Análise e Opinião

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Eleições americanas: como funciona e quais os candidatos?

Por
Thiago Goulart

As eleições americanas costumam causar dúvidas entre os brasileiros, principalmente porque elas acontecem de modo indireto. Se você quiser entender mais sobre o assunto, vale a pena conhecer o funcionamento do sistema por colegiado — que apresenta regras distintas por estado.

E por que saber mais sobre isso? Na verdade, embora aconteça em outro país, a escolha de um novo presidente nos Estados Unidos pode influenciar bastante no desempenho dos seus investimentos.

Então, confira agora como acontecem as eleições americanas e quais são os candidatos à presidência em 2020 nos EUA!

Como é o sistema eleitoral nos Estados Unidos?

Um dos primeiros aspectos importantes sobre as eleições americanas tem a ver com a obrigatoriedade do voto. Ao contrário do que acontece no Brasil, a participação nos EUA é facultativa. Ou seja, os cidadãos não são obrigados a votar.

E, ainda, para poder votar normalmente, é preciso se registrar com antecedência. Assim, será possível ter o voto computado. Outra diferença em relação ao Brasil é que há a utilização de cédulas de papel, que são auditadas após o encerramento do período.

Inclusive, os votos podem ser enviados por correspondência. O uso de cédulas torna mais complexa a tarefa de apurar o total de votos. Mas, em geral, representantes dos diferentes partidos do país acompanham o processo de apuração.

Por falar em partidos, o sistema eleitoral americano tem duas alternativas principais com representação real: Republicanos e Democratas. Os demais partidos menores costumam atuar de maneira local, sem tanta expressividade nas eleições nacionais.

Como funcionam as eleições nos Estados Unidos?

Pensando nas eleições americanas, propriamente ditas, há características bastante marcantes (e diferentes) em relação ao sistema brasileiro. Uma das principais é que, na prática, a eleição é indireta.

O sistema funciona por colégio eleitoral. Isto é, os eleitores escolhem os chamados delegados — que apoiam candidatos específicos em certas situações. Na prática, é como se as pessoas elegessem os representantes responsáveis por escolher o presidente.

Normalmente, tudo começa nas primárias do partido. Nelas, são definidos os candidatos oficiais. Nesse momento, os pré-candidatos buscam apoio de delegados, que recebem o voto dos eleitores para se tornarem representantes.

No final do primeiro semestre do ano eleitoral, é possível conhecer quem é, finalmente, o candidato de cada partido. Então, passa a haver a disputa eleitoral de fato. Nesse caso, os estados têm regras específicas.

No geral, funciona da seguinte forma: cada estado tem um número de delegados (que depende da quantidade de senadores e de deputados do local). Ao total, são 538 delegados nos mais de 50 estados do país.

O candidato à presidência que conquistar o voto de, pelo menos, 270 delegados vence a eleição. Uma especificidade importante é que poucos estados adotam a política de divisão de delegados. Então, é comum que todos os delegados de um local sejam direcionados para o mesmo candidato.

Na prática, isso gera risco de distorção entre a vontade popular e o resultado final das eleições. Em 2016, por exemplo, Donald Trump venceu a candidata democrata Hillary Clinton, mesmo tendo cerca de 3 milhões de votos a menos.

Quais são os candidatos da eleição 2020?

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Para as eleições dos Estados Unidos em 2020, há dois candidatos principais à presidência: Donald Trump (Republicano) e Joe Biden (Democrata).

Conheça o perfil de ambos os candidatos e entenda como eles se diferenciam!

Donald Trump

O magnata Donald Trump fez fortuna no mundo dos negócios, ao longo das últimas décadas. Ele construiu diversos empreendimentos imobiliários e já apresentou a versão original do programa “O Aprendiz”.

Apesar do descrédito inicial por não ter carreira política, Trump logo se tornou favorito para receber a nomeação do partido Republicano. Em 2016, foi escolhido para disputar as eleições. Então, em 2017, foi empossado como o 45º Presidente dos Estados Unidos.

Para o pleito de 2020, Trump busca a reeleição e recebeu novamente a indicação do partido para disputar a preferência dos representantes. Seu vice é Mike Pence.

Joe Biden

Outra figura importante das eleições americanas de 2020 é Joe Biden. Ele é candidato pelo partido democrata e começou sua carreira na política ainda na década de 1970, como senador.

Em 2008, Biden foi selecionado para ser o vice-presidente da campanha de Barack Obama. Isso o projetou nacionalmente e ajudou a tornar o seu nome viável para a eleição atual.

Na escolha de seu vice-presidente, o candidato optou por Kamala Harris. Ele tem um histórico no engajamento de lutas sociais.

Como as eleições americanas afetam os investimentos?

Entender como funcionam as eleições americanas vai além de curiosidade. Afinal, saber o que acontece na maior potência econômica do planeta é indispensável para um investidor.

Qualquer mudança no cenário americano gera impactos na economia mundial. Então, mesmo que você não tenha investimentos internacionais, os acontecimentos nos Estados Unidos podem influenciar sua carteira.

Isso ocorre porque nenhum país existe de forma isolada. Assim, a economia brasileira sofre impacto das relações internacionais.

Confira a seguir alguns aspectos que podem afetar os investimentos dos investidores em se tratando das eleições nos EUA:

Comércio exterior

Caso o presidente Donald Trump se reeleja, é provável que mantenha sua política protecionista e a guerra comercial que vem acontecendo com a China. Para o Brasil, a dinâmica potencializa a valorização do Dólar.

Assim, é esperada uma desvalorização do Real frente à moeda estrangeira. As consequências podem impactar os investimentos e o consumo dos brasileiros. De outro lado, podem ser interessantes para quem tem hedge com Dólar na carteira ou aporta em fundos cambiais.

Relações internacionais

Quanto ao relacionamento com o Brasil, é difícil dizer quais serão os resultados da eleição. Trump busca ter um relacionamento próximo com nosso país nos últimos anos, mas os frutos de uma possível reeleição dependem também do poder de barganha do governo brasileiro.

No caso Biden, também não é possível saber ao certo como seria a relação com o Brasil. Em termos mundiais, pode haver a tendência a afrouxar sanções comerciais. Então, seria possível gerar um efeito nos mercados de diversos países.

Conclusão

De modo geral, não é fácil dizer quais serão os impactos das eleições americanas no Brasil e qual candidato pode trazer consequências mais positivas ou negativas. Qualquer um dos resultados tem potencial de gerar mudanças, bem como pontos de atenção.

Mas, sem dúvida, é possível afirmar que as eleições americanas gerarão efeitos em médio e longo prazo em todo o mundo. Ao mesmo tempo, sem acordos específicos, pode ser que algumas situações não se transformem tanto. Então, seja qual for o caso, o ideal é preparar a sua carteira para ambas as possibilidades.

Tão relevante quanto entender como funcionam as eleições americanas é compreender como o sistema pode impactar seus investimentos. Assim, você poderá estar preparado antecipadamente para potenciais mudanças, mas sem deixar de considerar, em qualquer situação, o seu perfil os seus interesses.

Conhece alguém que vai gostar de ter essas informações sobre as eleições americanas? Compartilhe este artigo nas redes sociais e marque os amigos!