AçõesAnálise & Opinião

Allied (ALLD3): em pleno crescimento

5 Minutos de leitura
desktop 1245714 1280 Allied (ALLD3): em pleno crescimento

Resolvi escrever um resumo sobre o resultado da Allied (ALLD3) que saiu recentemente. Aliás, mais uma empresa do setor de tecnologia. Para início de conversa, a Allied está em pleno crescimento. Ela comercializa mais de 7,9 milhões de produtos por ano e desde 2001, torna o universo digital ao alcance de todos por meio do varejo, serviços e distribuição.

Não tem como colocar de outra forma. Mas é isso mesmo. A companhia apresentou um resultado forte e com vários destaques. Falando em destaques, segue, abaixo, todos compilados.

Para quem quiser entender melhor como a companhia funciona, qual o modelo de negócio, quais segmentos existem basta seguir a leitura!

allied Allied (ALLD3): em pleno crescimento

Só nessa imagem, já tem muito para o que observar. Começando do início. Receita Líquida de R$1,52 bilhão, com alta de 84% no 2T21 vs 2T20. É provável que a companhia entregue uma receita de R$5,4-5,6 bilhões no ano de 2021, o que seria significaria um aumento de 14,3-17,3% de alta em relação a 2020.

Não vou me adentrar em todos os segmentos, uma vez que na imagem, já é muito bem explicado. Todavia, eu gostaria de comentar a parte de distribuição, que como vocês podem perceber, entregou uma receita de aproximadamente R$1,2 bilhão no trimestre, crescendo 77,6% no trimestre.

Esse segmentou acabou por representar cerca de 78% da receita líquida total (No 2T20, representava 80,6%). Alguns investidores ficam se perguntando sobre essa dependência na distribuição, se isso não seria ruim no longo prazo.

Pois é. Volto a repetir o que eu já tinha dito no meu primeiro texto. O segmento de distribuição oferece margens menores, mas é um segmento voltado para ser uma vaca leiteira. Ele é necessário e ajuda a companhia a dar conta de todos os pedidos que ela recebe. Ponto positivo para quem opera essa parte de logística no Brasil com excelência, o que é um outro diferencial devido a toda complexidade que é essa parte logística mais tributações.

Além disso, não podemos ignorar a “tough comp” em relação ao ano passado. Esse segmento, assim como a companhia, parece bem-posicionados para capturar o crescimento nos segmentos de eletrônicos e acessórios para casa.

De volta ao resultado, esse segmento vendeu 2,4 milhões de produtos no trimestre, ou 10,6 milhões nos últimos 12 meses. Sendo que o segmento Mobile representou 57% das vendas e continua sendo o maior da categoria, tendo sido beneficiada tanto pelo aumento do volume de vendas quanto pelo maior ticket médio.

Para efeito de comparação, o mercado de smartphones no segundo trimestre cresceu 14% em volume e 18% em ticket médio, o que leva ao crescimento de 35% em valor de celulares no segundo trimestre. A allied cresceu o ticket médio em 46%, levando qualidade de venda para a distribuição da companhia.

Cresceram também no volume, o que levou a companhia a ganhar 1p.p. de market share a mais no setor. A aposta da companhia vem agora de duas categorias: Smart Home e Linha branca.

distribuicao allied Allied (ALLD3): em pleno crescimento

Vale ressaltar que o segmento Mobile, já vem sentindo as estratégias de diversificação da companhia. O que é bom. Afinal, não sensato depender tanto de uma única receita.

Abaixo temos a evolução do mix de produtos do canal de vendas de distribuição no 2T21.

produtos allied Allied (ALLD3): em pleno crescimento

Indo para Varejo, ele alcançou R$338,9 milhões e cresceu 110,7% no trimestre. Isso só foi possível graças a estratégia que combina varejo físico com varejo digital, também conhecido como omnichannel. A margem bruta deste canal foi de 27,1% no trimestre. O que é bom também, estamos falando de varejo.

Encerram o período com 276 pontos de venda (sendo 160 operações Samsung e 116 Store-in-Store e presença em 30 lojas online, tanto como seller Mobcom quanto representando lojas oficiais dos nossos parceiros. E falando em lojas parceiras, no 2T21 a Allied inaugurou uma nova operação no marketplace Kabum com a marca Mobcom.

Ao final do 2T21, a companhia contava com 30 lojas online, sendo 12 lojas oficiais de 3 parceiros (Apple, Google e HyperX) e 18 lojas da marca Mobcom.  O canal digital foi muito bem também, graças ao aumento de 119% no ticket médio.

Sendo puxado por um aumento de 129%, 52% e 49% no ticket médio de celulares, notebooks e consoles de videogames, respectivamente. Dentro dessa parte de varejo também, temos a Soudi, que o braço de financiamento e crédito da empresa.

