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Depósitos em poupança: como sair dessa armadilha?

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shutterstock 534796828 Depósitos em poupança: como sair dessa armadilha?

Com rendimento de 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia), a poupança rendeu apenas 1,72% nos 12 meses terminados em julho, segundo o Banco Central. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado prévia da inflação, atingiu 8,59%. O IPCA cheio de julho será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A perda de rendimento da poupança está atrelada a dois fatores. O primeiro são os juros baixos. Atualmente a taxa Selic (juros básicos da economia) está em alta, e ontem (4) foi elevada para 5,25% ao ano. O segundo fator foi a alta nos preços dos alimentos e do dólar, que impacta a inflação desde o segundo semestre do ano passado. Mesmo assim, as recentes elevações na Selic estão voltando a atrair o interesse do brasileiro na caderneta.

Por mais expressiva que seja, a informação não surpreende. Afinal, a poupança é o investimento de maior popularidade do país. O surpreendente, por outro lado, é o fato de muitas pessoas não saberem que existem alternativas no mercado. Muitas vezes, é possível encontrar aplicações tão seguras e mais rentáveis que a poupança.

Você sabia que deixar o dinheiro na caderneta pode resultar em perda financeira? Veja por que isso acontece e descubra como sair dessa armadilha!

O que é a poupança?

A caderneta de poupança está presente na vida dos brasileiros desde 1861. É um produto oferecido por instituições financeiras, como os bancos. Em um primeiro momento, ela pode parecer uma boa ideia — especialmente por ser prática.

Contudo, existem pontos negativos. Um dos principais diz respeito à rentabilidade. Para depósitos feitos a partir de 2012, as regras de rendimento da poupança são as seguintes:

  • se a taxa Selic estiver acima de 8,5%, o rendimento é de 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR);
  • se a Selic estiver igual ou menor que 8,5%, o rendimento da poupança corresponde a 70% da Selic + TR.

Nos últimos anos, a taxa Selic vem sendo cortada gradativamente e está nos menores patamares da história. Então, a poupança tem apresentado a segunda regra de rendimento — o que não é muito atrativo.

Em alguns cenários, o dinheiro investido na caderneta rende menos do que a taxa de inflação. Assim, o investidor estaria, na verdade, perdendo poder de compra ao longo do tempo. Além disso, o rendimento é creditado apenas a cada mês de aniversário do investimento.

É importante, ainda, ter em mente que a TR está zerada desde 2017. Assim, ela não representa nenhum ganho na rentabilidade. No final, os resultados do investidor podem ficar bem abaixo de outras opções do mercado financeiro.

Leia também | Boletim Focus: confira as projeções do mercado

Como sair da armadilha da poupança?

Pela praticidade e popularidade da caderneta, diversas pessoas acreditam que ela é a única (ou a melhor) forma de guardar seu dinheiro. Contudo, isso não é verdade! Existem alternativas variadas no mercado financeiro.

Elas estão tanto na renda fixa quanto na renda variável. Assim, é possível encontrar oportunidades com menor ou maior risco, a depender das suas preferências. Para escolher as mais adequadas ao seu caso, é importante considerar alguns fatores.

Por exemplo, o seu perfil de investidor – principalmente em relação ao risco que está disposto a correr. Também é válido pensar nos seus objetivos e no prazo deles (que pode ser curto, médio ou longo, por exemplo).

A existência ou não de um fundo de emergência é mais um fator a considerar. O ideal é optar por investimentos de prazo mais longo ou de risco maior apenas quando já se tem uma reserva em um local seguro e de fácil acesso. Afinal, esse montante deve estar disponível em todos os momentos de necessidade.

Quais são as alternativas para os depósitos em poupança?

Como você viu, o mercado financeiro apresenta desde alternativas mais seguras até as mais arriscadas — como as Ações na bolsa de valores. Para apresentar as principais opções à poupança, vamos considerar um investidor que busca pela mesma segurança.

