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Instabilidade marca pregão do Ibovespa mesmo após PCE dos EUA, Caged e IPCA-15

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Notícias positivas sobre o nível de contaminação da variante Ômicron de coronavírus e sobre vacina da AstraZeneca estimulam alta dos mercados acionários internacionais. O ganho, contudo, é moderado, dado que as incertezas sobre a nova cepa continuam, à medida que segue se espalhando, especialmente na Europa, colocando em risco o crescimento mundial. É nessa toada que o Ibovespa abriu o último pregão da semana, já que amanhã a Bolsa não abre por causa da folga de Natal. Contudo, o índice passou a operar com leve baixa após a divulgação de dados americanos. Se ainda subir, pode atenuar a perda semanal (-1,89%) e a do ano (-11,67%), além de elevar a do mês (alta de 3,15%).

No entanto, como o período é tradicionalmente caracterizado por baixa liquidez, isso dificulta um norte para a Bolsa, provocando oscilação considerável. Ontem, o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,24%, aos 105.243,72 mil pontos. O giro foi de apenas R$ 18,5 bilhões, inferior à média diária na faixa de R$ 30 bilhões.

Antes da divulgação do PCE americano, índice de inflação preferido do Federal Reserve (Fed), o investidor local avalia o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15). O indicador arrefeceu a 0,78% em dezembro, abaixo da mediana das estimativas de 0,82%, fechando o ano em 10,42%.

Apesar da desaceleração na margem, não chega a animar, tampouco o Caged acima do esperado (geração de 324.112 vagas em novembro, ante teto das estimativas de 268.315). “Precisaríamos ter um conjunto de dados com resultados mais robusto para empolgar o mercado. Tivemos uma série de dados ruins. Não são só IPCA-15 e Caged que farão a Bolsa empolgar, é preciso um movimento positivo de relevância”, avalia Júlio Pinelli, especialista em renda variável da Delta Flow Investimentos.

Nos EUA, os gastos com consumo avançaram 0,6% entre outubro e novembro. A renda pessoal subiu 0,4% no mesmo intervalo. Os números vieram em linha com as expectativas. De certa forma, reforçando que o Fed deve continuar elevando a retirada do tapering e antecipara a alta de juros nos EUA.

Nesta semana, o PIB dos EUA foi informado, ficando com alta anualizada de 2,3% no terceiro trimestre, ante previsão de 2,1%. “Corrobora com postura do Fed que se prepara para encerrar o programa de compra de títulos no ano que vem, e depois ver três altas dos juros”, cita Eduardo Teles, Broker de Mesa de Renda Variável da Blue3.

Além disso e das preocupações mundiais com a covid-19, Teles acrescenta que, aqui no Brasil, tem o risco fiscal que preocupa e já está no radar. “O Orçamento da União foi aprovado e segue para sanção presidencial. Após o alargamento do teto e não pagamento dos precatórios, o orçamento parece cabível mas deve ter dificuldade para ser executado”, estima.

Além da valorização das bolsas internacionais, as commodities avançam, caso do petróleo, ainda que de forma moderada, fazendo com que Petrobras suba em torno de 0,20%. Aliás, sobre a petrolífera, ainda está no radar do mercado a informação de que a empresa finalizou a venda para a PetroRecôncavo da totalidade de sua participação em 12 campos terrestres de exploração e produção (Polo Remanso), localizados no Estado da Bahia.

A Petrobras também informou que apresentou à ANP a revisão do Plano de Desenvolvimento (PD) da jazida compartilhada de Tupi e da Área de Iracema.

Já o minério de ferro fechou com alta de 2,40%, no porto chinês de Qingdao, a US$ 126,35 a tonelada. Ainda assim as ações de mineradoras e siderurgia caem, em meio a temores com novos fechamentos de atividades em várias partes do globo por causa da Ômicron, apesar de algumas notícias positivas.

Epidemiologistas comemoraram dados de estudos publicados ontem que sugerem que as pessoas infectadas pela nova variante do coronavírus correm risco significativamente menor de hospitalização do que aquelas que se contaminaram com a cepa Delta.

Além disso, ontem o FDA (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA) aprovou o uso emergencial da pílula desenvolvida pela Pfizer para o tratamento da Covid-19 e ambas AstraZeneca e Novavax afirmaram que suas vacinas oferecem proteção contra a nova cepa. “Esse tom mais otimista permeia os mercados hoje”, avalia em nota Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico.

Perto do horário das 10h50, em nova mínima, Ibovespa caia 0,35%, aos 104.874,06 pontos.

O que dizem os especialistas da Valor

A alta dos mercados acionários foram estimuladas graças às notícias positivas sobre a variante Ômicron e à vacina da AstraZeneca, porém não foi suficiente para obter um pregão estável.

Para o especialista da Valor Investimentos, Athos Fontenelle Fittipaldi, “o mercado ainda espera um sinal verde para a continuidade da recuperação em V que, hoje, se assemelha mais com a forma de uma raiz quadrada e preocupa pela inflação acima da meta do Banco Central”. Segundo Fittipaldi, “a divulgação do PCE, medida preferida de inflação do Federal Reserve, avançou acima da expectativa do mercado, com um aumento de 0,6% em novembro”. O especialista afirmou também que “as medidas de antecipação de aumento de juros americano já anunciadas inferem que este estresse de inflação já era esperado e, no exterior, as bolsas se acalmam com as notícias de alívio de controle da nova variante Ômicron”.

Segundo Ana Carolina Mafezoni, assessora de investimentos da Valor (Vitória), “podemos observar também que às sextas-feiras, normalmente os investidores começam a embolsar os lucros e, como estamos próximos de um feriado com mercado fechado por 3 dias, as pessoas preferem vender do que ter um imprevisto com alguma notícia ruim no meio desse recesso, e receber um impacto negativo em suas carteiras”.

 

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