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Mais importante que número do PIB é observar ‘qualidade’, diz SPE de ministério

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Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trazer números que confirmam que o Brasil entrou em recessão técnica após dois trimestres seguidos de retração no Produto Interno Bruto (PIB), a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia divulgou nota técnica argumentando que “mais importante que o número” é a “qualidade” do crescimento. Os dados mostram queda de 0,1% no PIB do terceiro trimestre, após um recuo de 0,4% no segundo trimestre (dado revisado para pior nesta quinta-feira). Ainda assim, a SPE alega que os resultados poderão ser revisados para cima no futuro.

Para o órgão chefiado por Adolfo Sachsida, mesmo com a retração na margem, o crescimento de 4,0% em relação ao terceiro trimestre do ano passado mostra a continuidade da recuperação da economia em relação à crise de 2020. “É fundamental distinguir o que é política econômica de fatores climáticos adversos e pontuais da natureza, deve-se ressaltar que se observa a maior crise hídrica em 90 anos de história”, argumenta a SPE.

A nota técnica chama a atenção para a retração de 8,0% no PIB da agropecuária no terceiro trimestre, com um impacto negativo de 0,5% na atividade total em relação ao trimestre anterior. “Se fosse zerada a variação da agropecuária na margem, o PIB cresceria na ordem de 0,3% a 0,4% no trimestre”, considera o documento.

A SPE destaca também o bom desempenho do setor de serviços, condizente com a melhora no mercado de trabalho e o aumento da mobilidade. O órgão avalia ainda que, pelo lado da demanda, há elevação da absorção interna, puxada principalmente pelo maior crescimento do consumo das famílias. “Os indicadores coincidentes e o carregamento estatístico mostram que a atividade continuará crescendo a taxas elevadas no final do ano”, completa a nota.

Apesar de um novo desempenho negativo da economia brasileira, a SPE destacou que a taxa de poupança chegou a 18,6% do PIB no terceiro trimestre deste ano, retornando ao mesmo nível do terceiro trimestre de 2014. Já a taxa de investimento alcançou 19,4% do PIB, mesmo patamar do começo da década passada.

“Se até 2013 o investimento era em grande parte financiado com recursos públicos, hoje o investimento é financiado majoritariamente pelo setor privado: os recursos, através de decisões do setor privado, vão para onde é mais eficiente e não mais para onde o Estado determina. A redução de direcionamento de crédito é fundamental para retomada do investimento”, acrescenta o documento.

Por fim, o órgão ainda ressalta que o IBGE pode rever para cima o resultado do terceiro trimestre de 2021, assim como já ocorreu com o resultado de 2020, por exemplo. “O crescimento da agropecuária em 2020 foi revisado de 2,0% para 3,8%, da indústria de -3,5% para -3,4% e de serviços, de -4,5% para -4,3%”, lembra a SPE.