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Ibovespa tem queda quase geral a 105 mil pontos, com cautela mundial por Ômicron

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O Ibovespa cai mais 1,5%, seguindo a cautela dos mercados internacionais, diante de crescentes preocupações com a atividade global, à medida que a variante Ômicron de coronavírus está se espalhando. O recuo na carteira atinge a maioria das ações. Porém, o destaque são papéis ligados a commodities. Nem mesmo a alta do minério de ferro, após novas medidas de estímulo da China, impulsiona as ações de mineradoras e de siderúrgicas na Bolsa.

Na Europa e em Nova York, há vários alertas sobre restrições da atividade para tentar conter a nova cepa. “Tem a preocupação com a Ômicron, por causa do aumento de casos, embora fala-se que os efeitos são mais leves”, avalia José Simão, sócio da Legend Investimentos. De todo modo, completa, a tônica é um ambiente de enorme incerteza e volatilidade daqui para frente.

“Ora por causa de questões sanitárias, de decisões de política monetária no mundo, ora por aumento de juros, enquanto há dúvidas sobre a atividade e aumento inflacionário”, completa Simão.

Aversão a risco nos mercados internacionais vem desde a Ásia, passa pela Europa e pelos Estados Unidos, por causa da preocupações com o avanço da variante de coronavírus Ômicron em várias partes do globo.

Além disso, internamente, temores fiscais locais reforçam a cautela, após relatos sobre debates, no centrão, grupo de sustentação do presidente Jair Bolsonaro, de aumento do auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Para completar, o relatório do Orçamento de 2022 abocanhou R$ 16,5 bilhões em emendas do orçamento secreto para o próximo ano, período de eleições presidenciais.

A liquidez deve ficar reduzida, em razão das comemorações de fim de ano, que fecharão os mercados mais cedo nesta e na semana seguinte, bem como a agenda de indicadores escassa. No entanto, no Brasil e nos Estados Unidos, três dados – IPCA-15, PIB e PCE (indicador de inflação) – devem movimentar os negócios, respectivamente.

Na sexta-feira, o índice Bovespa fechou em queda de 1,04%, aos 107.200,56 pontos. “Seria bom não perder os 104 mil pontos, sob pena de buscar novamente área próxima dos 100 mil pontos”, alerta o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira, em comentário a clientes e à imprensa. Conforme ele, para ganhar sustentação, o Ibovespa deveria avançar a 108 mil, 109 mil pontos.

Apesar da alta de 3,27% do minério de ferro na China hoje, o petróleo cai quase 4%, à medida que investidores pesam a possibilidade da rápida da nova cepa reduzir a demanda global pela commodity por conta de restrições à atividade. Holanda e Nova York, por exemplo, já adotam medidas restritivas. As ações da Petrobras cedem na faixa de 1,60% no Ibovespa. Já Vale ON perdia 1,79%, puxando o bloco de mineradoras (Usiminas caía 4,50%) e de siderúrgicas (CSN cedia 4,24%).

No Brasil, fica ainda no radar a suspensão dos voos da Itapemirim, após seis meses da estreia, por problemas financeiros. A CVC diz que foi surpreendida pela suspensão das operações aéreas da companhia. As ações da CVC cediam 5,66% às 10h31. O BNDES adiou para 5 de janeiro audiência pública do processo de desestatização da Eletrobras, cujas ações perdiam em torno de 2,50% no horário citado acima.

Nos EUA, o investidor monitora ainda a decisão do Senador democrata, Joe Manchin, de não apoiar o pacote de gastos do governo Biden.

Às 10h32, o Ibovespa cedia 1,92%, aos 105.152,69 pontos, após abrir em 107.171,21 pontos, que também foi a máxima diária. Na mínima, marcou 105.112,84 pontos (recuo de 1,95%). Apenas uma ação subia, que era Via (1,245%).