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Com foco em Brasília, Ibovespa sobe 0,72%, aos 105.535,08 pontos

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Mesmo com o desempenho negativo das bolsas do exterior nesta terça-feira, 9, o Ibovespa conseguiu sustentar ganho na casa de 1% na maior parte do dia, em meio à expectativa positiva para a aprovação da PEC dos Precatórios em segundo turno na Câmara dos Deputados, mantido em andamento por decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No fechamento, a referência da B3 mostrava alta mais acomodada, de 0,72%, a 105.535,08 pontos, abaixo da marca de 106 mil que sustentou especialmente pela manhã, quando parecia firme a caminho do maior nível de encerramento deste mês de novembro. Hoje, oscilou entre mínima de 104.783,02, da abertura da sessão, e máxima de 106.674,43 pontos, com giro financeiro a R$ 27,7 bilhões. No mês, o Ibovespa acumula ganho de 1,97%, ainda cedendo 11,33% no ano. Na semana, o índice avança agora 0,68%.

O dia foi de realização em Vale ON (-2,46%), após ganho acima de 5% na sessão anterior, enquanto Petrobras ON e PN seguiram em terreno positivo, em alta respectivamente de 1,55% e 1,99% no encerramento, com o Brent buscando se reaproximar de US$ 85 por barril. Na ponta do Ibovespa, destaque para recuperação das ações do segmento de varejo, com Magazine Luiza (+10,06%), Americanas ON (+7,65%), Via (+6,80%), Petz (+6,22%) e Lojas Americanas (+6,21%), à frente do índice nesta terça-feira. Na face oposta, PetroRio (-4,54%) vindo de ganhos recentes, BTG (-4,18%) após divulgação de resultados trimestrais, e Gol (-3,41%).

“A princípio, a questão da PEC dos Precatórios deve ser resolvida hoje, o que levou o Ibovespa pra cima, na contramão do exterior. O mercado está precificando a aprovação e, assim, a definição da fonte de financiamento do Auxílio Brasil”, diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos. “As ações do varejo tinham ficado extremamente amassadas, foi um dos setores que mais caíram, então o efeito ‘mola comprimida’ levou essas ações a subirem hoje mais do que o Ibovespa. E a definição da PEC contribui para dar uma arrefecida nos juros futuros, o que também beneficia o setor de varejo”, acrescenta.

“A aprovação da PEC pode até dar uma animada no curto prazo, mas não apaga a mancha da sinalização ruim, de se ter encontrado um jeitinho para furar o teto. É ruim passar a PEC, mas ainda pior se não passar. O político continuará a dominar o noticiário e, com a curva de juros ainda estressada pelo fiscal, enquanto a curva não fechar, não haverá muito espaço para recuperação da Bolsa”, diz Leonardo Milane, economista e sócio da VLG Investimentos. “O sinal que se tem é de que o governo fará tudo para conseguir a reeleição.”

Uma vez concluída a apreciação dos destaques ao texto, com os primeiros da lista tendo sido derrotados pelos deputados alinhados ao governo, a expectativa de que a PEC passará hoje pela Câmara e seguirá para o Senado tirou pressão do câmbio nesta terça-feira, levando o dólar a ser negociado abaixo de R$ 5,50 nos melhores momentos da sessão, com fechamento a R$ 5,4948, em queda de 0,83%.

Contudo, os ganhos foram limitados na Bolsa, abaixo da casa de 1%, logo após o governo colher a sua primeira derrota na sessão, ao sair do texto mudança na regra de ouro: o governo obteve apenas 303 dos 308 votos de que precisava. Em outro desdobramento negativo para o governo e sua base de apoio, o Supremo Tribunal Federal (STF) obteve neste fim de tarde os votos necessários para barrar os repasses do orçamento secreto, esquema de sustentação do governo no Congresso revelado em maio pelo Estadão. Com placar parcial de 6 a 0, a Corte manteve a decisão liminar (provisória) expedida pela ministra Rosa Weber na sexta-feira, 5.

Nos minutos finais, o Ibovespa voltou a flertar com ganho de 1% na sessão, logo depois de o plenário da Câmara manter a alteração na regra de cálculo do teto de gastos, em votação tensa mas vencida pelo governo por 316 a 174 votos, que conservou o texto do relator, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

“No Brasil, está claro, nos últimos meses, que o cenário melhor é o menos pior, por conta de todo esse clima ruim dentro do Congresso, diante da expectativa para os desdobramentos sobre o Orçamento de 2022. Com eleição, a situação fica ainda mais complicada. Sobre a PEC, embora esteja longe do ideal, traz alguma previsibilidade em relação aos gastos, com a colocação de algumas regras. Sem isso, a alternativa seria medida provisória, com prorrogação da incerteza e da volatilidade no mercado financeiro”, diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

“Na parte da manhã, o mercado esteve bastante otimista com a PEC dos Precatórios, mas à medida que a sessão foi se desenrolando ficou mais lateralizado, devolvendo a alta. Provavelmente, a PEC vai ser aprovada, mas o (resultado) definitivo, só (veremos) amanhã”, observa Braulio Langer, analista da Toro Investimentos.