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Copom eleva a Selic para 4,25%. Como ficam os investimentos?

10 Minutos de leitura

O Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a elevar a taxa Selic (juros básicos) pela terceira vez consecutiva em 0,75 ponto percentual, para 4,25% ao ano. Com isso, os juros retornaram ao patamar de fevereiro de 2020, anterior à pandemia. Em regra, pelo lado dos investimentos, quando a Selic aumenta a classe de ativos que compõem a renda fixa ganha maior atratividade.

Fonte: Banco Central.

Fonte: Banco Central.

Por outro lado, apesar do Copom ter elevado a taxa básica de juros, alguns analistas têm afirmado que o ambiente ainda continua favorável aos investimentos em renda variável, já que a inflação está acelerada. A depender do perfil de cada investidor, talvez seja um bom momento para rebalancear a carteira de investimentos, uma vez que o mercado ainda está fortemente ancorado na expectativa de um aquecimento da economia no segundo semestre com a aceleração das vacinas contra a Covid-19.

Outro tópico para ressaltar é a inflação. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 0,83% em maio e acumula alta de 8,06% nos últimos 12 meses e de 3,22% nos cinco primeiros meses desse ano, segundo o IBGE. No entanto, por mais que as sinalizações do Copom sejam de um ciclo de alta dos juros, o patamar alcançado pela Selic em 4,25% ao ano ainda é baixo, vide o histórico inflacionário do país.

Veja também qual será o retorno – valor após 1 ano, descontada a inflação de 5,82% projetada pelo Banco Central, via boletim Focus – de R$ 1.000,00 com a Selic a 4,25% ao ano.

rentabilidade Copom eleva a Selic para 4,25%. Como ficam os investimentos?

Fonte: Estadão/Infográfico

TÓPICOS DO POST

Analisando a inflação atual

Sinalizações e expectativas do Copom

Um pouco mais sobre a inflação

Princípios básicos: demanda e oferta

Como ficam os investimentos? Renda Fixa

Como ficam os investimentos? Renda Variável

Diversificar diminui os riscos e as incertezas

 

Analisando a inflação atual

Primeiro, é importante destacar que as reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias e são acompanhadas de perto por todos os participantes do mercado. Por isso, é bom ficar atento aos números do Boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central, para que você, como investidor, crie a sensibilidade do impacto desse boletim nos preços de seus títulos. Assim, saber das previsões do mercado pode ajudá-lo a aplicar seus recursos onde traga maior retorno.

O Banco Central tem sido pressionado por uma inflação persistente e por uma economia que tem ganhado tração aos poucos.  Ainda prevalece o diagnóstico de que o esticão inflacionário não tem acontecido por aumento de uma demanda interna, mas por choque de oferta. Inflação de demanda é a que acontece com aumento da procura por bens e serviços descasada de oferta equivalente. A atual inflação não se explica pelo aumento da demanda porque o desemprego continua alto (14,7%) e o consumidor brasileiro perdeu renda durante a pandemia. ,

A inflação atual é mais de custos do que de demanda, porque vem empurrada pela alta das commodities decidida no exterior. Por isso, não caberia reforçar o aumento dos juros, que é reduzir o volume de moeda na economia, para conter a demanda. O que pode atenuar a inflação é o comportamento do câmbio, que tem girado em torno dos R$ 5,00. Isso significa que os preços importados, especialmente dos alimentos e dos combustíveis, enfrentarão importante fator de baixa.

Sinalizações e expectativas do Copom

O Copom decidiu aumentar a taxa Selic para 4,25% ao ano. Segundo o conselho do Banco Central, a atualização do cenário básico pode ser descrita por meio das seguintes observações:

  • No cenário externo, estímulos fiscais e monetários em alguns países desenvolvidos promovem uma recuperação robusta da atividade econômica. Devido à presença de ociosidade, a comunicação dos principais bancos centrais sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, a incerteza segue elevada e uma nova rodada de questionamentos dos mercados a respeito dos riscos inflacionários nessas economias pode tornar o ambiente desafiador para países emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia, os indicadores recentes continuam mostrando evolução mais positiva do que o esperado, implicando revisões relevantes nas projeções de crescimento. Os riscos para a recuperação econômica reduziram-se significativamente;
  • A persistência da pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do Real. O Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,05*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,8% para 2021 e 3,5% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 6,25% a.a. neste ano e para 6,50% a.a. em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 9,7% para 2021 e 5,1% para 2022. Adota-se uma hipótese neutra para a bandeira tarifária de energia elétrica, que se mantém em “vermelha patamar 1” em dezembro de cada ano-calendário.

