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7 motivos para você dolarizar sua carteira

Por
Higor Rabelo

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A verdade é que, gostemos ou não, o dólar já faz parte do nosso dia a dia. O preço dos combustíveis, dos alimentos, dos eletrônicos e até da sua viagem de férias é influenciado por ele. Se o dólar sobe, o custo de vida no Brasil acompanha — mas a maioria dos brasileiros ainda mantém 100% do seu patrimônio em reais, sem se proteger dessa realidade.

Se você quer preservar seu dinheiro, evitar perdas e aproveitar as melhores oportunidades do mundo, investir em dólar não é uma opção, é uma necessidade. Neste artigo, vou detalhar 7 motivos essenciais para você considerar essa alocação, trazendo um conteúdo prático e direto ao ponto:

  1. Moeda forte
  2. Proteção contra crises e diversificação do risco Brasil
  3. Você já paga em dólar, mas ainda ganha em real
  4. Proteção contra inflação
  5. As melhores oportunidades do mundo estão fora do Brasil
  6. Retorno expressivo e consistente
  7. Aguardar o “momento certo” de fazer o câmbio pode custar caro… (custo oportunidade)

As quatro primeiras razões têm um caráter essencialmente protetivo: ignorá-las significa aceitar perdas e comprometer a inteligência do seu portfólio. Duas razões estão diretamente ligadas a retornos mais altos, provando que investir em dólar pode ser mais rentável. Por fim, o último ponto é um alerta para quem já entende a importância da dolarização, mas comete o erro de tentar prever e operar o preço do dólar — uma estratégia ineficiente que pode anular os benefícios dessa alocação.

Este artigo é longo, confesso, mas vale cada segundo da sua leitura. Meu objetivo é te ajudar a investir melhor, com informações claras, diretas e aplicáveis. Vamos lá?

Depoimento de Clientes

1. Moeda forte

O simples fato de o dólar ser uma moeda forte já é motivo suficiente para investir nele. Enquanto o real sofre muito com desvalorização e inflação, o dólar consegue preservar mais o poder de compra e é usado como referência global para negócios e investimentos.

Nos próximos parágrafos, vou explicar por que o dólar é tão forte e, em seguida, apresentar todas as outras razões para você considerar investimentos atrelados a ele. Afinal, se governos, empresas e grandes investidores fazem isso, por que você não faria?

O dólar não é forte apenas porque os EUA são um país rico. Existem outros fatores estruturais que garantem sua robustez e o mantém como a moeda mais confiável do mundo.

Como é possível observar na imagem abaixo, ao longo de aproximadamente 10 anos, o dólar não apenas teve uma alta expressiva de 111,30% frente ao real, como impressionantes 30,40% contra uma cesta de moedas fortes. 

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Posição geográfica privilegiada

Os Estados Unidos estão situados entre dois oceanos (Atlântico e Pacífico), o que reduz sua vulnerabilidade a conflitos externos e facilita o comércio global. Essa é uma vantagem competitiva extremamente valiosa. Enquanto países da Europa e Ásia estão cercados por vizinhos historicamente rivais, os EUA desfrutam de estabilidade geopolítica.

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Malha ferroviária eficiente

A infraestrutura de transporte dos EUA é uma das mais eficientes do mundo. O país possui uma das maiores malhas ferroviárias do planeta, essencial para reduzir custos logísticos e manter a competitividade da economia. Isso garante preços mais estáveis e menor impacto inflacionário no transporte de mercadorias.

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Para ilustrar a magnitude dessa vantagem frente ao restante do mundo, veja o gráfico abaixo:

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Tecnologia e inovação

Empresas americanas dominam setores estratégicos, como tecnologia, inteligência artificial e indústria farmacêutica. Apple, Microsoft, Google, Tesla, Amazon são apenas algumas das gigantes que mantêm os EUA na vanguarda, impulsionando crescimento sustentável e atraindo investimentos globais.

E isso não é por acaso: 

  • 8 das 10 melhores universidades do mundo estão nos EUA
  • 60% dos pesquisadores de inteligência artificial estão nos EUA
  • Os EUA são responsáveis por 30% dos gastos globais com tecnologia

Demografia e consumo interno

Os EUA possuem um mercado interno gigantesco, com uma população economicamente ativa e alto poder de consumo. Isso gera estabilidade econômica e reforça ainda mais a força do dólar.

Enquanto a Europa e o Japão enfrentam crises severas de envelhecimento da população, os EUA conseguem repor sua força de trabalho por meio da imigração qualificada e uma taxa de natalidade relativamente estável em algumas regiões.

