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Tudo sobre renda variável

9 Minutos de leitura
renda variavel Tudo sobre renda variável

A escolha dos investimentos que farão parte da sua carteira depende de uma decisão informada. Assim, há como contemplar seus objetivos, seu apetite ao risco e outras características relevantes. Nessa hora, um dos pontos importantes consiste em conhecer o que é renda variável.

Afinal, essa é uma classificação que conta com diversos investimentos e que possui características bem diferentes da renda fixa. Sabendo o que esperar, portanto, é possível dar os seus primeiros passos nessa classe de investimentos.

A seguir, conheça tudo o que é relevante sobre a renda variável e explore os investimentos disponíveis!

O que é renda variável?

A renda variável é uma classificação de investimentos do mercado financeiro que é marcada por não oferecer previsibilidade quanto ao retorno do investimento.

Desse modo, ela é composta por investimentos que apresentam um retorno que não pode ser previsto no momento de aporte. Os investimentos em renda variável são os ativos e veículos financeiros que estão expostos à volatilidade do mercado.

Como essa classe de investimento funciona?

Entender o conceito de renda variável é um passo importante, mas é possível se aprofundar em suas características e no seu funcionamento.

Confira!

Volatilidade

Primeiramente, você deve entender no que significa dizer que as condições de rentabilidade não são conhecidas. Isso representa que um investidor não sabe o quanto poderá ganhar no momento em que decidir resgatar o investimento.

O retorno pode ser positivo ou ser negativo — que é o que ocorre quando há desvalorização no preço. A oscilação no patrimônio investido acontece, principalmente, porque os preços de negociação variam de acordo com a lei da oferta e procura.

Os preços podem mudar por conta de expectativas, notícias e condições da economia. Um momento de insegurança econômica, por exemplo, pode levar os investidores a venderem seus ativos, fazendo com que o preço caia.

Risco

Quanto maior for a flutuação de preços, mais intensa é a volatilidade. Essas características afetam diretamente o risco da renda variável. Ele tende a ser elevado porque não há garantias. Logo, não há como prever exatamente qual será o comportamento do mercado.

Considerando a estratégia do tripé de investimentos, composto por segurança, retorno e liquidez, o risco maior tende a aumentar o potencial de retorno. Logo, escolher esses investimentos expõe seu capital a mais riscos e também à chance de obter ganhos maiores e proporcionais.

Quais as diferenças entre renda fixa e renda variável?

Depois de explorar as características da renda variável, vale a pena entender como ela se compara à renda fixa. Assim, você saberá como é cada tipo de investimento e o que ele é capaz de oferecer.

A principal diferença envolve a segurança e os riscos. Na renda fixa, é possível conhecer antecipadamente as regras de remuneração. Elas podem ser:

  • prefixada (com taxa fixada antes do investimento);
  • pós-fixada (acompanhando indicador do mercado) ou
  • híbrida (com uma parte fixa e outra acompanhando um índice).

A principal diferença se dá no modo de investimento. Na renda fixa, funciona como um empréstimo. Você aplica o dinheiro e o emissor se compromete a devolvê-lo com juros em determinada data de vencimento.

Na renda variável, não é um empréstimo, mas exposição direta aos riscos de um investimento. No caso de ações, por exemplo, você se expõe aos resultados da empresa — que podem ser positivos ou negativos.

Assim, a consolidação do lucro costuma depender da venda do ativo por um preço maior que o da compra. Além disso, é possível receber proventos — como o pagamento de dividendos, que está disponível em alguns investimentos.

Desse modo, na renda variável não é possível conhecer como será o rendimento do investimento. Logo, o risco da renda fixa, embora exista, é menor.

Outra diferença envolve a taxa de rentabilidade. Como risco e retorno costumam ser proporcionais, investimentos de renda variável podem ter um retorno melhor que os da renda fixa, por conta da maior exposição à volatilidade.

Portanto, fica claro que a renda fixa e a renda variável são classes com características opostas. Com isso, atendem a objetivos, perfis e expectativas distintas.

Quais são os principais investimentos em renda variável?

Agora que você já sabe como funciona a renda variável, vale a pena conhecer as possibilidades. Muitos investimentos da renda variável são negociados na bolsa de valores, já outros estão disponíveis nas plataformas das instituições financeiras — como é o caso de alguns fundos.