Um pouco mais sobre a inflação

Quando ouvimos dizer que a inflação está em alta logo sentimos no bolso esta consequência, ou seja, a inflação corrói o poder de compra das pessoas. Ninguém gosta de inflação alta. A primeira relação que fazemos é instantânea: inflação está atrelada ao aumento dos preços desde os produtos mais cotidianos que consumimos aos mais sofisticados.

A inflação também está ligada ao nosso poder de compra, ou seja, o quanto podemos consumir sem que o salário seja corroído. Uma vez que a inflação esteja em alta, isso prejudica a nossa referência do que está caro ou barato. É justamente por isso que o governo procura manter a inflação sob controle por meio de um sistema denominado Meta de Inflação. O sistema prevê ainda um intervalo de tolerância.

Segundo o Banco Central, nos últimos anos o Conselho Monetário Nacional (CMN) tem definido um intervalo de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima e para baixo. Por exemplo, no caso de 2020, a meta é de 4,00% e o intervalo é de 2,50% a 5,50%.

Se a inflação ao final do ano se situar fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, por meio de carta aberta ao Ministro da Fazenda e ao presidente do CMN, contendo descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Veja o gráfico abaixo disponibilizado pelo Banco Central, no acumulado dos últimos 12 meses, cuja inflação se encontra em 8,06%:

inflacao Copom eleva a Selic para 4,25%. Como ficam os investimentos?

Fonte: Banco Central.

A preocupação, hoje, é a de que a pressão inflacionária tem sido maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. Além disso, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do Real.

Em nota, o Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos.

Princípios básicos: demanda e oferta

Um conceito fundamental e básico da economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura. Essas duas palavras nos ajudam a compreender o conceito de inflação.

Exemplo: se muitas pessoas desejam comprar um produto, é natural que o preço suba, ou seja, quanto maior for a procura por algo, maior será o preço ofertado.

Dessa forma, se a economia de um país está crescendo, com baixo índice de desemprego e ganhos de renda dos trabalhadores, os preços tendem naturalmente a subir. Por outro lado, se a economia vai

juros e inflacao Copom eleva a Selic para 4,25%. Como ficam os investimentos?mal e muitas pessoas param de comprar, apertando o orçamento, os preços tendem a cair ou ficar estáveis.

É sob essas considerações que o governo atua com o fim de controlar a inflação. Assim, a taxa básica de juros (Selic) nos indica quais são as sinalizações emitidas pelo Banco Central.

Veja a imagem ao lado que sintetiza a subida ou a redução da taxa de juros.

Diante disso, é bom lembrar que o Brasil passou por um momento de enorme crise. E, pelo exemplo mencionado anteriormente, a sinalização do Banco Central em baixar os juros, torna-se essencial para ajustar os indicadores da economia. Este é um passo muito relevante para estimular a confiança dos agentes econômicos e da população.

Como ficam os investimentos?

Não existe uma regra ou uma bala de prata que diga definitivamente que um determinado investimento será excelente e trará sempre retorno. A tríade risco-retorno-liquidez sempre sofrerá impactos no mercado financeiro. Assim, avaliar o tempo e o objetivo dos investimentos são bons aliados no momento de alocar os recursos. Sobre isso, aliás, há uma discussão muito interessante no podcast Valor de Mercado.

Juros a 4,25% ainda nos permite afirmar que, para ter mais retorno, é necessário arriscar-se um pouco mais. Assim, existem aplicações no mercado que das classes de ativos mais conservadores, passando pelos moderados e arrojados. Nesse sentido, daremos destaque às duas modalidades de investimentos mais recorrentes na vida do investidor: a Renda Fixa e a Renda Variável.

Renda Fixa

Poupança – É a menos atrativa da lista de ativos disponíveis no mercado, pela baixíssima rentabilidade perdendo ao longo do ano até para inflação. Isso significa que a poupança não tem garantido nem a devolução do que o investidor perde com a inflação.

CDB – No curto prazo, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), pós-fixado atrelado ao CDI não tem sido uma opção interessante, mas no médio e longo prazos (acima de 18 meses), sim. Os atrelados ao IPCA também são interessantes, porque vão corrigir o retorno pela inflação e ainda dar um cupom de juros, gerando ganho real nessa aplicação. Em outras palavras, o investidor mais conservador pode encontrar algo em títulos públicos mais rentáveis que os atrelados à Selic.

