Análise e Opinião

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Copom eleva a Selic para 13,75%. Como ficam os investimentos?

Por
Thiago Goulart

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou o mês de junho com mais uma alta de 0,5 ponto porcentual da Selic e sacramentou o retorno aos dois dígitos da taxa básica de juros, que passou de 13,75% para 13,75% ao ano – o maior patamar desde janeiro de 2017.

Em regra, pelo lado dos investimentos, quando a Selic aumenta, a classe de ativos que compõem a renda fixa ganha maior atratividade, principalmente títulos pré-fixados. Este bom momento para rebalancear a carteira de investimentos.

A inflação é outro ponto importante. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um dos principais objetivos do BC é manter a inflação sob controle, e o instrumento usado para alcançar isso é a taxa de juros. Historicamente, juros altos ajudam a esfriar a economia. Mas a disparada de preços não tem dado trégua. No acumulado dos últimos 12 meses a inflação atingiu 11,73%, acima do teto da meta (de 5,25%).

Acompanhe conosco mais informações sobre como a Selic pode influenciar seus investimentos.

Analisando a inflação atual

Quando ouvimos dizer que a inflação está em alta logo sentimos no bolso esta consequência, ou seja, a inflação corrói o poder de compra das pessoas. Ninguém gosta de inflação alta. A primeira relação que fazemos é instantânea: inflação está atrelada ao aumento dos preços desde os produtos mais cotidianos que consumimos aos mais sofisticados.

A inflação também está ligada ao nosso poder de compra, ou seja, o quanto podemos consumir sem que o salário seja corroído. Uma vez que a inflação esteja em alta, isso prejudica a nossa referência do que está caro ou barato. É justamente por isso que o governo procura manter a inflação sob controle por meio de um sistema denominado Meta de Inflação. O sistema prevê ainda um intervalo de tolerância.

Se a inflação ao final do ano se situar fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, por meio de carta aberta ao Ministro da Fazenda e ao presidente do CMN, contendo descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Veja o gráfico abaixo disponibilizado pelo Banco Central sobre a inflação:

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É importante saber também que as reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias e são acompanhadas de perto por todos os participantes do mercado.

Por isso, é bom ficar atento aos números do Boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central, para que você, como investidor, crie a sensibilidade do impacto desse boletim nos preços de seus títulos. Assim, saber das previsões do mercado pode ajudá-lo a aplicar seus recursos onde surja maiores e melhores oportunidades.

As taxas de juros nas principais economias desenvolvidas e nas emergentes estão elevadas, sinalizando que os Bancos Centrais vão fazer apertos monetários, por meio de altas generalizadas dos juros na tentativa de conter a inflação.

Atribui-se, em parte, o surto de inflação no mundo à enorme expansão monetária facilitada, nos últimos anos, por Bancos Centrais do mundo desenvolvido. Merece destaque, nesse balanço, o banco central americano (Federal Reserve).

A política do Fed afeta as condições de financiamento e o movimento de recursos nos principais mercados do mundo. O Brasil, é claro, também é afetado e as decisões tomadas pelo Fomc (Federal Open Market Committee), por exemplo, são relevantes para deliberações sobre o custo do crédito no país.

A inflação tem se mostrado resiliente.  O IPCA no acumulado de 12 meses está em 11,73% e a média dos núcleos, medidas que capturam tendência da inflação, segue rodando acima de 10% na margem. E quando olhamos para os preços aos produtores, enxergamos pressões de repasse adicional da alta de custos ao longo dos próximos meses.

Sinalizações e expectativas do Copom

Em sua 248ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,75% a.a.

A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • O ambiente externo seguiu se deteriorando, marcado por revisões negativas para o crescimento global prospectivo em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias. O aperto das condições financeiras motivado pela reprecificação da política monetária nos países avançados, assim como pelo aumento da aversão a risco, eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom indica um crescimento acima do que era esperado pelo Comitê;
  • A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,90*, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). Esse cenário supõe trajetória de juros que termina 2022 em 13,75% a.a., reduz-se para 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024. Optou-se por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses, terminando o ano em US$110/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de 7,0% para 2022, 6,3% para 2023 e 3,3% para 2024. As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local; e (ii) uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada. Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária. O Comitê avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos.

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 13,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. O Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Princípios básicos: demanda e oferta

Um conceito fundamental e básico da economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura. Essas duas palavras nos ajudam a compreender o conceito de inflação.

Exemplo: se muitas pessoas desejam comprar um produto, é natural que o preço suba, ou seja, quanto maior for a procura por algo, maior será o preço ofertado.

Dessa forma, se a economia de um país está crescendo, com baixo índice de desemprego e ganhos de renda dos trabalhadores, os preços tendem naturalmente a subir. Por outro lado, se a economia vai

juros e inflacaomal e muitas pessoas param de comprar, apertando o orçamento, os preços tendem a cair ou ficar estáveis.