Além dessas diferenças, cada alternativa tem características específicas — como regras, objetivos, riscos e potencial de retorno. Veja a seguir quais são os principais investimentos de renda variável!

Ações

As ações são as menores partes negociáveis do capital social de uma companhia. Ao investir, você se torna sócio de uma empresa e passa a ter direito a participar em seus resultados. Ao mesmo tempo, corre os riscos relacionados ao negócio.

Se a companhia passar por problemas ou encontrar dificuldades, as ações provavelmente sofrerão uma queda. Assim, você perderá potencial com seu investimento.

Para negociar ações, a empresa deve ser de capital aberto, o que significa estar presente na bolsa de valores. A entrada nesse mercado organizado é feita pela oferta pública inicial (IPO), que corresponde à primeira emissão e negociação de ações.

Outra característica do investimento em ações é que você pode lucrar de duas formas. A primeira é pela venda dos papéis e a segunda é por distribuição de proventos. Eles podem ser dividendos, juros sob capital próprio (JCP), bônus de subscrição e bonificações.

Toda empresa de capital aberto é obrigada a distribuir dividendos com base em seu lucro líquido, mas o percentual é definido por cada negócio. Com isso, ao escolher uma empresa que seja considerada uma boa pagadora de dividendos, é possível obter uma renda passiva.

ETFs

Para entender os ETFs é preciso, em primeiro lugar, conhecer os fundos de investimento. Eles são modalidades ou veículos financeiros que funcionam de modo coletivo. Cada investidor deve adquirir cotas, que dão direito à participação nos resultados.

Os recursos captados são movimentados por um gestor profissional, que direciona o dinheiro entre ativos do mercado de acordo com a estratégia do fundo. A rentabilidade também é obtida pela venda das cotas, mas alguns fundos distribuem dividendos.

Partindo para o ETF, especificamente, ele é conhecido como exchange traded fund ou fundo de índice. Sua estratégia consiste em acompanhar um indicador de mercado, usando a carteira teórica para definir como será feita a alocação de recursos.

Então, um ETF que use o Ibovespa como referência, por exemplo, investirá nas ações mais negociadas da bolsa brasileira que fazem parte do índice. Nesse caso, o gestor não toma as decisões, já que usa o indicador como referência.

Ao final, a ideia é que o desempenho do ETF reflita, antes dos custos e dos impostos, a performance do índice escolhido. Assim, é uma forma de diversificar em ativos e investimentos.

FIIs

Assim como acontece com os ETFs, os fundos de investimentos imobiliários (FIIs) também possuem cotas negociadas na bolsa de valores. Como o nome revela, esses investimentos têm foco no mercado de imóveis. A estratégia de alocação depende do tipo de FII.

Eles podem ser:

  • fundos de papel: alocam a maior parte dos recursos em ativos mobiliários ligados ao setor de imóveis, como Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI);
  • fundos de tijolo: investem prioritariamente em empreendimentos imobiliários físicos, como lajes corporativas, galpões industriais, shopping centers e outros;
  • fundos de fundo: direcionam a maioria dos recursos para a aquisição de cotas de outros fundos de investimento imobiliário.

Os FIIs geralmente fazem a distribuição de dividendos, principalmente devido ao fluxo de retorno que pode ser obtido com aluguéis e arrendamentos. Assim, os proventos são divididos proporcionalmente ao número de cotas que cada investidor comprou.

Fundos de ações

Depois de conhecer os investimentos que estão disponíveis na bolsa de valores, é interessante descobrir alternativas que são negociadas no mercado balcão organizado, a partir das distribuidoras de investimentos.

Entre eles estão os fundos de ações. Trata-se de fundos que investem prioritariamente em ações, opções de ações e títulos conversíveis nesses papéis. Eles podem seguir estratégias variadas, como:

  • priorizar as ações de empresas sustentáveis ao adotar a metodologia ESG (environmental, social e governance);
  • focar em empreendimentos de baixa capitalização (small caps);
  • buscar companhias que sejam boas pagadoras de dividendos, entre outras propostas.

A estratégia pode ser mais agressiva ou mais conservadora, a depender do fundo. Como isso influencia o potencial de resultados, é importante avaliar na hora de escolher.

Fundos cambiais

Se você quiser um investimento focado nas moedas e em suas cotações, os fundos cambiais podem ser adequados. Eles priorizam o investimento em moedas estrangeiras, como o dólar.

