Cenário macroeconômico mensal:
petróleo e juros pressionam setembro.
O ambiente externo piorou com energia mais cara e juros globais em alta. No Brasil, inflação e atividade deram sinais mais benignos, enquanto o Ibovespa conseguiu avançar na contramão dos principais mercados.
Setembro foi um mês de contrastes para o cenário macroeconômico mensal. No exterior, o ambiente ficou mais adverso: as tensões geopolíticas no Oriente Médio se intensificaram, o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril e os juros internacionais subiram de forma expressiva.
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, novas restrições de oferta e ataques contra refinarias russas devolveram energia ao centro das preocupações dos mercados. O Brent chegou a US$ 108 ao longo do mês e encerrou setembro em US$ 103,5, com alta de 14,4%.
O impacto foi além do petróleo. Energia mais cara aumenta os riscos para a inflação global e reduz o espaço para flexibilização monetária. Nos Estados Unidos, a atividade permaneceu resiliente e o Federal Reserve voltou a elevar os juros. Na Europa, o Banco Central Europeu também apertou a política monetária.
O Brasil seguiu por uma dinâmica diferente. A economia mostrou sinais de desaceleração, o IPCA veio melhor e o Copom reduziu a Selic. Ao mesmo tempo, o Ibovespa avançou tanto em reais quanto em dólares, mesmo em um ambiente de maior cautela.
Setembro combinou um mundo mais caro para carregar risco com uma economia brasileira que começou a dar sinais mais claros de desaceleração.
Cenário macroeconômico mensal:
petróleo e juros pressionam os mercados.
Setembro apresentou maior volatilidade nos mercados globais. A combinação entre retomada das pressões sobre os preços de energia e forte abertura das taxas de juros internacionais reduziu o apetite por ativos de risco.
O MSCI ACWI recuou 1,19% no mês, enquanto o S&P 500 caiu 0,45%. Mesmo nesse ambiente, os segmentos ligados a tecnologia e inteligência artificial mostraram maior resiliência do que outras áreas do mercado acionário americano.
O petróleo foi um dos principais vetores do mês. O Brent avançou 14,4%, encerrando setembro em US$ 103,5 por barril. Ao mesmo tempo, a Treasury americana de 10 anos passou de 4,75% para 5,30%, uma abertura de 55 pontos-base e o maior nível desde 2007.
| Indicador | Setembro | Leitura |
|---|---|---|
| MSCI ACWI | -1,19% | Maior aversão a risco global. |
| S&P 500 | -0,45% | Tecnologia e IA mostraram maior resiliência. |
| Brent | +14,4% | US$ 103,5 | Escalada geopolítica e restrições de oferta. |
| Treasury 10 anos | 5,30% | Alta de 55 pb no mês. |
| Ibovespa | +5,03% em reais | Desempenho superior aos principais mercados globais. |
| Ibovespa em dólar | +5,19% | Mercado brasileiro avançou também em moeda americana. |
O desempenho brasileiro chamou atenção justamente por ocorrer na direção oposta ao restante do mercado global. Transportes e Propriedades Comerciais estiveram entre os destaques positivos do mês, enquanto Mineração e Siderurgia e Construção Civil figuraram entre os principais detratores.
Setembro trouxe uma combinação pouco usual: deterioração das condições externas e valorização dos ativos brasileiros.
Estados Unidos:
atividade resiliente e inflação ainda pressionada.
Nos Estados Unidos, os dados de emprego de agosto surpreenderam positivamente. A economia criou 162 mil postos de trabalho, ante expectativa de 56 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.
O salário médio por hora avançou 0,3% no mês e acumulou alta de 3,1% em 12 meses. O resultado interrompeu uma sequência de leituras mais fracas observadas desde o segundo trimestre e reforçou a percepção de que o mercado de trabalho segue relativamente sólido.
No campo inflacionário, o CPI avançou 0,4% em agosto e manteve a inflação acumulada em 12 meses em 3,4%. Energia voltou a ser um dos principais vetores: a gasolina subiu 3,9% no mês e respondeu por mais de um terço da variação do índice.
O núcleo do CPI avançou 0,3%, acima do esperado, embora tenha desacelerado de 2,5% para 2,4% na comparação anual. No atacado, o PPI também subiu 0,4%, com destaque para uma elevação de 24% no preço do diesel.
O processo de desinflação americano continua, mas ficou mais vulnerável ao choque de energia.
Nesse contexto, o Federal Reserve elevou a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, em decisão unânime e amplamente antecipada pelo mercado.
As projeções dos dirigentes apontaram para apenas mais uma alta de 0,25 ponto percentual em 2026, seguida de estabilidade em 2027. Ainda assim, a combinação entre economia resistente, inflação persistente e petróleo mais caro provocou forte reprecificação da curva americana.
A Treasury de 10 anos chegou a 5,22% durante o período analisado, enquanto o papel de 30 anos superou 5,5%. O desempenho robusto do PMI composto e a demanda abaixo do esperado em um leilão de Treasuries de cinco anos reforçaram o movimento.
Zona do Euro:
o choque de energia volta à inflação.
Na Zona do Euro, os dados de agosto também mostraram intensificação das pressões inflacionárias, especialmente nos preços ao produtor.