É sob essas considerações que o governo atua com o fim de controlar a inflação. Assim, a taxa básica de juros (Selic) nos indica quais são as sinalizações emitidas pelo Banco Central.

Veja a imagem ao lado que sintetiza a subida ou a redução da taxa de juros.

Diante disso, é bom lembrar que o Brasil passou por um momento de enorme crise. E, pelo exemplo mencionado anteriormente, a sinalização do Banco Central em baixar os juros, torna-se essencial para ajustar os indicadores da economia. Este é um passo muito relevante para estimular a confiança dos agentes econômicos e da população.

Como ficam os investimentos?

Não existe uma regra ou uma bala de prata que diga definitivamente que um determinado investimento será excelente e trará sempre retorno. A tríade risco-retorno-liquidez sempre sofrerá impactos no mercado financeiro.

Assim, avaliar o tempo e o objetivo dos investimentos são bons aliados no momento de alocar os recursos. Sobre isso, aliás, há uma discussão muito interessante no podcast Valor de Mercado.

Renda Fixa

Os analistas preveem um ano muito volátil para a renda variável em 2022 por causa das eleições. Além disso, a alta da inflação estará presente tanto por fatores domésticos quanto internacionais. Não há perspectiva de melhora no câmbio também.

Nesse ambiente, os especialistas recomendam outras aplicações de renda fixa aos investidores que querem tirar proveito da alta da taxa básica de juros. Entre eles, estão especialmente os papéis atrelados a alguma taxa flutuante, como o CDI ou a Selic, para um prazo mais curto, ou ao IPCA+, para um prazo mais alongado. Já quem quer algo no curtíssimo prazo deve cogitar aplicações isentas de Imposto de Renda.

Apesar de ressaltar que o melhor investimento vai depender do perfil do investidor, ela aponta que, considerando a alta da Selic, o investimento mais indicado continua sendo nos títulos pós-fixados atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que acompanha o movimento da Selic.

Outra recomendação dos especialistas é investir em títulos indexados à inflação, que usam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses papéis oferecem uma proteção contra a inflação para o investidor, desde que ele mantenha o papel até o prazo de vencimento.

Renda Variável

Com a alta da Selic, é comum que os investidores assumam menos riscos na renda variável, considerada mais instável, e migrem para a renda fixa, em um movimento que tende a derrubar os preços das ações. Além disso, a alta nos juros costuma ser ruim para as empresas listadas porque aumenta o custo dos financiamentos e pode reduzir os lucros futuros.

Por outro lado, os ativos acionários tendem a estar baratos, já que com o efeito manada de investidores correndo para a renda fixa, a bolsa fique mais fragilizada face às incertezas de países emergentes como o Brasil.

Ainda assim, especialistas aconselham não deixar a renda variável completamente de lado, tendo em vista que o ciclo de alta de juros, que se iniciou em abril do ano passado, fez com que muitos ativos passassem a ser negociados a preços descontados.

As perspectivas de rentabilidade na Bolsa de Valores, aos preços atuais, podem ser bastante superiores às da renda fixa. Setores como o financeiro, por exemplo, que abarca bancos e seguradoras, podem até mesmo ser beneficiados pelo aumento da taxa de juros.

Via de regra, quando as bolsas pelo mundo vão mal, como aconteceu no primeiro trimestre este ano, países emergentes, em geral, tendem a seguir de perto essa performance. Contudo, os preços estavam tão depreciados e os investidores estrangeiros preocupados com a perspectiva de inflação e juros mais altos, que a busca por proteção foi ao encontro das commodities.

E qual é a melhor bolsa do mundo para se comprar commodities? Ora, temos empresas do setor de petróleo, minério, celulose, proteína e commodities agrícolas. Sobre isso, escute o podcast que preparamos para você.

Diversificar diminui os riscos e as incertezas

Tornou-se um clichê entre os investidores, mas é sempre bom relembrar: diversificar seu dinheiro é a regra de ouro no mundo das finanças. Assim, no percurso em busca de mais retorno, você deve evitar alocar todos os seus recursos em um único produto financeiro, diminuindo seus riscos, além de tornar seu portfolio de investimentos resiliente face a um cenário de incertezas.

Dê um passo de cada vez e lembre-se que para cada objetivo há uma recomendação. Peça ajuda a um assessor de investimentos se estiver em dúvidas antes de tomar qualquer decisão. Entre em contato com os nossos especialistas.

É perceptível que a mudança da taxa Selic impacta muito a economia, tendo reflexo direto sobre o consumo, sobre a inflação e sobre os seus investimentos. Saiba que, cada vez mais, suas escolhas terão de ser cautelosas e eficientes para rentabilizar mais os investimentos de forma inteligente e segura.

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