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Financial Deepening, você sabe o que isso significa?

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Financial Deepening

Na minha adolescência, quando comecei a tomar vinho, o meu favorito era o Liebfraumilch, um vinho branco semi-doce de origem alemã produzido no Estado de Hesse. Lembro de ter duas opções; a garrafa verde – mais barata e a mais consumida por mim -, e a garrafa azul, usada em momentos especiais.

O tempo passou, o poder aquisitivo melhorou e o gosto ficou mais refinado. Com isso o meu universo de vinhos, antes restrito a dois rótulos, passou a contar com milhares deles.

O título desse artigo é uma expressão cunhada pelos economistas para descrever um movimento de Aprofundamento no Mercado Financeiro (deepening = aprofundamento) provocado pela busca de novas opções de ativos para manter o mesmo nível de rentabilidade. Os países desenvolvidos já passaram por isso e, agora, parece que chegou a vez do Brasil.

É um movimento similar ao que aconteceu comigo com relação ao mundo dos vinhos.

Em um passado bem recente, vivíamos em um país com altas taxas de juros, em vários momentos entre as maiores do mundo. Os investidores concentravam seus investimentos em títulos públicos indexados à Selic. Um universo de investimento bastante restrito, mas altamente rentável. E o melhor, com quase nenhum risco.

Em um movimento global, vimos as taxas de juros caírem a cada reunião do COPOM (órgão do governo responsável por estabelecer as diretrizes da taxa de juros básica da economia). Saindo de 14,25% em 2016 até o nível mais baixo da história do Brasil, chegando a 2% ao ano, ao final de 2020.

Com esse novo nível da SELIC, que deve se manter baixa por um longo ciclo, um investimento indexado à essa taxa, que consiga entregar 100% de retorno, vai te render 2% ao ano, em um país onde a inflação nos último 12 meses está na casa dos 4%. Isso quer dizer que investir como se fazia no passado não vai conseguir fazer o seu patrimônio crescer. Nesse nível atual, pelo contrário, está corroendo os seus investimentos, uma vez que não consegue superar a inflação. Os investimentos em Caderneta de Poupança rendem menos ainda, apenas 70% da taxa básica de juros, ou algo na casa dos 1,5% ao ano.

É nesse cenário que entra a necessidade dos investidores de buscarem novos ativos, principalmente os de Renda variável, para continuar preservando o valor de compra dos seus investimentos ou fazendo o “bolo crescer”.

Na prática, é o mesmo dilema que vivi com relação aos vinhos. Meu universo passou de dois vinhos para milhares. Como escolher os melhores para o meu gosto?

Estamos engatinhando no caminho do Financial Deepening. Apesar de em 2020 o número de investidores na Bolsa de Valores Brasileira (B3) ter atingido a marca de 3 milhões, um crescimento de 82% em relação a 2019, ainda vemos o número de investidores na Poupança crescerem. Do total de R$5 trilhões investidos em fundos, os investimentos em renda variável não chegam a 10%. Nos Fundos de Previdência, 86% do total está investido em Renda Fixa.

Quando o investidor brasileiro acordar para o cenário que descrevi acima ele vai começar a considerar não mais os poucos ativos de Renda fixa indexados mas passará a ter na prateleira um novo mundo de produtos financeiros, dos mais diversos tipos e características. Produtos que acessam os mercados financeiros do mundo inteiro.

Quer ter investimentos em um fundo de ações de empresas de tecnologia da Ásia? Quer comprar ações da Tesla? Quer investir em startups de mercados emergentes? Que tal investir em empresas que distribuem dividendos regularmente? Tudo isso e muito mais já está disponível para o investidor brasileiro graças ao movimento de desbancarização protagonizado pela XP que permitiu o acesso fácil e descomplicado a um mundo que anteriormente era restrito aos milionários clientes Private.

Como nos vinhos, em um mercado com tantas opções onde eu recorro a ajuda de um sommelier, que consegue encontrar os melhores rótulos para os meus gostos e necessidades, o mercado financeiro conta com um importante profissional, o agente autônomo de investimentos.

O Agente de Investimento é um profissional ligado a escritórios de investimento que auxiliam os seus clientes nas recomendações dos melhores investimentos. Fazem uma curadoria das melhores opções disponíveis nas plataformas, buscando produtos adequados ao perfil e planejamento financeiro de cada cliente.

Estamos vivendo um novo momento, e ele está apenas no começo.

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Pablo Alencar, CFP® – Head da Valor Capital

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Sobre o autor
CFP®, Corretor de Seguros Pleno (SUSEP), formado em Administração de empresas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Certified in MKT pela University of California (UCSD), MBA em Gestão de Negócios Internacionais (FGV), XBA pela Startse University (Silicon Valley) and NOVA Business School (Portugal). Sócio da Valor Investimentos.
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