O PPI avançou 1,6% em relação a julho, acima da expectativa de 1,3%, levando a inflação ao produtor de 4,6% para 5,8% em 12 meses. A inflação ao consumidor também acelerou, passando de 2,9% para 3,3%.
O núcleo do índice, porém, apresentou leve melhora, recuando de 2,5% para 2,4%. A diferença entre o comportamento do índice cheio e do núcleo reforça o peso que energia voltou a exercer sobre a dinâmica de preços da região.
Diante desse cenário, o Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito em 0,25 ponto percentual, para 2,50%, na segunda alta de juros do ano.
O BCE também revisou suas projeções e passou a estimar inflação média de 3,0% em 2026 e 2,5% em 2027. A trajetória de convergência para a meta permanece, portanto, fortemente condicionada à evolução dos custos de energia e do ambiente geopolítico.
China:
a indústria melhora, mas a demanda ainda não acompanha.
Na China, os dados de agosto apontaram redução das pressões deflacionárias, mas a recuperação permaneceu desigual.
A inflação ao consumidor avançou para 0,8% em 12 meses e registrou alta de 0,4% na comparação mensal, acima da expectativa de 0,3%. O movimento refletiu principalmente custos maiores de transporte em meio à elevação dos combustíveis.
No atacado, a inflação ao produtor acelerou para 3,8% em 12 meses, favorecida pela valorização das commodities e pelo desempenho dos segmentos de alta tecnologia.
A produção industrial também apresentou melhora, avançando 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, ante 4,5% em julho.
O contraponto continua sendo a demanda doméstica. As vendas no varejo desaceleraram de 0,6% para 0,4% em termos anuais, enquanto o investimento em ativos fixos acumulou retração de 7,2%, com destaque para a fraqueza do setor imobiliário.
A China mostra mais força na indústria e na tecnologia, mas ainda precisa transformar produção em demanda doméstica.
Brasil:
desaceleração gradual, inflação melhor e Selic menor.
No Brasil, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, ligeiramente acima da expectativa de 0,4%. Na comparação anual, o avanço foi de 2,0%.
Apesar do resultado agregado positivo, a composição mostrou sinais menos favoráveis. A agropecuária avançou 2,8% e a indústria extrativa cresceu 3,4%, enquanto serviços avançaram apenas 0,2% e a indústria total, 0,1%.
O principal ponto de atenção veio da demanda. A absorção doméstica, que reúne consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, permaneceu praticamente estagnada.
Os indicadores de julho reforçaram essa leitura. A produção industrial cresceu apenas 0,2% na margem, abaixo dos 0,5% esperados, e caiu 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O nível de produção permaneceu 2,4% abaixo do pico observado em abril.
Nos serviços, a receita real ficou estável pelo segundo mês consecutivo e cresceu 0,9% na comparação anual.
| Indicador Brasil | Dado | Leitura |
|---|---|---|
| PIB 2º trimestre | +0,5% trimestral | Acima da expectativa, mas com composição mais fraca. |
| Produção industrial | +0,2% em julho | Recuperação modesta e abaixo do esperado. |
| Serviços | 0,0% em julho | Segundo mês consecutivo de estabilidade. |
| IPCA de agosto | -0,32% | Inflação em 12 meses recuou para 4,22%. |
| Selic | 13,75% | Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual. |
A inflação também trouxe uma leitura melhor. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, fazendo a taxa acumulada em 12 meses recuar de 4,44% para 4,22%.
O resultado agregado e os núcleos vieram melhores do que o esperado, embora a inflação de serviços ainda não mostre melhora consistente. Parte da surpresa baixista também esteve concentrada em componentes voláteis e no efeito temporário da energia elétrica.
Nesse contexto, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O comunicado manteve postura prudente e deixou aberta a possibilidade de novas reduções, ao mesmo tempo em que reconheceu de forma mais explícita a perda de ritmo da atividade e a melhora recente da inflação.
O Brasil entrou em setembro com uma combinação mais favorável de inflação e atividade. O desafio é que essa melhora doméstica acontece justamente quando o ambiente internacional ficou mais restritivo.
Setembro deixou dois movimentos em direções opostas.
E ambos importam para o investidor.
Do lado externo, o cenário ficou mais desafiador. O petróleo voltou a superar US$ 100, os juros americanos subiram fortemente e Fed e BCE apertaram a política monetária. Isso aumenta o custo global de capital e torna o processo de desinflação mais vulnerável.
No Brasil, a direção foi diferente. A atividade perdeu força, a inflação veio melhor e o Banco Central iniciou mais uma etapa do ciclo de flexibilização monetária. Ao mesmo tempo, o Ibovespa conseguiu avançar em um mês de queda dos principais índices globais.
A leitura de setembro, portanto, não cabe em uma única narrativa de melhora ou deterioração. O ambiente doméstico tornou-se relativamente mais benigno, mas esse movimento acontece dentro de um mundo que voltou a cobrar mais prêmio por inflação, energia e juros.
O ponto central de setembro foi o contraste: enquanto o Brasil começou a desacelerar e cortar juros, o exterior voltou a conviver com petróleo mais caro e política monetária mais restritiva.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação individualizada de investimento, compra ou venda de ativos. As informações refletem dados disponíveis no período analisado e podem sofrer alterações conforme novos indicadores econômicos, decisões de política monetária e eventos de mercado.
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