Afinal, a redução dos riscos é um dos principais motivos que justificam a popularidade da caderneta. A seguir, confira alternativas que protegem seu patrimônio tanto quanto os depósitos em poupança e podem ter rendimento maior!

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é uma das aplicações mais seguras da renda fixa. Ele é um título oferecido pelo Governo Federal no programa Tesouro Direto. Seu rendimento está diretamente atrelado ao valor da Selic — rende 100% da taxa definida pelo COPOM (o Comitê de Política Monetária do Banco Central).

É possível aplicar a partir de valores baixos (próximos de R$ 100,00, por exemplo). Além disso, a alternativa conta com liquidez diária. Ou seja, permite que você retire o dinheiro quando desejar, realizando o resgate em dias úteis.

A segurança e a simplicidade do Tesouro Selic fazem com que ele seja visto como um bom substituto para a poupança. Apesar de cobrar Imposto de Renda sobre os rendimentos, os ganhos dele ainda ficam maiores do que os da caderneta.

CDB

O CDB é outra aplicação conhecida entre os que investem em renda fixa. A sigla significa Certificado de Depósito Bancário e funcionam como um empréstimo feito a bancos. Assim, há o pagamento de juros pela transação.

As instituições bancárias emitem títulos de CDB para captar recursos. Então, eles são usados para as atividades — por exemplo, empréstimos e financiamentos.

Assim como no caso do Tesouro Selic, é possível encontrar CDBs com liquidez diária. Dessa forma, será viável ter acesso ao dinheiro em qualquer momento, mesmo antes da data de vencimento da aplicação.

É comum que a rentabilidade do título esteja relacionada ao CDI — um índice cujo valor fica próximo ao da Selic. Você poderá encontrar títulos que pagam, por exemplo, 100% ou um percentual maior do CDI ao pesquisar. Contudo, quanto maior liquidez, menor tente a ser o rendimento.

Em relação à segurança, além da estabilidade da renda fixa, o CDB apresenta uma garantia a mais. Ele é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. O FGC devolve o dinheiro do investidor em caso de falência do banco (dentro de limites estabelecidos).

Fundos DI

Por fim, há opções de Fundos de Investimentos como alternativa à poupança. Os Fundos de Renda Fixa Referenciados DI, também chamados de Fundos DI, apresentam um gestor profissional decidindo a montagem da carteira.

Fundos desse tipo têm a maior parte do portfólio investido em títulos privados de baixo risco e títulos públicos do Tesouro Direto. Assim, eles também apresentam segurança e alta liquidez, podendo ser usado como substituto da poupança.

Conclusão

Você acabou de conferir algumas alternativas de investimentos seguras. Antes de escolher a opção que melhor atende o seu caso, é importante avaliar informações de rentabilidade, risco e liquidez de cada uma.

Assim, fica mais simples sair da armadilha dos depósitos em poupança e investir em aplicações estáveis e com maior rendimento. Lembre-se de que, caso o seu perfil seja mais tolerante a riscos, também há opções para diversificar seu portfólio na Bolsa de Valores!

Você ainda tem dúvidas sobre o assunto ou deseja conhecer melhor os investimentos? Entre em contato com a VAI Investir!

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Sobre o autor
Thiago Goulart é o Editor da Vai Investir e do podcast Valor de Mercado. Adora praticar tênis, ler, escutar música e estar na presença de amigos e família. Graduado em Letras pela UFES e em Jornalismo pela PUC-SP, está se tornando também especialista em finanças com o MBA no tema pela PUC- RS. Com uma longa carreira em sala de aula, desenvolveu a habilidade e sensibilidade para conectar pessoas a conhecimentos. Hoje, aplica essa experiência de maneira mais específica para o mercado financeiro, por quase 3 anos sendo o principal responsável pelo desenvolvimento e curadoria de conteúdo para a Valor Investimentos e Vai Investir.
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