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2. Proteção contra crises e diversificação do risco Brasil

Justamente por ser uma moeda forte com vantagens competitivas globais, o dólar não é apenas a moeda dos Estados Unidos; é também a principal reserva de valor do mundo. Governos, empresas e investidores de diversos países utilizam o dólar como proteção contra crises econômicas e instabilidades locais. 

Durante períodos de turbulência — sejam crises financeiras, conflitos geopolíticos ou colapsos econômicos — o fluxo global de capital migra para ativos considerados mais seguros. O dólar, por ser a moeda mais utilizada em transações internacionais e reservas cambiais, tende a se valorizar nesses momentos, servindo como um escudo para quem investe nele.

Veja alguns exemplos recentes:

Argentina (USD / ARS)

  • Dólar em 2013: 5,50 
  • Dólar hoje: 1.070,88
  • Multiplicou 195x

No início do século XX, a Argentina era uma das economias mais prósperas do mundo, mas a falta de diversificação econômica, a dependência excessiva de commodities e uma gestão econômica inconsistente levaram o país a sucessivas crises. Inflação descontrolada, desvalorização cambial e endividamento crônico minaram a confiança dos investidores. A Argentina chegou a decretar moratória em sua dívida soberana diversas vezes, reforçando sua instabilidade econômica e financeira.

Turquia (USD / TRY)

  • Dólar em 2014: 2,20 
  • Dólar hoje: 38,00
  • Multiplicou 17x

A Turquia atravessou uma grave crise econômica devido à política monetária não convencional de seu governo. A interferência do presidente no banco central resultou em políticas inadequadas, como a redução artificial das taxas de juros em meio a uma inflação crescente. A desvalorização da lira turca aumentou o custo da dívida externa e afastou investidores estrangeiros, agravando a crise.

Brasil

Você consegue enxergar semelhanças entre o que aconteceu nesses países e o Brasil? Independente se você tem uma visão mais otimista ou pessimista do nosso país, o Brasil é uma economia emergente e apresenta um nível de risco significativamente maior do que mercados desenvolvidos. Esse risco se reflete em diversos indicadores que influenciam diretamente os investimentos:

Baixo rating de investimento e alta percepção de risco

Você investiria no Cazaquistão ou no Peru? A maioria das pessoas diria não… Mas e se eu te disser que eles tem classificação de risco melhor que a do Brasil? 

  • Rating de crédito: O Brasil, segundo as principais agências de classificação de risco, como S&P, Moody’s e Fitch, está abaixo do grau de investimento. Nossa classificação é BB (ou Ba1), que nos classifica com grau especulativo. Isso significa que investidores internacionais consideram o país um destino de maior risco para alocação de capital, o que pode gerar volatilidade cambial e instabilidade nos ativos brasileiros. Cazaquistão e Peru, ambos são BBB-  e já fazem parte do grau de investimento. Já os EUA mantêm a classificação mais alta, sendo considerados um dos mercados mais seguros do mundo.
  • CDS (Credit Default Swap): Esse índice funciona como um termômetro da percepção de risco do Brasil no cenário global. Quando o CDS sobe, significa que os investidores veem um aumento na chance de calote ou dificuldades econômicas. Países emergentes como o Brasil costumam ter um CDS muito mais alto do que economias sólidas, o que reforça a necessidade de diversificação.
  • Índice do Medo (VIX): Crises internacionais costumam levar a um aumento do VIX, que mede a volatilidade dos mercados. Quando isso acontece, o capital estrangeiro tende a sair de países emergentes como o Brasil e migrar para ativos dolarizados. Esse movimento pode levar à desvalorização do real e à queda na bolsa brasileira, prejudicando investidores que não possuem exposição internacional.

Dificuldade para fazer negócios

O Brasil historicamente figura mal em rankings de facilidade para fazer negócios, devido à burocracia, carga tributária elevada e regulação complexa. Dados do IBGE mostram que 20% das empresas brasileiras fecham no primeiro ano e 60% não sobrevivem por mais de cinco anos. Em mercados desenvolvidos, o ambiente é mais estável, permitindo maior previsibilidade para investidores.

Dependência de commodities e baixa produção de tecnologia

A economia brasileira tem uma forte dependência da exportação de commodities, como soja, minério de ferro e petróleo. Isso significa que estamos sujeitos às oscilações dos preços dessas matérias-primas no mercado internacional. Se o preço do minério ou da soja cair, a economia brasileira sofre impactos diretos.

