Análise & Opinião

Uma menina em Wall Street

2 Minutos de leitura

Por Thiago Goulart

Com as mãos na cintura e a cabeça erguida, uma pequena garota se posta desafiadora em frente ao Touro de Wall Street, no cruzamento da Broadway com a Whitehall Street, em Manhattan.

A escultura em bronze, apesar de pequena, representa a força e a resiliência feminina no centro do coração financeiro do mundo.

Mas isso nos diz mais. Não há limites ou medo para adquirir conhecimento dentro do mercado financeiro. E as mulheres têm provado isso.

Relatório do Banco Mundial

iStock 649795922 Uma menina em Wall Street

Fearless Girl, escultura de bronze criada por Kristen Visbal. Em dezembro de 2018, a estátua foi instalada em frente à Bolsa de Valores de NY.

Alguns dados do Banco Mundial revelam o poderio feminino, mas também demonstram o que está potencialmente por vir. Segundo o relatório, as mulheres são mais de 40% da mão de obra global. No entanto, apenas 20% tem faturamento mensal superior a R$ 30 mil.

Quando se mensura o público universitário, as mulheres já ultrapassam a metade das vagas. Os números também confirmam que o nível de preparação para o mercado financeiro é superior ao masculino.

Os mais ricos segundo a Forbes

Por outro lado, ainda persiste dentro do cenário global, razoável desproporção. A Forbes, por exemplo, publicou recentemente o ranking anual das pessoas mais ricas do mundo. As mulheres começam a partir do 12º lugar, com a Françoise Bettencourt.

No top 100, apenas 11 mulheres aparecem. Se contabilizarmos no Brasil, nas 20 primeiras posições, a única é Ana Lucia de Mattos Villela.

Investimentos, investidoras

Quanto aos investimentos na Bolsa de Valores (B3) o desequilíbrio se repete. Em 2002, havia 82,37% de investidores Pessoa Física Homens, contra 17,63% mulheres. A proporção 17 anos depois continua muito próxima: 77,51% homens contra 22,49% mulheres. No total, 11,08% das mulheres investem na Bolsa.

Apesar dos números tímidos, o crescimento percentual de novas investidoras mulheres é maior do que o crescimento de novos investidores homens. Elas, nestes 17 anos, aumentaram em 1007,88%, enquanto que os homens aumentaram sua participação em 718%.

Mulheres e economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou um estudo e concluiu que as mulheres mais fortes financeiramente apresentam maior probabilidade de investir no bem-estar da família e tomar decisões financeiras mais inteligentes, voltadas principalmente à educação e saúde.

Para a economia, isso tem um efeito muito positivo via crescimento econômico e redução da desigualdade social.

Fearless Girl

A garota sem medo’, em frente ao touro, é um símbolo e a mensagem está clara. Logo abaixo da estátua, encontramos uma placa com os seguintes dizeres: “Know the power of women in leadership. She makes a difference”.

 

*Jornalista / Editor do Blog Valor Educação

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