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Copom eleva a Selic para 12,75%. Como ficam os investimentos?

Por
Thiago Goulart

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou o mês de maio com mais uma alta de 1 ponto porcentual da Selic e sacramentou o retorno aos dois dígitos da taxa básica de juros, que passou de 11,75% para 12,75% ao ano – o maior patamar desde fevereiro de 2017.

Em regra, pelo lado dos investimentos, quando a Selic aumenta, a classe de ativos que compõem a renda fixa ganha maior atratividade, principalmente títulos pré-fixados. Este bom momento para rebalancear a carteira de investimentos.

A inflação é outro ponto importante. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um dos principais objetivos do BC é manter a inflação sob controle, e o instrumento usado para alcançar isso é a taxa de juros. Historicamente, juros altos ajudam a esfriar a economia. Mas a disparada de preços não tem dado trégua. No acumulado dos últimos 12 meses a inflação atingiu 10,06%, acima do teto da meta (de 5,25%).

Veja, abaixo, como ficam as aplicações financeiras com o retorno de R$ 5 mil com a Selic a 12,75%.

 

TÓPICOS DO POST

Analisando a inflação atual

Primeiro, é importante destacar que as reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias e são acompanhadas de perto por todos os participantes do mercado. Por isso, é bom ficar atento aos números do Boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central, para que você, como investidor, crie a sensibilidade do impacto desse boletim nos preços de seus títulos. Assim, saber das previsões do mercado pode ajudá-lo a aplicar seus recursos onde traga maior retorno.

A inflação se mostrou mais pressionada que o esperado no início deste ano.  O IPCA-15 de janeiro, primeira prévia da inflação no ano, mostrou pressão em diferentes setores da economia. A média dos núcleos, medidas que capturam tendência subjacente da inflação, segue rodando acima de 10% na margem. E quando olhamos para os preços aos produtores, enxergamos pressões de repasse adicional da alta de custos ao longo dos próximos meses.

Ademais, o aumento dos preços das commodities em janeiro, especialmente do petróleo, contribui para o cenário de inflação mais persistente. A recente apreciação da taxa de câmbio mitiga parte, mas não todo o impacto sobre os preços domésticos.

Mesmo com a maior pressão no curto prazo, a inflação em 12 meses deverá ceder ao longo do ano. Essa expectativa reflete tarifas de eletricidade mais baixas (projeta-se deflação de 6% em 2022) e acomodação dos preços de alimentos e gasolina (estima-se elevação de 4,5% e 5%, respectivamente). Esses três itens responderam por 57% da inflação ao consumidor vista em 2021.

Sinalizações e expectativas do Copom

Em sua 246ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,75% a.a.

A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • O ambiente externo seguiu se deteriorando. As pressões inflacionárias decorrentes da pandemia se intensificaram com problemas de oferta advindos da nova onda de Covid-19 na China e da guerra na Ucrânia. A reprecificação da política monetária nos países avançados eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom indica um crescimento em linha com o que era esperado pelo Comitê;
  • A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente. Essa surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis como nos itens associados à inflação subjacente;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 7,9% e 4,1%, respectivamente; e
  • No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,95*,­ evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). Optou-se por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura de mercado até o fim de 2022, terminando o ano em US$100/barril e passando a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2022 e dezembro de 2023. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 7,3% para 2022 e 3,4% para 2023. As projeções para a inflação de preços administrados são de 6,4% para 2022 e 5,7% para 2023. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual.

 

Um pouco mais sobre a inflação

Quando ouvimos dizer que a inflação está em alta logo sentimos no bolso esta consequência, ou seja, a inflação corrói o poder de compra das pessoas. Ninguém gosta de inflação alta. A primeira relação que fazemos é instantânea: inflação está atrelada ao aumento dos preços desde os produtos mais cotidianos que consumimos aos mais sofisticados.

A inflação também está ligada ao nosso poder de compra, ou seja, o quanto podemos consumir sem que o salário seja corroído. Uma vez que a inflação esteja em alta, isso prejudica a nossa referência do que está caro ou barato. É justamente por isso que o governo procura manter a inflação sob controle por meio de um sistema denominado Meta de Inflação. O sistema prevê ainda um intervalo de tolerância.

Se a inflação ao final do ano se situar fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, por meio de carta aberta ao Ministro da Fazenda e ao presidente do CMN, contendo descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Veja o gráfico abaixo disponibilizado pelo Banco Central sobre a inflação:

Princípios básicos: demanda e oferta

Um conceito fundamental e básico da economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura. Essas duas palavras nos ajudam a compreender o conceito de inflação.