O Volume de vendas alcançou R$13,2 milhões, um aumento de 46,7% em relação ao 1T21. Sendo que no acumulado do ano, o crescimento é de 133,7%, atingindo R$22,2 milhões nos últimos 6 meses.

venda total allied Allied (ALLD3): em pleno crescimento

No meu primeiro texto, eu comentei que em março de 2021, o número de cartões ativados era de 21,1 mil. 3 meses depois e o crescimento continua interessante. Alcançou 26,6 mil de cartões ativados, uma alta de 26% em relação ao trimestre anterior e um alta de 334% frente ao mesmo período anterior.

Indo para as despesas operacionais. As despesas operacionais recorrentes do 2T21 aumentaram em 16,9%, encerrando em R$115,7 milhões. O que me pareceu bem “OK”, tendo em vista que a receita cresceu 84% no trimestre.

allied vendas Allied (ALLD3): em pleno crescimento

E a companhia está crescendo também. Logo, ela teve mais despesas com vendas, mais despesas com aluguéis, com serviços de terceiros, com pessoal etc.

Já que tivemos apenas uma leve alta no SG&A, isso permitiu com que a companhia entregasse um lucro operacional de R$105,2 milhões, alta de 416% em relação ao 2T20. Olhando também para depreciação e resultado financeiro, também não vemos nada que pudesse impactar tanto o resultado final.

allied balanco Allied (ALLD3): em pleno crescimento

Logo, a companhia entregou um Lucro Líquido Recorrente (já excluindo o ganho com a volta do IMCS) de R$74,3 milhões, crescimento de 786,3% em relação ao mesmo período anterior.

Por fim, vou comentar sobre o endividamento da companhia. Que inclusive, continua bem baixo. A empresa encerrou o 2T21 com uma dívida bruta de R$423,2 milhões e uma posição de caixa de R$172,2 milhões.

Sendo assim, chegamos a uma dívida líquida de R$250,9 milhões, equivalente a 0,5x o EBITDA recorrente dos últimos 12 meses. Entrando até um pouco no FCO, o consumo de R$229,7 milhões nas atividades operacionais, se devem a investimentos em capital de giro para financiar o crescimento que a companhia vem apresentando.

allied divida Allied (ALLD3): em pleno crescimento

O consumo de caixa na linha de fornecedores ocorreu devido à priorização de rentabilidade nas negociações e o aumento de contas de clientes é consequência do crescimento de 60% da receita no trimestre.

Pelo menos, a companhia notou que a estratégia de abastecimento, através da otimização das rotas logísticas considerando diferentes estruturas tributárias, corroborou com a geração de caixa de R$39,9 milhões nas linhas de tributos a recuperar e obrigações tributárias.

Vale ressaltar que esse foi um trimestre atípico para a companhia, quando a gente fala sobre o Fluxo de Caixa. FCO no longo prazo, tem que ser positivo e eu espero que esse consumo tenha sido pontual por conta do crescimento.

Nem preciso dizer que o FCF foi negativo, por conta disso e o que acabou ajudando a variação de caixa e equivalentes (soma do FCO, FCI E FC Financiamentos) ser positiva, foi o aumento de capital de R$211 milhões nos últimos 6 meses.

 Conclusão e Valuation

Continuo confiante na companhia. O resultado foi forte, parece bem-posicionada, possui lojas físicas e um canal digitando ganhando mais tração e com um mercado endereçável que ainda vai crescer bastante no Brasil.

Possui 5 centros de distribuição e estoque com profundidade de 4,1mil SKUs em 10 categorias. A companhia é pioneira no mercado de marketplace com a Mobcom, que vem fechando novas parcerias a cada trimestre e tem mostrado sua resiliência para operar no ambiente digital.

Como deu para perceber, a companhia tem uma certa dependência ainda pelo segmento de Mobile, seja em distribuição, varejo físico ou digital. Mas vale lembrar que, ela tem parceria de longo prazo com muitas das empresas com quem ela trabalha, na maioria das vezes, sendo responsável por distribuir 90% dos celulares, além de contratos exclusivos com companhias tipo Google e Amazon.

Apesar da companhia ter subido mais de 70% no ano, ela continua negociando 7-8x lucros e 5-6x EV/EBITDA para 2022 com ROIC de acima de 20%. Bem interessante, levando em conta todo o crescimento que ela vem apresentado.

5 posts

Sobre o autor
Formado em Administração pela FAESA e MBA em Ações e Stockpicking pela Ibmec, com 5 anos de experiência no mercado financeiro. Sou entusiasta desse mercadão desde a adolescência e de música! Além de tocar guitarra nas horas vagas, curtir um videogame e o uma boa leitura. Fui ex-estrategista da Avenue Securities e atualmente, sou sócio e analista da VGR Asset.
Artigos
Posts relacionados
NotíciasAnálise & Opinião

5 aplicativos para organizar seu dinheiro

6 Minutos de leitura
Ações

Commodities e agronegócio: 8 empresas de destaque da bolsa brasileira

8 Minutos de leitura
Ações

Setor de tecnologia: um mercado em expansão no Brasil

10 Minutos de leitura