Ao mesmo tempo, importamos grande parte da tecnologia que consumimos, desde semicondutores até equipamentos médicos e softwares. Isso gera um déficit comercial em setores estratégicos e torna a economia mais vulnerável às flutuações cambiais. Se o real se desvaloriza, os custos de importação sobem, pressionando a inflação e encarecendo a vida dos brasileiros.

Já países desenvolvidos, como os EUA, têm uma economia mais diversificada, com forte presença nos setores de tecnologia, inovação e serviços financeiros. Investir em dólar permite acessar empresas líderes nesses segmentos e equilibrar sua exposição a diferentes setores econômicos.

Instabilidade política e econômica

O Brasil tem um histórico de ciclos políticos que afetam a previsibilidade econômica. Mudanças frequentes na condução da política fiscal e monetária impactam diretamente os investimentos e geram incertezas no mercado financeiro.

Além disso, crises fiscais, aumento da dívida pública e volatilidade na inflação são desafios recorrentes. Esses fatores tornam o real mais vulnerável a desvalorizações, o que pode afetar o poder de compra e a rentabilidade de quem mantém todo o patrimônio investido no Brasil.

Crise de confiança nas instituições

Recentemente, o Brasil passou a enfrentar uma grave crise de confiança nas instituições, o que gera insegurança para investidores. Mudanças bruscas em decisões do governo, discussões sobre intervenções em estatais, alterações nas regras do jogo e um ambiente jurídico e regulatório imprevisível afetam diretamente a percepção de risco do país.

A previsibilidade e a estabilidade institucional são essenciais para atrair investimentos e garantir um crescimento econômico saudável. Nos Estados Unidos, por exemplo, a segurança jurídica e a previsibilidade das regras do mercado são fatores fundamentais que mantêm o país como um dos destinos mais confiáveis para investidores do mundo todo.

Essa crise de confiança faz com que o capital estrangeiro pense duas vezes antes de investir no Brasil, e muitos investidores locais busquem alternativas para proteger seu patrimônio em mercados mais seguros, como o americano.

3. Você já paga em dólar, mas ainda ganha em real

Você pode até não perceber, mas grande parte do que você consome no dia a dia já tem o preço atrelado ao dólar. O Brasil é um país altamente dependente do comércio exterior, e muitos produtos e serviços essenciais são impactados pela variação cambial.

Alimentos e bebidas

Boa parte dos alimentos que chegam à sua mesa tem seu preço influenciado pelo dólar, pois o Brasil exporta grandes volumes de commodities agrícolas, como soja, milho e carne. Quando o dólar sobe, os produtores preferem vender para o exterior, o que reduz a oferta no mercado interno e aumenta os preços.

  • Óleo de soja – feito de um dos produtos agrícolas mais exportados pelo Brasil.
  • Carnes – o Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina e de frango; quando a cotação do dólar sobe, o preço no mercado interno também tende a subir.
  • Café – o Brasil exporta grande parte da sua produção, e os preços internos acompanham a cotação internacional.

Combustíveis e energia

O petróleo é cotado em dólar, e isso impacta diretamente o preço da gasolina e do diesel. Sempre que o dólar sobe, a Petrobras e outras distribuidoras precisam reajustar os preços para manter a viabilidade financeira. Como consequência, os custos do transporte aumentam, encarecendo produtos e serviços no Brasil.

  • Gasolina e diesel – reajustados conforme a cotação do barril de petróleo no mercado internacional.
  • Energia elétrica – o Brasil ainda importa parte da sua energia e insumos para geração, impactando os custos da conta de luz.

Eletrônicos e tecnologia

Quase tudo o que envolve tecnologia no Brasil depende da importação. Como não produzimos semicondutores nem grande parte dos componentes eletrônicos, os preços são diretamente afetados pelo dólar.

  • Celulares, notebooks e TVs – ainda que montados no Brasil, grande parte dos componentes vem do exterior.
  • Eletrodomésticos – geladeiras, fogões e máquinas de lavar têm peças importadas.
  • Serviços digitais – plataformas como Netflix, Spotify, Amazon Prime e aplicativos da Apple e do Google cobram em dólar ou ajustam seus preços conforme a variação cambial.

Viagens internacionais e importados

Mesmo quem não viaja para o exterior sente os efeitos do câmbio. Itens importados, passagens aéreas, hotéis e até mesmo roupas de marcas internacionais ficam mais caros quando o dólar sobe.