A maior parte dos recursos desses fundos é investida em ativos e produtos financeiros ligados ao câmbio. Assim, é possível proteger seu patrimônio de oscilações que diminuam o valor do real, por exemplo.

Fundos de ouro

Já que as moedas foram citadas no investimento anterior, também vale a pena conhecer os fundos de ouro. Eles têm por base o princípio de que o ouro é um metal valioso, raro e limitado. Com isso, serve de lastro para moedas e oferece proteção diante das oscilações cambiais.

Esses fundos investem em ativos e produtos financeiros ligados ao ouro e buscam refletir a variação da sua cotação. Dependendo da estratégia, é possível expor seu capital apenas ao ouro, incluir a variação do Certificado de Depósitos Bancários (CDI) ou até obter exposição ao dólar.

Com isso, os fundos de ouro costumam investir tanto em ativos e produtos ligados diretamente ao metal, como em outras alternativas para equilibrar o risco.

Fundos multimercado

Até aqui, você viu que cada fundo tem regras específicas sobre a alocação dos recursos. É isso que permite que ele se encaixe em uma classificação específica, apresentando suas características. Porém, existe uma alternativa que funciona de modo diferente: o fundo multimercado.

Esse veículo financeiro tem estratégia livre, então não precisa atender a um percentual mínimo de alocação. Por causa disso, podem realizar investimentos em ações, cotas de outros fundos, renda fixa, derivativos etc.

O nível de risco varia com quão arrojada é a estratégia. Sendo assim, é necessário ter cuidado ao avaliar cada alternativa para escolher o que faz sentido para seu perfil.

Opções

Além dos ativos financeiros, a renda variável é composta por derivativos. Eles são instrumentos cujo valor deriva de um ativo-objeto. Normalmente, são negociados em outros ambientes da bolsa de valores. As opções, por exemplo, fazem parte do mercado próprio de negociação.

Operar esses derivativos faz com que você tenha o direito de comprar ou vender o ativo-objeto em uma data futura por um preço de exercício (strike). A opção de compra é chamada de CALL e a de venda, de PUT.

Além disso, quem compra a opção é o tomador e quem vende é o lançador. Como concede um direito e não uma obrigação, a opção não precisa ser obrigatoriamente exercida. Porém, se o tomador escolher exercer o direito, o lançador fica obrigado a cumprir as condições previstas.

Contratos futuros

Ainda falando em derivativos, o mercado futuro é um ambiente de negociação da bolsa que também deve ser considerado. Ele envolve os contratos futuros, nos quais cada operador assume uma posição — de acordo com as expectativas de movimentação do mercado.

Ou seja, você pode negociar visando a subida ou descida dos preços. Ao final de cada pregão, ocorre o ajuste diário. Se o resultado estiver abaixo da posição escolhida, há uma perda ou um desconto. Se o resultado estiver acima, há um ganho ou acréscimo financeiro.

Os contratos futuros podem ser negociados em relação a diversos ativos, por exemplo:

  • commodities (como produtos agrícolas, petróleo, ouro e mais);
  • índices financeiros;
  • dólar;
  • ações.

Eles são negociados em lotes, mas algumas alternativas têm versões reduzidas, para que o investimento exigido inicialmente seja menor. São os chamados minicontratos futuros. Vale destacar que os derivativos não são investimentos em si, mas elementos para proteção ou especulação.

Quais objetivos se pode atingir ao investir em renda variável?

Como você viu, a renda variável oferece mais riscos, mas também possui potencial mais elevado de retorno. Além disso, conta com diferentes investimentos e instrumentos que podem ser aplicados em uma carteira.

Devido às suas condições, ela pode atender a dois interesses principais: investir no longo prazo ou recorrer ao curto prazo. No caso de um período menor para o investimento, a intenção pode ser proteger a carteira (fazer hedge) ou rentabilizá-la por meio da especulação.

Independentemente do objetivo, é importante identificar seu perfil de investidor, conhecendo sua tolerância ao risco. Assim, será viável definir quais escolhas podem fazer parte da sua carteira.

Agora que conhece a renda variável, você tem a chance de definir como os investimentos dessa classe farão parte de uma estratégia. Para compor patrimônio no longo prazo, proteger a carteira ou mesmo especular, há muitas alternativas às quais você pode recorrer.

Quer ter apoio nas suas decisões de maneira profissional? Fale com um de nossos profissionais qualificados e tire suas dúvidas!

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