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O que os esportes radicais têm em comum com os investimentos?

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A imagem do investidor geralmente está relacionada a uma pessoa de traje social, em uma sala exclusiva no alto de um prédio comercial e, mais precisamente, na avenida Brigadeiro Faria Lima (SP). Nesse sentido, a ideia de um amante dos esportes radicais passa bem longe.

Por outro lado, as habilidades que ele precisa desenvolver para operar no mercado ou estar atento as variações e volatilidades como, por exemplo, da Bolsa não são tão diferentes de quem pratica esportes radicais.

Daí, podemos formular duas breves sentenças: ‘Viver é um risco”. O inverso também é verdadeiro: “O maior risco da vida é viver sem risco”. Tanto nos esportes radicais, quanto nos investimentos temos que diferenciar dois termos: perigo e risco.

Perigo é o fato em si, ou seja, cair do skate, se machucar no meio da rua ou torcer o pé numa singela caminhada. Contudo, o risco é a probabilidade dessas coisas acontecerem. E quando se entende como as coisas funcionam, o que pode vir a acontecer, os vieses que são inerentes àquela atividade, por exemplo, é mais fácil de se gerenciar esse risco.

Assim, planejamento, preparo físico e mental, adaptação, resiliência, autoconhecimento e outros aspectos são alguns exemplos daquilo que tanto o esportista quanto o investidor devem exercitar, caso queiram atingir seus objetivos.

Pensando no mercado de investimentos, isso significa que é muito importante o investidor ter um entendimento básico das suas finanças e ter pessoas próximas em quem possa confiar, caso haja necessidade.

Se você quer entender mais sobre a relação existente entre os esportes radicais e investimentos, acompanhe este conteúdo até o final. Vamos lá?

esporte radical O que os esportes radicais têm em comum com os investimentos?

O planejamento é o primeiro passo

Normalmente, o planejamento é o primeiro passo de qualquer modalidade de esporte. E o mesmo se aplica quando falamos sobre perfil de investidor. Além do planejamento sobre a prática, também é fundamental o autoconhecimento. Saber quem é você. Saber o que é a volatilidade do mercado e entender como ela afeta os seus investimentos, por exemplo, é tão importante quanto entender qual é a sua tolerância a essa volatilidade.

Essa fase envolve a escolha da atividade esportiva, os equipamentos que serão utilizados, o ambiente onde ela será praticada, os conhecimentos que devem ser adquiridos, entre outras questões.

O mergulhador, por exemplo, precisa planejar cada passeio submerso que realizará. Isso envolve a escolha do cilindro de oxigênio, o tempo e distância que poderá percorrer com ele (considerando ida e volta), a profundidade, o período de descompressão e assim por diante.

Com o paraquedista ocorre o mesmo. Ele escolherá o paraquedas principal, o reserva, em que altura será realizado o salto, onde pretende realizar o pouso, observará questões climáticas etc. Ou seja, tudo é feito de modo a preservar sua segurança, saúde e a própria vida.

No mercado financeiro não é diferente. Embora os riscos não sejam tão extremos, o planejamento também é indispensável quando se fala em investimentos. Afinal, você não quer perder todo o seu patrimônio em um investimento equivocado, não é mesmo?

Então o primeiro passo do investidor é o planejamento, especialmente o financeiro. Ele precisa saber o quanto entra ou sai de seu orçamento todos os meses para identificar o capital que poderá ser destinado aos investimentos, quais alternativas disponíveis para aquela quantia etc.

Com isso, conseguirá descobrir seu custo de vida e o que pode ser economizado para fazer sobrar mais. Contar com “equipamentos de proteção”, como a reserva de emergência, também é útil para evitar prejuízos nos seus investimentos, caso surjam imprevistos.

Leia também | A maior habilidade do século 21: autoconhecimento

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A fase de preparação é indispensável

Preparar-se é fundamental. Conhecimento, conhecimento e conhecimento. Esta deve ser a busca: lifelong learning. Assim, torna-se cada vez mais necessário entender  fato de que a nossa expectativa de vida – cada vez mais alta – seja um bônus, e não um ônus nem individual, nem coletivamente.

A princípio, podemos delimitar quatro dimensões da vida, ou seja, o capital físico, o financeiro, o social e o intelectual. Para ser mais exato, isso significa que:

  • capital físico é o seu corpo e saúde;
  • capital financeiro é o seu patrimônio;
  • capital social é a capacidade de ter boas relações;
  • capital intelectual é a capacidade de se adaptar ao mundo em que se vive.

Os esportes, ainda que estejam mais identificados com o capital físico, são uma forma de potencializar os demais capitais,  pois podemos levar os aprendizados da prática para outros âmbitos da vida.

Se você já foi aproveitar uma praia que tem o mar um pouco mais agitado, talvez já tenha presenciado uma aula de surfe. Antes de subirem na prancha, os alunos são orientados a fazer o alongamento e exercícios para preparar o corpo para as movimentações que farão na água.

Na sequência, aprendem e treinam movimentos básicos. Por exemplo, a remada, o ato de levantar da prancha e noções de equilíbrio… Isso tudo ainda na areia. Além disso, recebem orientações sobre o mar, correntes de retorno, imersão sobre ondas fortes e demais conceitos em torno do esporte.