  • Passagens aéreas – combustíveis de aviação e taxas internacionais são cotados em dólar.
  • Produtos importados – perfumes, roupas de grifes internacionais e até brinquedos sofrem impacto cambial.

A questão é: se quase tudo o que você consome já tem custo dolarizado, por que ainda mantém 100% dos seus investimentos em real?

Imagine que você tem R$ 10.000 guardados e pretende usá-los para viajar para os Estados Unidos em um ano.

  • Supondo o dólar a R$ 5,00. Seus R$ 10.000 equivalem a US$ 2.000.
  • Se o dólar subir para R$ 5,50, seus mesmos R$ 10.000 agora compram apenas US$ 1.818. Ou seja, você perdeu US$ 182 de poder de compra só porque manteve tudo em real.

Essa mesma lógica vale para todos os outros itens mencionados que tem o seu preço impactado pela variação do dólar. Porém, se ao invés de deixar todo o seu dinheiro em real, você tivesse investido parte desse valor em ativos dolarizados, parte do seu patrimônio estaria com o poder de compra protegido contra essa oscilação, amenizando o efeito corrosivo da inflação.

A diversificação internacional não é apenas uma estratégia de investimento – é uma forma inteligente de proteger seu patrimônio e sua qualidade de vida.

4. Proteção contra inflação

Como vimos, a valorização do dólar aumenta o custo dos produtos no Brasil, ou seja, gera inflação. Isso significa que, independentemente do que você faça, seu custo de vida será impactado. Mas há uma forma de reduzir esse efeito: investindo parte do seu patrimônio em ativos dolarizados.

Você pode estar pensando: “Mas o dólar também sofre inflação!”. E você estaria absolutamente certo. Assim como qualquer moeda, ele perde valor ao longo do tempo. A diferença é que o dólar se desvaloriza menos que o real.

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O dólar tem 232 anos e, apesar de ter perdido o lastro em ouro, é a mesma moeda desde que foi fundado. Enquanto o Brasil, desde a independência, já teve nove trocas de padrão monetário e sete moedas. Depois dos réis, que ficaram mais de 400 anos em circulação, o real é a segunda moeda com mais tempo de circulação ininterrupta: completou 30 anos em julho de 2024. Mesmo recente, já perdeu quase 90% do seu valor.

Além disso, a inflação brasileira sempre foi mais alta que a americana. Enquanto nos EUA ela gira em torno de 2% a 3% ao ano (a terra do Tio Sam começou a descobrir o que é inflação agora), no Brasil frequentemente ultrapassa os 5% a 6%, e já tivemos anos com IPCA acima de 10%.

O que isso significa para seus investimentos? Se 100% do seu dinheiro estiver em real, seu poder de compra se deteriora mais rapidamente. Já ao diversificar parte do seu capital em ativos dolarizados, você reduz o impacto da inflação brasileira e protege melhor o seu dinheiro ao longo do tempo.

5. As melhores oportunidades do mundo estão fora do Brasil

Os gráficos abaixo ilustram duas importantes dinâmicas do mercado financeiro brasileiro em comparação com mercados desenvolvidos. 

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O primeiro mostra a distribuição dos investimentos no Brasil e globalmente, deixando claro um dado preocupante: aproximadamente 98% do capital dos investidores brasileiros está no mercado nacional. Isso não faz sentido!

Enquanto o PIB e os mercados de renda fixa e variável do Brasil representam uma parcela ínfima do mercado global, os brasileiros mantêm quase todo o seu dinheiro dentro do país. Essa falta de diversificação torna os investimentos extremamente vulneráveis a crises internas e limita o acesso a oportunidades internacionais mais rentáveis.

O segundo gráfico revela outra fragilidade estrutural: a composição setorial da Bolsa brasileira comparada a mercados desenvolvidos. 

  • No MSCI Brazil, há uma concentração elevada em poucos setores: financeiro (28%) e energia (20%).
  • No MSCI World, o cenário é muito mais equilibrado, com setores como tecnologia (23%), saúde (12%) e consumo não essencial (11%).

Isso reflete um problema fundamental da economia brasileira: dependência excessiva de commodities e serviços financeiros, enquanto mercados desenvolvidos investem mais em inovação e tecnologia – setores que impulsionam o crescimento sustentável.

A consequência dessa falta de diversificação é clara: os investidores brasileiros estão mais expostos a oscilações econômicas locais e ciclos de commodities, sem aproveitar o crescimento de setores estratégicos globais.

