber como e quando economizar o dinheiro é tão importante quanto saber como e onde investi-lo. Isto é, o uso racional dos recursos deve ser instigado desde cedo.  

Você pode pensar em algo que seu filho queira (algum brinquedo, por exemplo) e traçar com ele um plano para que ele guarde uma certa quantia da mesada para economizar e comprar o que deseja. Ensinar a poupar é também ensinar o valor da paciência. Ao longo da vida, muitas conquistas só acontecerão dentro de um período de médio e longo prazo. Com a conquista de bens através do dinheiro não seria diferente.  

Essa lição pode ser aproveitada para ensinar sobre investimento. Por exemplo, combine com a criança que a cada mês você verá o tanto que ela economizou e irá acrescentar uma determinada quantia ao montante economizado. Esse pode ser o início de uma excelente lição sobre investimentos e juros. 

Concluindo  

Com toda certeza, crianças que crescem com bons hábitos financeiros serão adultos muito melhor resolvidos financeiramente e com controle maior dos seus recursos. Sendo assim, as chances de serem pessoas que sabem investir ou empreender e cuidar melhor das suas finanças serão muito grandes.  

Falar sobre dinheiro com crianças é dar a elas a oportunidade de aprender algo que será útil a vida inteira, como você viu no decorrer deste artigo. O quanto antes começar a educação financeira infantil, melhor será para o futuro dos seus filhos ou das crianças da família.  

Por fim, já que como adulto é você que deve dar exemplo aos pequenos, que tal garantir que seu dinheiro esteja bem investido? Para isso, conheça o trabalho de uma assessoria de investimento.

 

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