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Combustível caro: de quem é a culpa?

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combustivel Combustível caro: de quem é a culpa?

Recentemente, o Uber descadastrou cerca de 1.600 motoristas em virtude do elevado número de cancelamento de corridas. O motivo? O preço dos combustíveis.

No início do ano passado, os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais a Rússia – denominada Opep+ – concordaram em reduzir a produção em 9,7 milhões de barris, por dia, para fazer frente à queda da demanda provocada pelas medidas de isolamento social.

Agora, com a retomada gradual da economia, a oferta não é suficiente para atender à demanda crescente. Os contratos futuros do petróleo tipo Brent, que baliza os preços praticados pela Petrobras (PETR3/PETR4) encerrou o mês de outubro a US$ 83,25, maior cotação em três anos. Por ser uma commodity extremamente relevante em toda cadeia de produção, essa alta acaba pressionando os índices de inflação no Brasil e no mundo.Além da alta do barril de petróleo em dólares, outro fator que joga contra o bolso dos brasileiros é o câmbio. Com o real cada vez mais depreciado (1 US$ = R$ 5,50), o preço do petróleo em reais fica ainda mais caro. Em setembro de 2018, por exemplo, quando o barril de petróleo custava o mesmo do que os atuais 83 US$, o preço médio do litro da gasolina nos postos era de R$ 4,34 (R$4,95 a valores atuais).

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Fonte: Pílula Capital.

No entanto, hoje, o preço médio do litro da gasolina já passa de R$6,00.

O que mudou de 2018 para cá para que o dólar se tornasse o grande vilão?

Na administração Dilma Rousseff (2010-2016), para evitar uma escalada da inflação, o governo evitava reajustar os preços administrados, como os da energia elétrica e dos combustíveis. Na prática,  a Petrobras subsidiava o preço para segurar as variações e os ajustes nos preços ocorriam algumas vezes ao ano, e não diariamente. Essa política de preços fez com que a Petrobras se tornasse uma das empresas mais endividadas do mundo.

No governo Michel Temer (2016), a Petrobras alterou a sua política de preços de combustíveis para seguir a paridade com o mercado internacional. Os preços de venda dos combustíveis praticados pela estatal passaram a seguir o valor do petróleo no mercado internacional e a variação cambial. Dessa forma, uma cotação mais elevada da commodity e/ou uma desvalorização do real têm potencial para contribuir com uma alta de preços no Brasil, por exemplo.

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Mas o remédio foi amargo: a mudança de preços chegou a ser diária e acabou desencadeando a greve dos caminheiros em 2018. A manifestação custou o cargo de Pedro Parente, então presidente da Petrobras. Na gestão atual, a Petrobras ainda diz manter a paridade do preço dos combustíveis, mas os reajustes acontecem numa frequência menor.

Vale a pena destacar ao leitor que o preço praticado pela Petrobras representa aproximadamente apenas 33% do custo final na bomba dos postos de combustível. Trata-se do % de Realização da Petrobras, valor pago pelas distribuidoras para a Petrobras quando o combustível sai da refinaria. Ou seja, a Petrobras cobra das distribuidoras R$ 2,33 pela gasolina que pagamos hoje R$ 7,00.

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Fonte: Petrobras.

Diante desse cenário, o que fazer? 

Uma das possíveis soluções seria voltar à política de preços anterior e permitir a interferência política na formação do preço do combustível, em vez de este ser determinado pelo mercado internacional. Mas essa política desastrosa poderia levar a empresa à falência.

No dia 13 de outubro a Câmara aprovou o novo ICMS sobre combustíveis. O PLP determina que o ICMS sobre combustíveis adotará alíquotas específicas, fixadas a cada 12 (doze) meses e tendo como teto a média de preços (PMPF) dos últimos dois anos. Segundo o parecer do deputado Dr. Jaziel (PL-CE), poderá haver redução média de 8% na gasolina comum, 7% no etanol hidratado e 3,7% no diesel tipo “B”. Enquanto essa mudança não surge efeito, sugerimos algumas soluções paliativas:

(i) Caso precise viajar de um estado para o outro, veja atentamente o seu roteiro;

(ii) Por enquanto, o ideal é tentar abastecer somente com a gasolina comum ao invés da premium;

(iii) Sempre que possível, utilize transporte público ou bicicleta para se deslocar, ao invés do carro ou motocicleta;

(iv) Assim, antes de abastecer em qualquer local, verifique e faça pesquisas de como a tabela de preço da gasolina está naquele momento, para que possa comparar os valores.

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