Sendo assim, investir fora do Brasil não é apenas uma alternativa interessante – é uma necessidade. A diversificação internacional permite:

  • Reduzir riscos ao equilibrar a carteira com ativos menos correlacionados ao Brasil.
  • Acessar mercados mais estáveis e inovadores, com oportunidades que simplesmente não existem por aqui.
  • Proteger o patrimônio contra choques econômicos e instabilidades locais.

Agora, que tal olhar para essa questão de outra forma?

O tamanho do Brasil no cenário global

O gráfico abaixo compara a capitalização de mercado e a liquidez de diferentes bolsas ao redor do mundo. O que ele nos diz?

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  • Os EUA dominam o cenário, com um mercado de US$ 42,2 trilhões.
  • A Europa (excluindo Rússia) vem em seguida, com US$ 8,2 trilhões, seguida pela China (US$ 1,9 trilhão).
  • O Brasil? Apenas US$ 358 bilhões – uma fração minúscula do mercado global.

Além disso, a liquidez do mercado brasileiro é relativamente baixa em comparação com países desenvolvidos e até algumas economias emergentes, como Índia e Taiwan. Isso significa que o mercado local não só é pequeno, como também tem menor profundidade e atratividade para investidores internacionais.

Colocando em termos simples, se você investe só no Brasil, está deixando muitas oportunidades – e dinheiro – na mesa. 

Oportunidade perdida: a evolução das empresas

No gráfico abaixo, podemos considerar outro ponto essencial ao avaliar investimentos globais: a evolução das empresas ao longo do tempo.

 

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Se olharmos para as maiores empresas do Brasil entre 2005 e 2023, vemos praticamente os mesmos nomes: Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco.

Agora, compare isso ao mercado americano:

  • Em 2005, as maiores empresas dos EUA eram de setores mais tradicionais.
  • Em 2023, quase todas eram do setor de tecnologia: Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet (Google).
  • Além disso, o tamanho dessas empresas cresceu exponencialmente.

Ou seja, quem investiu só no Brasil perdeu uma enorme revolução tecnológica – e com isso, oportunidades de multiplicar seu patrimônio.

Se você quer realmente construir riqueza e reduzir riscos, precisa olhar para o mercado global. Afinal, o mundo está cheio de oportunidades – e elas vão muito além das fronteiras brasileiras.

6. Retorno expressivo e consistente

Agora, falando em termos de rentabilidade, os gráficos abaixam ilustram o tamanho da oportunidade que o mercado americano oferece atualmente. 

Começando pelo ativo mais seguro do mundo, o Tesouro Americano – ao investir nesses títulos, você está basicamente emprestando dinheiro ao governo dos Estados Unidos.

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Nos últimos 10 anos, a mediana de retorno desses títulos foi de 1,8% ao ano. Atualmente, ela está em 4,6%. Ou seja, o prêmio para correr praticamente o mesmo risco mais que dobrou.

Isso significa que, sem precisar aumentar sua exposição ao risco, já é possível obter um retorno muito mais interessante do que no passado.

Se avançarmos para ativos com um pouco mais de risco, como bonds corporativos, a diferença fica ainda mais evidente, como é possível verificar no gráfico abaixo.

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Os retornos desses títulos são significativamente maiores do que muitos dos investimentos tradicionais no Brasil. Mesmo IPCA + 6%, um número que muitos investidores brasileiros consideram excelente (quase mágico no mercado), já pode ser encontrado em dólares ao investir no Tesouro Americano – como mostrado no gráfico anterior.

Agora, se olharmos para bonds com taxas de dólar +8%, os ganhos são ainda mais expressivos:

Retorno acumulado: +354% – superando com folga os principais indicadores brasileiros.

E o melhor? Essas taxas estão acessíveis para investidores brasileiros. Hoje, na plataforma da XP, encontramos exemplos como:

  • Movida: 11,15% a.a. em dólar
  • Brava Energia: 7,15% a.a. em dólar

São oportunidades reais de aumentar seus rendimentos sem precisar depender apenas da economia brasileira.

Bolsa americana: efeito do dólar na rentabilidade

Agora, olhando para ativos com mais risco e volatilidade envolvidos, veja no gráfico abaixo o impacto da valorização do dólar ao investir na bolsa americana.

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Entre 2014 e 2024, o retorno do S&P 500 em real, utilizando o IVVB11 (fundo que replica o índice em reais), por exemplo, seu retorno teria sido +165% – já acima do Ibovespa e do CDI no mesmo período.

