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Juros: Taxas recuam com expectativa por PEC, apesar da alta do dólar

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A sexta-feira foi de alívio nos prêmios da curva de juros, amparado na melhora sobre a percepção de risco fiscal que prevaleceu mesmo com o clima de cautela predominante no exterior. As atenções do mercado seguiram girando em torno da PEC dos Precatórios e a possibilidade de fatiamento do texto para abrir caminho na tramitação no Senado foi bem recebida pelos investidores, produzindo efeitos ao longo de toda a curva. No balanço da semana, os longos subiram, enquanto os curtos praticamente se mantiveram nos mesmos níveis da última sexta-feira, resultando em redução do nível da inclinação negativa.

No fechamento da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 tinha taxa de 12,05%, de 12,81% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2025, taxa de 11,93% (12,096% ontem). A taxa do DI para janeiro de 2027 ficou em 11,84%, de 11,963%. No fechamento da sessão estendida, estes vencimentos tinham taxas de 12,045%, 11,93% e 11,83%, respectivamente.

A melhora na perspectiva de tramitação da PEC orientou o mercado de juros durante toda a sessão e as taxas resistiram em queda mesmo com a virada do dólar para cima no começo da tarde, embora depois disso tenham reduzido o ritmo de baixa, que chegou a superar 20 pontos nos vencimentos mais longos. “O principal hoje foi a questão da PEC poder ser fatiada, o que reduziria as chances de uma solução alternativa para o pagamento do Auxílio Brasil via créditos extraordinários”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. A decretação de um novo estado de calamidade é hoje o maior temor do mercado na seara fiscal.

A ideia de desmembrar a PEC é vista como opção para contemplar as sugestões de mudanças dos senadores, angariando apoio, e, ao mesmo tempo, priorizar o tema mais urgente, que precisa sair ainda este ano, o Auxílio Brasil. Com a primeira parte do projeto promulgada em breve, o benefício de R$ 400 poderia ser pago ainda em dezembro. Já a PEC paralela, com as mudanças propostas pelo Senado, seguiria para a Câmara, com o compromisso de votação rápida.

Além de aliviar a ponta longa da curva, os curtos também reagiram com queda nas taxas na medida em que uma menor pressão fiscal reduz a necessidade de o Copom ser mais duro no ciclo de altas da Selic. Segundo Rostagno, precificação da curva apontava Selic de 12,82% no fim de 2022, ante 13,01% ontem.