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Na contramão do exterior, dólar se fortalece e bate R$ 5,71 por pressão local

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Moedas fortes e de países exportadores de petróleo conseguiam ter força frente ao dólar na sessão desta sexta-feira, mas, no Brasil, as questões domésticas com incertezas relacionadas ao plano fiscal, pressionavam o real à desvalorização. Após a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos, no Payroll, o dólar à vista por aqui chegou a atingir R$ 5,71 na máxima intraday, mas depois voltou a uma trajetória de alta mais contida. Há pouco, era cotado a R$ 5,6948, em alta de 0,25%.

De acordo com Fernanda Consorte, economista-chefe no Banco Ourinvest, o debate em torno da questão fiscal segue pressionando e fazendo com que os investidores fiquem na defensiva. “Além disso, ainda temos de ver se essa nova onda de contágio do coronavírus terá repercussões na atividade econômica”, complementa.

Na véspera, a moeda dos Estados Unidos fechou em queda de 0,56% (R$ 5,6800), após ajustes técnicos com o dia de correção pós-ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e ainda assim com alta de 1,87% na primeira semana de 2022.

Os dados do Payroll, que influencia diretamente as decisões de política monetária do Fed, vieram mistos. Enquanto a criação de vagas veio menor do que a esperada, os salários avançaram, o que corrobora com o aquecimento da economia e da inflação e o plano de voo da política monetária do Fed, segundo analistas.

Com isso, o dólar acaba se fortalecendo, mas o índice DXY, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, operava em baixa (-0,28%) há instantes, uma vez que o Euro se fortalecia após dados de inflação mais alta que o esperado na zona do euro (5% ante 4,7%) e produção industrial mais fraca na Alemanha.

Para além dos dados, Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York, lembra que a Turquia é um foco de preocupações para traders de câmbio, e que essa questão parece crescer de forma consistente. “O presidente Erdogan tem uma batalha difícil para as eleições gerais de junho de 2023 e isso significa que não devemos esperar que ele abandone suas demandas para que o banco central mantenha uma estratégia de política monetária heterodoxa”.

A questão eleitoral também permeia as preocupações dos investidores no Brasil. Pressões, cada vez maiores, do funcionalismo público por reajuste salarial, novas batalhas do presidente Jair Bolsonaro com o Judiciário e as indicações do PT, cujo pré-candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, está na frente nas pesquisas mais recentes, de que pode desfazer a reforma trabalhista no Brasil.

Como publicou Estadão/Broadcast, importantes integrantes da legenda também avaliam atuar para reverter outras propostas aprovadas nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, como o programa de privatizações de estatais – que pouco avançou – e o teto de gastos, principal âncora fiscal da economia.