Análise e Opinião

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Resposta dos Bancos Centrais à inflação

Por
Pedro Lang

Tô sumido, eu sei. Já faz algumas semanas desde nossa última coluna, mas prometo compensar nessa.

Nas semanas que se passaram os mercados mantiveram a tônica dos meses anteriores e ainda estamos sofrendo a conta gotas em espera pela resposta dos bancos centrais mundiais à escalada da inflação.

Assim como de costume, na primeira sexta-feira do mês de outubro é divulgado para o mercado o dado de geração de empregos na economia americana. No dia 7, vimos um dado assustador, e creio que terei dificuldades para explicar, mas vamos lá.

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Fonte: investing.com

Era esperado que a economia americana criasse 250 mil postos de trabalho no mês anterior e na verdade acabou gerando 263 mil vagas. Esperava-se que o desemprego por sua vez fosse de 3,7% assim como no mês de agosto, entretanto a taxa caiu ainda mais para 3,5%. Mas por que diabos isso pode ser interpretado como ruim?

Grande parte do problema do aumento de preços da economia americana é justificado pela demanda altíssima por produtos e até mesmo escassez de alguns outros. Um mercado de trabalho tão forte mantém ou até mesmo aumenta a demanda pelos produtos. Seguindo a lei básica da economia da oferta e da demanda, e pressupondo que a oferta de produtos é inelástica (não aumenta nem diminui) no curto prazo, temos que qualquer aumento de demanda acaba gerando aumento de preço.

Perdão pelo parágrafo em economês, mas de maneira geral:

Aumento de emprego à aumento de renda à aumento de consumo à aumento de preços

E resgatando um pouco do que tenho comentado nas colunas, o principal desafio do mundo é o controle do aumento de preços. Os bancos centrais tem elevado suas taxas básicas de juros para controlar essa escalada e até aqui, ao que parece, não tem sido bem sucedidos.

Ai vem o problemão, como faltam instrumentos que tenham atuação no curto prazo, a condução da política monetária de aumento de juros é o cavalo solitário para a maior parte das economias no combate ao dragão. Como o aumento de juros, até aqui, não freou o aumento de juros, o jeito é aumentar mais.

E se não resolver o problema? Aumenta mais ainda.

Nosso grande medo é esse, e os dados das últimas semanas não ajudaram muito em diminuir esse temor. A tão sonhada “aterrissagem suave” das economias após anos de crescimento econômico parece cada vez mais impossível e a recessão global cada vez mais uma realidade.

Qual o impacto disso tudo nas nossas vidas? Vou quebrar por cada problema.

Inflação

Para o trabalhador destrói o poder de compra do dinheiro e diminui a renda renda disponível.

Para o empresário posterga decisões de investimento e…

Juros

Para o trabalhador significa menor acesso ao crédito (que fica mais caro), menos oportunidades de emprego, menor propensão a consumir.

Para o empresário significa menor propensão a investir (correr riscos) e menos projetos viáveis.

De maneira geral, essas condições de aperto monetário e de aumento de inflação são destruidoras de riqueza e causam prejuízos à população.

Não atoa estamos passando por uma das piores performances da bolsa de valores americana dos últimos anos. Abaixo um quadro mostrando todas as quedas acima de 5% do S&P 500 e os motivos que o levaram a tal:

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Fonte: @charliebiello no twitter

A bolsa é um bom termômetro do patrimônio de todos os cidadãos e representa muito bem como nossa riqueza evolui em momentos de tensão.

Para a próxima semana, volto a falar do efeito do aumento de juros mas dessa vez em relação a preocupacao com a saúde financeira dos bancos europeus.

Até.

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