Análise e Opinião

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O que esperar da próxima reunião do Copom?

Por
Luiz Alberto Caser

Essa semana teremos a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Serão dois dias (terça e quarta) de discussões. O comitê terá duas funções primordiais: a primeira está reservada para a definição da nova taxa Selic; enquanto a segunda deverá mostrar aos investidores como o Banco Central está enxergando a inflação.

A Selic está atualmente em 13,25% ao ano. A percepção do mercado é a de que a taxa referencial deverá ser elevada em meio ponto percentual, ou seja, para 13,75% ao ano. E, pela edição mais recente do Relatório Focus, esta pode ser a última elevação do ano.

Outro ponto é a interpretação que BC tem sobre o futuro inflacionário. O dilema está em resolver a equação se o rápido e intenso endurecimento da política monetária está fazendo efeito.

A queda de preços já é uma realidade, mas ainda está localizada. Concentra-se nos itens Transportes, onde houve uma deflação de 2,88%, e Educação, Leitura e Recreação, com baixa de 1,31%.

Voar, por exemplo, ficou 6,92% mais barato, depois de os preços das passagens aéreas terem decolado na segunda quadrissemana, com alta de 4,65%. No acumulado do mês, os preços do etanol recuaram 9,83% e a gasolina nas bombas ficou 8,61% mais barata.

Outra alteração significativa foi na Habitação. Os preços recuaram 0,37% na terceira quadrissemana de julho, após terem ficado praticamente estáveis na quadrissemana anterior e de terem aumentado 0,62% na terceira quadrissemana de junho. Nesse caso, a baixa deveu-se à retração dos preços da eletricidade residencial, que retrocederam 3,51%.

Apesar disso, a questão da inflação é um pouco mais complexa. Há um ponto em comum às principais baixas de preços. Todas elas foram provocadas por intervenções do governo, com baixa de tributos sobre combustíveis e eletricidade. A lei federal foi posteriormente incorporada no âmbito das legislações estaduais, contribuindo para o recuo de preços observado nesses grupos, causando forte queda nesses itens.

Nos demais preços da economia, como alimentos, por exemplo, a pressão de alta de preços segue firme. Segundo a FGV, no acumulado de julho até a terceira quadrissemana, os preços do leite longa vida subiram 22,44%. Ou seja, há dois vetores nos índices de inflação: o de baixa, concentrado em energia e combustíveis, e o de alta, concentrado nos preços dos alimentos.

É questão de tempo para que fique claro qual desses vetores será dominante. No entanto, a maneira como o Banco Central enxerga a questão vai balizar as expectativas dos investidores, e deverá influir no resultado da inflação para este ano.

 

Este artigo tem como objetivo democratizar o acesso à educação financeira via Luiz Alberto Caser, Sócio e especialista da Valor Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos.

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