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Ou seja, é feito todo um preparo para que o aspirante à surfista saiba o que pode acontecer e o que fazer quando estiver surfando. Afinal, o surfe é um esporte que envolve diversos riscos e ir despreparado para o mar pode ser fatal.

Em comparação, o despreparo também é uma das principais causas que fazem as pessoas terem prejuízo no mercado financeiro. Por exemplo, estudos da FGV revelam que mais de 95% das pessoas que fazem day trade perdem dinheiro.

Grande parte dessas pessoas foram atraídas pela possibilidade ter lucro no curtíssimo prazo, o que é possível acontecer no day trade. Contudo, não se prepararam para os riscos presentes no mercado de renda variável.

Logo, preparar-se para o mercado pode evitar grandes prejuízos financeiros. E o esporte pode ser usado para isso. A prática de exercícios físicos ativa e oxigena o cérebro. Assim, é possível fazer análises mais apuradas e tomar decisões assertivas no momento de escolher um investimento.

Ademais, procurar um profissional que o ajude a estudar e conhecer os riscos de cada investimento, como se comportar ou o que fazer após iniciá-lo pode ser de grande ajuda nesse sentido. Desse modo, você saberá qual alternativa é mais adequada ao seu perfil e objetivos.

Leia também | Investidor arrojado: 6 investimentos adequados para este perfil

resiliencia O que os esportes radicais têm em comum com os investimentos?

É preciso resiliência para enfrentar dificuldades

Resiliência é um atributo muito comum entre esportistas de atividades radicais. Não é raro profissionais do esporte sofrerem lesões que os incapacitam por longos períodos. No universo do skate, por exemplo, é bastante comum um competidor fraturar ossos e tendões durantes os treinos. Já os tenistas de alta performance a sobrecarga recai nos ombros, quadril, joelho e tornozelo.

No entanto, isso não é um empecilho para que o skatista ou tenista volte às pistas e competições após o período de recuperação. Muitas vezes a força de vontade que o atleta tem de vencer, superar obstáculos, resistir à pressão ou situações adversas é o que lhe faz levantar a cada queda e tentar novamente.

E essa mesma resiliência deve nortear o investidor. Afinal, períodos ruins são inevitáveis no mundo dos investimentos. Eventos como crises econômicas, guerras comerciais, política e outros podem fazer com que o mercado passe por períodos de instabilidade, potencializados pelo efeito manada.

Consequentemente, você pode acabar perdendo dinheiro em algum momento ou tendo um investimento que não caminhou conforme o esperado. Contudo, o seu controle emocional não pode ser abalado com esse tipo de ocorrência a ponto de fazer você desistir dos seus sonhos e metas.

Ao contrário, devem servir como combustível para que você possa se reestruturar e retornar com mais vontade de atingir seus objetivos pessoais. Definir uma nova estratégia de investimento, aprimorar o manejo de risco e diversificar podem ser formas de superar e controlar perdas.

esportes radicais O que os esportes radicais têm em comum com os investimentos?

Autoconhecimento é uma das chaves do sucesso

Seja no mundo dos esportes ou dos investimentos, ter autoconhecimento é uma das chaves do sucesso. Grandes competidores esportivos sabem identificar seus limites pessoais e o de seus equipamentos. Assim, conseguem ter disciplina e equilíbrio emocional durante as competições.

Já imaginou um piloto de Fórmula 1 desistindo de uma corrida cada vez que faz uma curva errada ou é ultrapassado? E se ele pilotar no limite da capacidade do seu carro para acompanhar o desempenho do veículo do adversário, correndo o risco de não conseguir terminar a prova?

Ele tem o desafio de equilibrar seus desejos e possibilidades. No mercado financeiro também é assim. Muitos tratam o mercado como uma grande competição, em que é preciso ganhar mais que dos demais participantes.

Contudo, isso pode fazer com que a pessoa tome mais riscos e sofra perdas e frustrações maiores.  Logo, você precisa ter a disciplina para não arriscar mais do que pode, nem tentar ganhar a todo o custo. Ter sucesso no mercado depende principalmente de você, e não dos outros.

Viu como os conceitos aplicáveis nos esportes radicais também fazem sentido no universo dos investimentos? Depois de conferir este conteúdo que tal se planejar, preparar e trabalhar melhor a sua resiliência e autocontrole antes de começar a investir? Isso pode mudar seus resultados!

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Sobre o autor
Thiago Goulart é o Editor da Vai Investir e do podcast Valor de Mercado. Adora praticar tênis, ler, escutar música e estar na presença de amigos e família. Graduado em Letras pela UFES e em Jornalismo pela PUC-SP, está se tornando também especialista em finanças com o MBA no tema pela PUC- RS. Com uma longa carreira em sala de aula, desenvolveu a habilidade e sensibilidade para conectar pessoas a conhecimentos. Hoje, aplica essa experiência de maneira mais específica para o mercado financeiro, por quase 3 anos sendo o principal responsável pelo desenvolvimento e curadoria de conteúdo para a Valor Investimentos e Vai Investir.
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