Exemplo: se muitas pessoas desejam comprar um produto, é natural que o preço suba, ou seja, quanto maior for a procura por algo, maior será o preço ofertado.

Dessa forma, se a economia de um país está crescendo, com baixo índice de desemprego e ganhos de renda dos trabalhadores, os preços tendem naturalmente a subir. Por outro lado, se a economia vai

mal e muitas pessoas param de comprar, apertando o orçamento, os preços tendem a cair ou ficar estáveis.

É sob essas considerações que o governo atua com o fim de controlar a inflação. Assim, a taxa básica de juros (Selic) nos indica quais são as sinalizações emitidas pelo Banco Central.

Veja a imagem ao lado que sintetiza a subida ou a redução da taxa de juros.

Diante disso, é bom lembrar que o Brasil passou por um momento de enorme crise. E, pelo exemplo mencionado anteriormente, a sinalização do Banco Central em baixar os juros, torna-se essencial para ajustar os indicadores da economia. Este é um passo muito relevante para estimular a confiança dos agentes econômicos e da população.

Como ficam os investimentos?

Não existe uma regra ou uma bala de prata que diga definitivamente que um determinado investimento será excelente e trará sempre retorno. A tríade risco-retorno-liquidez sempre sofrerá impactos no mercado financeiro. Assim, avaliar o tempo e o objetivo dos investimentos são bons aliados no momento de alocar os recursos. Sobre isso, aliás, há uma discussão muito interessante no podcast Valor de Mercado.

Renda Fixa

Os analistas preveem um ano muito volátil para a renda variável em 2022 por causa das eleições. Além disso, a alta da inflação estará presente tanto por fatores domésticos quanto internacionais. Não há perspectiva de melhora no câmbio também.

Nesse ambiente, os especialistas recomendam outras aplicações de renda fixa aos investidores que querem tirar proveito da alta da taxa básica de juros. Entre eles, estão especialmente os papéis atrelados a alguma taxa flutuante, como o CDI ou a Selic, para um prazo mais curto, ou ao IPCA+, para um prazo mais alongado. Já quem quer algo no curtíssimo prazo deve cogitar aplicações isentas de Imposto de Renda.

Apesar de ressaltar que o melhor investimento vai depender do perfil do investidor, ela aponta que, considerando a alta da Selic, o investimento mais indicado continua sendo nos títulos pós-fixados atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que acompanha o movimento da Selic.

Outra recomendação dos especialistas é investir em títulos indexados à inflação, que usam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses papéis oferecem uma proteção contra a inflação para o investidor, desde que ele mantenha o papel até o prazo de vencimento.

Renda Variável

O mês de janeiro corroborou a existência de um exagero nos preços até então praticados em uma parcela significativa das ações da bolsa brasileira. Enquanto as bolsas americanas registraram o pior janeiro desde a crise de 2008, a bolsa Brasileira entregou 6,98% de performance, capitaneada por commodities e bluechips em geral, sendo uma das bolsas que mais se apreciaram no mês. Além disso, o dólar, que fechou dezembro na faixa dos R$ 5,57 agora negocia próximo de R$ 5,30.

Via de regra, quando as bolsas pelo mundo vão mal, como aconteceu mês passado, países emergentes como o Brasil, em geral, tendem a seguir de perto essa performance. Contudo, os preços estavam tão depreciados e os investidores estrangeiros preocupados com a perspectiva de inflação e juros mais altos, que a busca por proteção foi ao encontro das commodities.

E qual é a melhor bolsa do mundo para se comprar commodities? Ora, temos empresas do setor de petróleo, minério, celulose, proteína e commodities agrícolas. Sobre isso, escute o podcast que preparamos para você.

 

Diversificar diminui os riscos e as incertezas

Tornou-se um clichê entre os investidores, mas é sempre bom relembrar: diversificar seu dinheiro é a regra de ouro no mundo das finanças. Assim, no percurso em busca de mais retorno, você deve evitar alocar todos os seus recursos em um único produto financeiro, diminuindo seus riscos, além de tornar seu portfolio de investimentos resiliente face a um cenário de incertezas.

Dê um passo de cada vez e lembre-se que para cada objetivo há uma recomendação. Peça ajuda a um assessor de investimentos se estiver em dúvidas antes de tomar qualquer decisão. Entre em contato com os nossos especialistas!

É perceptível que a mudança da taxa Selic impacta muito a economia, tendo reflexo direto sobre o consumo, sobre a inflação e sobre os seus investimentos. Saiba que, cada vez mais, suas escolhas terão de ser cautelosas e eficientes para rentabilizar mais os investimentos de forma inteligente e segura.

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