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Com ata do Fed, Ibovespa segue NY e tomba 2,42%, a 101 mil pontos

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Com a piora em Nova York após a ata do Federal Reserve, que colocou o blue chip Dow Jones também no negativo (-1,07% no fechamento), elevou a perda do Nasdaq a 3,34% (encerramento) e acentuou a escalada dos juros dos Treasuries, o Ibovespa levou adiante mínimas da sessão, que já vinha renovando de forma sequencial desde o meio da tarde, antes da divulgação do documento. Ao fim, a referência da B3 mostrava queda de 2,42%, aos 101.005,64 pontos, entre mínima de 100.849,56 e máxima, na abertura, aos 103.513,64 pontos, correspondente ao fechamento da terça-feira.

Como nas duas sessões anteriores, o encerramento desta quarta-feira foi o de menor nível desde 1º de dezembro, então aos 100.774,57, que havia sido o pior desde 5 de novembro de 2020 (100.751,40 pontos). No intradia, foi esta quarta ao menor nível desde 2 de dezembro passado, então a 100.784,58. O giro financeiro desta quarta-feira foi a R$ 29,9 bilhões. Na semana, no mês e no ano, o Ibovespa cai agora 3,64%. Em porcentual, a queda de 2,42% na sessão foi a pior desde 26 de novembro (-3,39%).

Nesta quarta, desde Nova York, a reação negativa do mercado decorreu de dois fatores: a consideração de autoridades do Fed de que pode ser preciso elevar a taxa básica de juros mais cedo e em um ritmo maior e, de alguns deles, de que seria apropriado reduzir o balanço patrimonial da instituição “logo após a alta dos juros”.

Os sinais mais restritivos sobre a orientação da política monetária americana ainda no começo de 2022 eram um fator aguardado pelos investidores, mas a confirmação, no documento, contribuiu para reforçar a cautela. Desde a manhã, a leitura bem acima do esperado para a geração de vagas no setor privado dos EUA (relatório ADP) mantinha os investidores em guarda, o que se refletia especialmente nos yields dos Treasuries e no desempenho do Nasdaq. “As ações de tecnologia permaneceram sob pressão depois do relatório robusto sobre a folha de pagamento privada (nos EUA), que elevou os rendimentos do Tesouro”, observa em nota Edward Moya, analista de mercado da OANDA em Nova York.

Depois da publicação da ata da reunião de dezembro do Federal Reserve, aumentaram as apostas de elevação de juros nos Estados Unidos, de acordo com o monitoramento do CME Group. “A ata de hoje nos parece muito mais ‘hawkish’ do que o comunicado sugeriu, principalmente no tocante as discussões de política monetária”, diz em nota Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

“Após a surpresa altista observada no ADP hoje”, e “caso o payroll (relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos EUA, a ser divulgado na sexta-feira) confirme tal perspectiva, fica cada vez mais provável a chance de (o Fed) encerrar o tapering (o processo de retirada de estímulos monetários) com a elevação imediata da Fed Funds Rate (a taxa de juros de referência)”, acrescenta o economista.

Assim, a referência da B3 emendou a terceira perda neste começo de ano, acumulando entre segunda e quarta-feira retração correspondente a 3,8 mil pontos ante o fechamento de 2021 (104.822,44). Em dólar, o Ibovespa foi no encerramento desta quarta a 17.682,75 pontos, com a moeda americana à vista em alta de 0,39%, a R$ 5,7121 no fechamento. Em 2021, em dólar, encerrou o ano a 18.799,19 pontos, no dia 30 de dezembro, comparado a 22.937,77 pontos no fechamento de 2020.

No meio da tarde desta quarta-feira, cerca de uma hora antes da aguardada ata do Fed, foi percebido um movimento mais forte de redução de exposição a ações por parte de fundos, com o objetivo de proteger as carteiras de uma volatilidade maior, o que resultou em mínimas sequenciais para a referência da B3, estendidas de forma ainda mais acentuada após a ata. Um dos operadores mencionou também “venda forte por parte de corretoras gringas” no período da tarde.

Com o dobro da geração de empregos esperada para dezembro, o forte relatório privado sobre vagas de trabalho nos Estados Unidos em dezembro já reforçava, desde cedo, a perspectiva mais restritiva para a política monetária americana em 2022, o que se conjuga, no Brasil, a crescentes pressões por reajuste de salário para o funcionalismo federal, resultando em aumento da aversão a risco e redução de exposição à Bolsa em meio a persistentes dúvidas sobre a situação fiscal doméstica.

Análise gráfica do Itaú BBA aponta que o Ibovespa definiu intervalo entre 100 mil e 109,4 mil pontos, e somente quando ultrapassar os extremos, para cima ou para baixo, deverá ganhar “movimento com maior consistência”. “Se negociar abaixo dos 100.000 pontos, voltará um cenário de cautela, sugerindo mais quedas para o mercado com um primeiro objetivo em 93.000 pontos, que é suporte e mínima de outubro de 2020”, acrescenta o texto, em que se observa também que o Ibovespa tem mostrado “fragilidade em capturar dias de otimismo no mercado internacional”.

A piora observada na B3 ao longo da tarde desta quarta-feira colocou as ações e setores de maior peso no Ibovespa no negativo, mesmo aqueles que demonstravam desempenho melhor pela manhã, como bancos (Itaú PN -1,90%, BB ON -1,66%) e siderurgia (Usiminas PNA -5,79%, CSN ON -2,25%, Gerdau PN -1,66%). A exceção positiva foi Vale ON, que conseguiu fechar a sessão em alta de 0,95%. Mesmo com o dia positivo para o petróleo – embora moderado após a ata do Fed -, Petrobras ON e PN encerraram a sessão em queda, respectivamente, de 4,10% e 3,87%.

Na ponta negativa do Ibovespa, Locaweb (-12,78%), PetroRio (-10,76%) , Soma (-9,54%) e Méliuz (-9,00%), com diversas ações do índice alcançando as respectivas mínimas da sessão no fechamento. Apenas quatro ações da carteira teórica conseguiram escapar ao dia de correção: além de Vale ON (+0,95%), BRF (+1,25%), Banco Pan (+0,32%) e Bradespar (+0,24%).