LCI e LCA – A vantagem desses instrumentos (Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio) é a isenção do IR. Portanto, há um retorno maior do que aplicar em outro ativo que não tenha essa opção, como é o caso do CDB. A lógica para as letras é a mesma: mais atrativa se for no longo prazo porque, com a previsão de novos aumentos para a Selic nos próximos meses, o investidor terá a chance em embolsar um ganho real, ou seja, acima da inflação.

Fundos DI – Têm retornos baseados no CDI, que segue a Selic. Em momentos de alta dos juros, tendem a ser uma opção interessante. Mas é cobrada uma taxa de administração, o que diminui o ganho final.

Tesouro Direto – Os títulos pós-fixados como a LFT (Tesouro Selic) ou as NTN-B (atreladas à inflação) são os mais interessantes no momento.

Debêntures – Outra opção com o atual cenário pode ser em ativos – debêntures incentivadas –  que têm rendimentos isentos de Imposto de Renda, como Fundos de Debêntures (títulos emitidos por empresas), na Renda Fixa, pois, apesar de serem títulos de Renda Fixa, normalmente são atreladas à inflação (IPCA), garantindo um juros real (acima da inflação).

Renda Variável

Fundos Imobiliários – Isentos de Imposto de Renda, os Fundos Imobiliários (FIIs) são considerados, para quem nunca investiu em Renda Variável, um primeiro passo para investir em ações, gerando rendimentos mensais a títulos de “aluguel” de imóveis reais de alto padrão (prédios corporativos, hospitais, galpões logísticos, entre outros). Também gravamos um podcast que trata especificamente dos FIIs.

Os juros baixos tendem a ser desfavoráveis ao mercado imobiliário e seus respectivos fundos, que podem ser medidos pelo Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix). Mas o setor anda aquecido e pode ser uma boa alternativa.

Fundos de Ações ou Multimercados – O investidor que não conhece bem o funcionamento da Bolsa de Valores deve começar suas aplicações por meio de um Fundo de Ações, que possui um gestor que constrói a carteira. Há ainda os Fundos Multimercados, com maior flexibilidade por poder investir em vários produtos ao mesmo tempo. Fundos Multimercado são considerados uma porta de entrada para investimentos de maior risco, pois misturam renda fixa com renda variável no mesmo pote e podem se beneficiar tanto de produtos pós-fixados, quanto dos atrelados ao IPCA.

Ações – As ações na Bolsa ainda ganha mais atratividade com a queda da rentabilidade de outros produtos. Em função de boas perspectivas para a economia, como a aprovação da reforma da Previdência, o Ibovespa tende a subir mais, o que aumenta o valor de muitas empresas, especialmente as de commodities, bancos, empresas varejistas e de infraestrutura.

Diversificar diminui os riscos e as incertezas

Tornou-se um clichê entre os investidores, mas é sempre bom relembrar: diversificar seu dinheiro é a regra de ouro no mundo das finanças. Assim, no percurso em busca de mais retorno, você deve evitar alocar todos os seus recursos em um único produto financeiro, diminuindo seus riscos, além de tornar seu portfolio de investimentos resiliente face a um cenário de incertezas.

Dê um passo de cada vez e lembre-se que para cada objetivo há uma recomendação. Peça ajuda a um assessor de investimentos se estiver em dúvidas antes de tomar qualquer decisão. Entre em contato com os nossos especialistas!

É perceptível que a mudança da taxa Selic impacta muito a economia, tendo reflexo direto sobre o consumo, sobre a inflação e sobre os seus investimentos. Saiba que, cada vez mais, suas escolhas terão de ser cautelosas e eficientes para rentabilizar mais os investimentos de forma inteligente e segura.

Thiago Goulart scaled Copom eleva a Selic para 4,25%. Como ficam os investimentos?

Quem escreve?
Thiago Goulart
Editor do Blog Vai Investir e do podcast Valor de Mercado.

Professor e jornalista pela PUC-SP com ênfase em economia, tendo atuado como repórter político na Câmara Municipal de São Paulo.

E-mail: [email protected]

 

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Sobre o autor
Thiago Goulart é o Editor da Vai Investir e do podcast Valor de Mercado. Adora praticar tênis, ler, escutar música e estar na presença de amigos e família. Graduado em Letras pela UFES e em Jornalismo pela PUC-SP, está se tornando também especialista em finanças com o MBA no tema pela PUC- RS. Com uma longa carreira em sala de aula, desenvolveu a habilidade e sensibilidade para conectar pessoas a conhecimentos. Hoje, aplica essa experiência de maneira mais específica para o mercado financeiro, por quase 3 anos sendo o principal responsável pelo desenvolvimento e curadoria de conteúdo para a Valor Investimentos e Vai Investir.
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