Mas e se o investimento fosse feito diretamente em dólar, comprando o VOO (ETF que replica o S&P 500), por exemplo?

O retorno teria sido +453% – ou seja, 3,2 vezes maior.

É uma diferença absurda! 

Investir em mercados desenvolvidos não é apenas uma questão de retorno – é uma estratégia essencial para aumentar seu patrimônio com mais consistência e proteção.

7. Aguardar o “momento certo” de fazer o câmbio pode custar caro… (custo oportunidade)

Você chegou até aqui, entendeu a importância de investir em dólar, mas na hora de comprar… fica “esperando o dólar baixar”!

Sinto lhe dizer, mas você está caindo no viés da ancoragem, preso em um preço que viu meses atrás, torcendo para que ele volte ao mesmo patamar. E outra, é bem possível que lá atrás você também não comprou, porque acreditava que o preço daquele momento também estava caro. Afinal, “a política ia melhorar”, “o cenário ia estabilizar”, “um evento importante ia fazer o dólar cair”… É um ciclo ineficiente demais! 

E pode ser que até volte, mas o quero te mostrar abaixo é que muito possivelmente não vale a pena! 

A verdade é que essa história é antiga… Sempre tem aquela pessoa que vai falar que agora está caro demais. Já foi assim quando estava a R$2,10, R$4,20, R$5,50… Mas a verdade é: o dólar mais caro é o que você não tem, como mostra a imagem abaixo. 

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No gráfico, comparamos dois investidores:

Investidor 1: comprou dólar a R$5,76 em setembro de 2020 e aplicou no S&P 500.
Investidor 2: esperou o dólar cair abaixo de R$5 e só investiu em março de 2022.

Na teoria, o Investidor 2 teria feito um negócio melhor, já que comprou a moeda mais barata.

Na prática, o resultado foi outro.

O Investidor 1 acumulou um retorno muito maior simplesmente porque ficou investido por mais tempo. Isso aconteceu porque o mercado americano continuou crescendo e, mais importante, o dólar não parou de oscilar.

A moral da história? Tentar acertar o “melhor momento” para comprar dólar pode te fazer perder grandes oportunidades no longo prazo.

Existe um ditado popular que diz “o câmbio existe para humilhar os economistas”. O dólar é um dos ativos mais difíceis de “prever”, já que é influenciado por inúmeros fatores econômicos, políticos e globais.

Os investidores experientes não tentam adivinhar a mínima. Eles sabem da importância de manter parte do patrimônio dolarizado e fazem isso de forma estruturada:

  • Compram dólar aos poucos (fazendo preço médio)
  • Mantêm a exposição recomendada, fazendo balanceamento constante
  • Aproveitam o crescimento de mercados desenvolvidos sem perder tempo tentando especular o câmbio

Dolarizar sua carteira não é uma opção, é uma necessidade

Ao longo deste artigo, vimos como o dólar já faz parte do nosso dia a dia — mesmo que muitos não percebam. Nosso custo de vida já está dolarizado, mas a maior parte dos brasileiros ainda mantém 100% do seu dinheiro investido em reais — somos um dos países com o maior viés doméstico do mundo. Essa contradição pode representar um risco significativo para o seu patrimônio.

A desvalorização do real ao longo das décadas, a inflação historicamente mais alta no Brasil e a limitação de oportunidades no mercado local são apenas alguns dos fatores que reforçam a importância de investir no exterior. Além disso, os melhores ativos e setores do mundo estão fora do Brasil, com retornos mais consistentes, maior liquidez e oportunidades que simplesmente não existem por aqui.

Esperar o “momento certo” para começar pode custar caro. O dólar já esteve a R$2, R$4, R$5… e sempre houve quem dissesse que estava caro demais. Mas o fato é que o dólar mais caro é aquele que você não tem. Investidores experientes sabem que a melhor estratégia não é tentar prever o câmbio, e sim diversificar aos poucos, construir um preço médio e garantir exposição aos mercados globais ao longo do tempo.

Se você deseja construir riqueza de forma sustentável e proteger seu poder de compra contra incertezas, chegou a hora de reavaliar sua estratégia. Não deixe seu patrimônio vulnerável a um único mercado. Dolarizar a carteira é um passo fundamental para investidores que pensam no longo prazo.

Quer entender qual a porcentagem ideal de dólares para sua carteira e como investir com segurança nos EUA? Me chame no botão abaixo!

 

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