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BC tem calibrado juros e ‘continuará a fazê-lo’, diz Campos Neto em carta ao CMN

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Estadão Conteúdos

Após o IPCA ter registrado alta de 10,06% em 2021, muito acima do teto da meta de 5,25% para o ano passado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alegou em carta aberta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem tomado as devidas providências para que a inflação atinja as metas para a inflação determinadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

“O BC tem calibrado a taxa básica de juros, e continuará a fazê-lo, com vistas ao cumprimento das metas para a inflação estabelecidas pelo CMN”, destacou Campos Neto, no documento.

A carta aberta é uma exigência do sistema de metas, criado em 1999, quando a inflação fica fora do intervalo de tolerância, para explicar as razões do descumprimento e indicar providências para o retorno à meta, assim como o prazo para que isso ocorra.

Embora tenha mantido a avaliação de que os choques inflacionários eram temporários até junho do ano passado, o BC alega na carta que, desde o fim de 2020, já havia iniciado mudanças em sua comunicação, com o início do ciclo de alta da Selic já no primeiro trimestre de 2021, com a alta da taxa básica de juros de 2,00% para 2,75% ao ano em março. Ao longo de sete reuniões, a Selic foi elevada em 7,25 pontos porcentuais, encerrando o ano em 9,25% ao ano.

“Durante o ano, o Copom recalibrou seu orçamento e ritmo do ajuste de política monetária, em resposta aos desenvolvimentos econômicos que impactaram negativamente suas projeções e à deterioração das expectativas de inflação, com vistas a garantir a convergência da inflação para as metas ao longo de seu horizonte relevante. Vale notar que o cenário econômico de recuperação posterior à pandemia de covid-19 tem sido marcado por incerteza e volatilidade acima das usuais, o que tem se refletido nas surpresas inflacionárias de todo o mundo”, argumentou Campos Neto, no documento.

A última carta enviada pelo BC para justificar o descumprimento do seu mandato foi relativa ao ano de 2017, mas, daquela vez, o presidente à época, Ilan Goldfajn, teve de explicar o porquê de a inflação ter ficado aquém da meta, em 2,95%.

Além de 2015 e 2002, o limite superior da meta também foi rompido em 2001 e 2003.