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Renda fixa e a Selic: entenda o impacto da taxa de juros nos investimentos

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renda finxa e juros Renda fixa e a Selic: entenda o impacto da taxa de juros nos investimentos

Você sabe qual é a relação da taxa Selic nos investimentos de renda fixa? As mudanças no cenário econômico podem afetar esse índice e impactar os rendimentos obtidos nas aplicações financeiras. Portanto, o investidor precisa entender como isso funciona para tomar melhores decisões.

Desde 2017 a taxa básica de juros, ou seja, a Selic passou por quedas que se acentuaram em 2020. Com isso, os rendimentos obtidos foram afetados, gerando dúvidas sobre as perspectivas do mercado de renda fixa brasileiro. Muitos investidores se perguntam como ter maior rentabilidade.

Essa também é uma dúvida sua? Então continue lendo para entender a relação da taxa Selic com a renda fixa!

O que é e como funciona a taxa Selic?

A Selic é um instrumento da política monetária do Banco Central, com o objetivo de auxiliar no controle da inflação. O termo significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, que faz o gerenciamento e registro de dados sobre os títulos públicos.

É por causa dessa relação que ela se tornou a taxa básica de juros da economia no Brasil. A taxa é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para isso, são consideradas as expectativas da inflação, a atividade econômica e o balanço de riscos.

Nos últimos anos, a Selic teve um período de queda, refletindo nos investimentos em renda fixa. O histórico completo pode ser consultado no site do Banco Central, mas confira alguns dados importantes:

  • em 2016 a Selic alcançou altas históricas, atingindo 14,25% em agosto;
  • a partir daí, ela começou a sofrer quedas gradativas, chegando a 7,50% em dezembro 2017;
  • em 2018 houve maior estabilidade, fazendo com que a Selic chegasse a 6,50% em dezembro;
  • a queda continuou em 2019, chegando 5% em dezembro;
  • em agosto de 2020 a Selic atingiu 2%, valor que se manteve até o final do ano;
  • em junho de 2021 a Selic atingiu a elevação de 4,25%.

Como a taxa Selic afeta os investimentos em renda fixa?

Entenda a seguir os detalhes de como a taxa Selic pode impactar rendimentos da renda fixa!

Títulos pós-fixados

A Selic impacta diretamente alguns títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, que acompanha esse índice. Devido ao seu papel relevante na economia, ela influencia também em outros indicadores — como o CDI.

Ele significa Certificado de Depósito Interbancário e seu valor costuma ser bastante próximo ao da Selic. A rentabilidade de investimentos ligados a ele pode subir ou cair de acordo com a taxa. Algumas aplicações que podem render de acordo com o CDI são:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDB);
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI);
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Títulos prefixados

Nos casos dos títulos prefixados, que determinam um percentual fixo de retorno, os impactos da taxa Selic variam. Isso porque eles não a acompanham diretamente, mas ela afeta indiretamente os resultados.

No momento de investir, é possível que a taxa fixa pareça atrativa em comparação com a Selic. Contudo, as movimentações na economia podem fazer com que o cenário mude até o prazo de vencimento — ficando mais ou menos vantajoso, a depender dela.

Títulos híbridos

Outro indicador afetado pela taxa básica de juros é o IPCA, o índice da inflação, usado em títulos híbridos. Como a Selic tem o objetivo de controlar o aumento dos preços ao consumidor, as suas variações também afetam o índice.

Além disso, em todos os títulos vistos até aqui, a inflação tem importância na rentabilidade real. Ela é calculada considerando o rendimento descontando a variação da inflação. Assim, é possível entender se o poder de compra do dinheiro aplicado foi mantido, aumentou ou baixou.

Poupança

A poupança é utilizada por diversos brasileiros como opção de investimento. E ela também tem uma relação direta com as variações da Selic. Para os depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012, a rentabilidade dela é de 0,5% ao mês, acrescido da taxa referencial (TR), que está zerada desde 2018.

Já nos depósitos posteriores, existem duas regras:

  • se a Selic estiver igual ou abaixo de 8,5%, a Poupança rende 70% da taxa básica, mais a TR;
  • se a Selic estiver acima de 8,5%, ela rende 0,5% ao mês, mais a TR.

Como encontrar maiores rentabilidades?

Quem deseja potencializar a rentabilidade ou reduzir os impactos que as variações da Selic trazem às aplicações, pode contar com alternativas. Se você ainda deseja a previsibilidade da renda fixa, as debêntures são um exemplo.

Os títulos são emitidos por empresas e, com isso, costumam pagar juros maiores. No entanto, também há maior risco, especialmente em relação à inadimplência. Nesse caso, é preciso avaliar a sua tolerância aos riscos para entender se vale a pena investir.

Além disso, existem possibilidades na renda variável. O mercado de ações, por exemplo, oferece diversos ativos que podem trazer um retorno atrativo. Os Fundos de Investimento também podem ser utilizados. Mas é preciso ficar atento ao perfil de risco maior.

Vale considerar, ainda, que rentabilidade não deve ser o único critério em um investimento. A renda fixa, mesmo com a queda da Selic, continua apresentando vantagens como segurança e liquidez. Assim, continua válida para investidores sem apetite ao risco ou para planos de curto prazo.

Existem previsões de aumento da Selic?

Com base nas movimentações da economia, o mercado consegue fazer algumas projeções sobre possíveis mudanças nas taxas de juros. Algumas previsões do Boletim Focus, do Banco Central, têm indicado que a taxa pode chegar a 6,0% no fim do ano.

Nesse sentido, o aumento dos juros pode gerar maior interesse nas opções em renda fixa. No entanto, a taxa ainda é baixa e as projeções indicam que a taxa Selic ainda está sob controle. Além disso, há o aumento na inflação, que reduz o ganho real do investimento.

Mesmo com o aumento, esse fato isoladamente não torna a renda fixa mais atrativa. Logo, a projeção não é suficiente para agradar quem deseja maiores rentabilidades. Nesse caso, é preciso avaliar a possibilidade de correr maiores riscos.

Com tantas alternativas, as escolhas mais pertinentes para a sua situação dependem do seu perfil e de seus objetivos. Então avalie os investimentos, considerando riscos, liquidez e rentabilidade, para montar a sua carteira da melhor maneira.

Agora você sabe como a taxa Selic afeta os investimentos em renda fixa. Aproveite as informações para avaliar suas oportunidades. Dessa maneira, é possível entender melhor o mercado e tomar decisões conscientes diante dos variados cenários econômicos!

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Sobre o autor
Thiago Goulart é o Editor da Vai Investir e do podcast Valor de Mercado. Adora praticar tênis, ler, escutar música e estar na presença de amigos e família. Graduado em Letras pela UFES e em Jornalismo pela PUC-SP, está se tornando também especialista em finanças com o MBA no tema pela PUC- RS. Com uma longa carreira em sala de aula, desenvolveu a habilidade e sensibilidade para conectar pessoas a conhecimentos. Hoje, aplica essa experiência de maneira mais específica para o mercado financeiro, por quase 3 anos sendo o principal responsável pelo desenvolvimento e curadoria de conteúdo para a Valor Investimentos e Vai Investir.
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